segunda-feira, novembro 27, 2006

MORREU MÁRO CESARINY DE VASCONCELOS



Filho
de ourives
joalheiro,
o poeta da
«Pena Capital» e
«Nobilíssima Visão»,
além de tod o espólio
que aí fica a
enriquecer-nos,
passou do literal
ao simbólico: da
ouriveria à alquimia
das teclas à que na
poesia incorporou

dos jornais

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Sou um homem
um poeta
uma máquina de passar vidro colorido
um copo
uma pedra
uma pedra configurada
um avião que sobe levando-me nos seus braços
que atravessam agora o último glaciar da terra.

domingo, novembro 26, 2006

SAUDANDO ÁLVARO LAPA E A SUA OBRA


Campéstico (com muro vermelho), 2005

A vida noutros tempos, 1974


Um orgão, a consciência.
Conforme o seu objecto a consciência vive.
Toda a vantagem em escolher os objectos, mas se não puder ser, qualquer um serve.
Nas obras de arte encontramos: o fausto, a ruptura, a amizade, as emoções pela Natureza,
o inominável e a mão que dispõe.
A minha preferência pela pintura chinesa e japonesa corresponde a uma antropologia e não a uma a uma metafísica.
Nos festins da consciência encontramos uma compensação.

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Este pequeno texto foi extraído de uma introdução de Álvaro Lapa à sua rópria exposição realizada em 1985, na galeria Emi, Valentim de Carvalho. Na sua globalidade, este artista mal conhecido no país, disponde de uma obra invulgar, enigmática, que aborda a consciência do ser, obteve o prémio edp de 2004 e só agora é exposto, antologicamente, no Palácio da Cidade de Lisboa, nos dois pavilhões existentes. Exposição digna, bem contextualizada, e publicação de três volumes, dois sobre as fases da obra plástica e um em torno de muitos dos textos do artista. A sua obra escrita, de grande qualidade, deveria ser reordenada e publicada.
Significativamente, Álavro Lapa faleceu quando ainda decorriam os preparativos para esta exposição e respectivos catálogos.

sábado, novembro 25, 2006

HOMENAGEM A ÁLVARO LAPA

O que smboliza a arte senão a alegria e a tragédia?
Quem não considera o não-ser compreende a arte sem distância,
O não-ser corresponde à imaginação que trabalha e ao animal.
Emociona-me a palavra «lenda» como sentido do que faço.
Naecicismo do indivíduo ou da Natureza tanto faz.
Entre a elite e a claque a escolha impõe-se.
Trabalhanos em ultrapassar os nossos limites ou trabalhamos em amar.

Este extracto foi obtido de um texto de Álvaro Lapa para uma exposição sua, em 1985, na galeria Emi, ajusta-se bem à lembrança dele e da sua obra, agora presente no Palácio da Cidade de Lisboa, e na qual emerge bem uma escrita assim, na «pintura com escrita» e o modo raro como utiliza as palavras propriamente ditas, num discurso ao mesmo tempo hermético, angular e deslumbrante. Mas é preciso apontar o dedo ao país para anunciar os desacertos de alguns actos, posto que Álvaro Lapa faleceu este ano, 2006, quando ainda decorriam os trabalhos de preparação desta exposição e catálogo.

sábado, novembro 18, 2006

MEMÓRIA RURAL NA LINHA FÉRREA



A nossa viagem pelos testemunhos do passado, entre utensílios comuns e patrimónios quase lendários, implica um projecto cultural sem preconceitos, alinhado pela longa parábola que o tempo parece descrever. Num velho estaleiro de ferramentas agrícolas, este velho carro de tracção animal oferece-nos a beleza da idade, dos materiais, do design que os formava e funcionalizava. Penso que estas imagens não são para esquecer

Com este intencional enquadramento do rodado de um suporte de contentores, desenhado para combóios de mercadorias, estabelecemos uma medida de tempo que não chega a um século e contudo já nos parece que o ferro envelheceu, que foi abandonado aqui. O envelhecimento das coisas parece acontecer um pouco a par do nosso próprio envelhecimento.
Prefiro sentar-me no carro de madeira, meio desmanchado. Foi feito para pessoas como eu e não para contentores das ferrovias.


fotos de Rocha de Sousa




A MADRASTA


É bom rever-se obras como esta, «A Madrasta», de Paula Rego. A pintura vai ser leiloada, o que quer dizer que ficará, mais do que até agora, afastada dos nossos olhos. De resto, embora já se tratasse de uma história, não pertence ao ciclo de produção que mais tem mobilizado, ultimamente, a pintora e os seus admiradores, todos sob a campânula da comunicação social.
Rever obras deste modo de formar é imperioso para quem sabe haver nestas figuras, e elipses de sentido, o que de melhor a arte contemporânea portuguesa produziu.

sexta-feira, novembro 17, 2006

EM TUDO HÁ DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS





fotos de Rocha de Sousa


A realidade portuguesa actual padece de uma enorme acumulação de males, entre os quais a presença de figuras habituadas e medir tudo com dois pesos e duas medidas, assim avaliando o que fazem, entre personagens, como vimos, que se situam no oportunismo e na farsa para persuadiram o público de que o espectáculo é popular, necessariamente popular, e que os factores que conduzem a uma cultura erudita pertencem a um outro tipo de sociedade, nada fazem crescer, favorecem o conservadorismo da tinta académica ou abrem rupturas que não importam a ninguém.
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MEU DEUS, O PESO
MEU DEUS, QUE PESO
MEU DEUS, SEM PESO
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FEIRA DE VAIDADES E RECOMPOSIÇÕES POLÍTICAS




UM LIVRO
SEM CÓDIGOS,
NEM DEUS,
NEM DA VINCI,
PELO QUAL SANTANA
SE EXPLICA
E RECONSAGRA



Santana Lopes, após um tempo de oficina e a habitual travessia do deserto, apresentou um livro - Percepções e Realidade - em que procura «branquear» o período agitado do seu governo, substituindo Durão Barroso, cujo natural salivar o atraíra para a presidência da Comissão Europeia. Ouvi ontem a entrevista de Santana à Judite de Sousa, ritual que esta mantém com apreciável profissionalismo, e verifiquei mais uma vez a ductilidade representativa daquele político: as palavras escorriam-lhe da boca e procurava não dar espaço à entrevistadora, apesar de alguns entrechoques sem duração e valor. Ele falava com uma «bondade» explícita, parecendo contrariar muitos pontos de leitura que Judite de Sousa teria encontrado no livro, entretanto sem reflexo no discurso televisivo que Santana lhe debitava.Há qualquer coisa em Santana Lopes, penso eu, que lhe trava, desvia ou adoça as qualidades de político. Claro que ele conserva uma formação mediática que vem de longe: basta ver o que aconteceu agora (e ele quase se limitou a reaparecer) com a roda vivia em torno do livro, a rápida convocatória para uma entrevista de primeiro plano, em prime time, e a concentração de comentadores nos jornais e nas rádios. E será esta figura, feita nas bancas do pós 25 de Abril, na deriva partidária, no rápido acesso a importantes personalidades, nos corredores e mentideros da Assembleia da República, tão decisiva e gigantesca assim? Servirá o livro apenas (ou sobretudo) para que a sua memória futura, entre a família e os estudiosos isentos, fique transparente, pronta a iluminar a cabeça dos filhos e futuros netos?

Vejamos alguns excertos dos comentários jornalísticos em cima do acontecimento consagrado pelo livro e os dedinhos do autor já dedilhando o futuro (que para ele é o passado). A selecção seginte baseia-se numa outra, a partir da Quadratura do Círculo,
por Francisco Sena Santos, «Diário de Notícias» 16.11.2006:

O centro do livro é uma tese conspirativa: a de que tudo o que aconteceu a Pedro Santana Lopes deve-se à actuação de três pessoas que actuaram concertadamente com o objectivo de derrubar o Governo, afastar PSL da vida política e criar condições para o que temos hoje, Cavaco Silva em Belém e José Sócrates em S.Bento. Essas três pessoas são Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa e Jorge Sampaio (junta-lhes Carmona Rodrigues. É uma tese conspirativa sem fundamento e o que escreve nada acrescenta. (Pacheco Pereira)

O livro de Santana Lopes aviva-nos a memória para um facto indesmentível, o de que todos os que agora, dentro do PSD, diaolizam os erros e desgraças trazidas PSL, naquele tempo eram (com a rara excepção de Pacheco Pereira) seus apoiantes e muitos foram por ele nomeados. (Jorge Coelho)

Durante a entrevista, Santa Lopes, demarcou-se de tudo o que se dissera durante a tarde - a clara dedução de que Durão Barroso preparara a sua saída antecipadamente e pressionou Santana no sentido de o substituir. Lobo Xavier, no programa acima referido, também se referiu a isso: O que Santana Lopes conta sobre Durão Barroso é algo que hoje já não é novidade. Sabe-se que Durão Barroso, durante muito tempo, friamente, preparou a saída do Governo para saltar para a Comissão Europeia.

O falhado governo de Santana, e as convulsões assíduas que nele eclodiam e não valiam nada, tudo isso vai sendo esbatido. A entrevista de ontem, em que o livro não é analisada nem posto em causa, nem no menor capricho, será a porta luminosa capaz de contribuir para os não muito distantes reaparecimentos políticos de Santana, ancorado nos portos de ocasião mais favoráveis. É verdade que não falava muito quando aparecia a debater futebol na televisão. Mas nos Congressos e outras ocasiões propícias, o amante da política voltará a desconfirmar, como acabou por fazer ontem, que nunca mais dirá nunca.


domingo, novembro 12, 2006

APÓS O RETORNO COMPLETO DO BIGBANG




Blockhaus

EM BUSCA DAS MARCAS PRINCIPAIS


Durante a nossa vida, no longo percurso dos dias e dos anos, somos tentados a procurar uma relação próxima, sensível e explicável, com as coisas. Mas, no fundo, a realidade que nos envolve é muito mais complexa do que parece na deriva pelo tempo: os velhos vão sentindo que já não procuram as pequenas coisas e sentem o peso da espera, o dia da morte, essa noite inexplicável que torna a própria actividade profissional um sonho breve. Então os velhos limitam-se ao jardim do bairro, vendo os pombos desfocados batendo desfocadamente as asas - e, conforme a situação ou a temperatura, abotoam e desabotoam os botões do casaco.

Há qualquer coisa nas minhas memórias que talvez tenha a ver com esse quadro do corpo e do tempo: a pedra preciosa de um brinco da minha companheira tombou para a carpete e tornou-se invisível. Começámos a esgaravatar aquele universo obscuro e a certa altura julguei haver encontrado a pedra. Cá cima, à luz plena, a pedra não passava de um pequeno fragmento de pão seco. Nem jóia, nem sinal de Deus, nem anunciação da morte.

Com as fotografias de que dispomos nesta brevíssima reflexão vemos dedos impróprios para tocarem o início do infinito. Até a própria ideia de deus apenas espreita, como palavra, no canto de uma revista que foi temporariamente afastada do seu lugar a fim de que o pão seco nos adie a espera.






quinta-feira, novembro 09, 2006

A MEDÍOCRE FALA COMO CULTURA POPULAR

Os protagonistas da tertúlia cor-de-rosa, línguas sujas.
Sujas? São rosas, Senhor, são rosas para distribir pelo povo.
A mãe da Ruth Marlene é um bocado castradora. (Cláudio Ramos). Se Cristiano Ronaldo não tivesse o dinheiro que tem, ninguém olhava para ele. (Maya) Já li uma mensagem de Mário Esteves onde ele dá erros ortográficos gravíssimos. (Valentina Torres) O rabo do Gonçalo Dinis é muito bonito. (Florbela Queirós) Ricardo Pereira deve ter uma fila enorme de candidaturas para ocupar o coração livre. (João Malheiro) Ricardo Pereira deve ser o símbolo da Portugalidade.(Maya) Eu também tenho um ADN kármico e o meu calha sempre para a Elsa Raposo. (Nuno Eiró).

quinta-feira, novembro 02, 2006

DESCONSTRUÇÃO/RECONSTRUÇÃO


Esta composição releva de um trabalho lúdico-criativo a partir do excelente cartaz da exposição de abertura da Ellipse FUNDATION 2006

quarta-feira, novembro 01, 2006





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CONSTRUPINTAR02

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