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segunda-feira, janeiro 11, 2010

FORMAS DE VER E VENCER A BATALHA DA VIDA

Daniela Ruah

O meu interesse pelas novas gerações de actores passa por remotas experiências que fiz no teatro, mais tarde no aprofundamento da linguagem do cinema e nas técnicas de trabalho da telenovela, onde estudei o comportamento e o talento de alguns actores. Daniela Ruah tinha o meu apreço. E foi com muita admiração que segui o seu recente trajecto em Londres e nos Estados Unidas da América. Há em tudo uma grande capacidade de aventura, trabalho responsável, estudo e pragmatismo. Ela fala de ter seguido um sonho, mas os dados que nos revela, incluindo o «contrato» com os pais e o sentido de estratégia contribuem para sublinhar as formas de afirmação destes e de outros portugueses. Daniela preparou-se arduamente para sair do país, aprender na sua área, informando-se previamente de como passar as barreiras travadas no tempo. Ela insiste na estratégia e na definição de objectivos. Esforço e objectividade podem beneficiar, bem entendido, do factor sorte. Em relação à adaptação a um meio diferente, muito competitivo e dinâmico, a actriz não apouca o trabalho, em Portugal, nas novelas, campo onde se faz um treino próprio para a representação e ritmos de resposta. Em entrevista que concedeu à revista ÚNICA, salienta, entretanto, que nos Estados Unidos e no que importa à representação, não há trabalho mais exigente, quer nos horários, quer quanto à quantidade de cenas a gravar por dia. Em Portugal, chega-se a fazer 35 cenas. Na produção em que se encontra a trabalhar agora, Danuela Ruah actua apenas em cinco cenas, para 12 horas de gravação, ritmo que se assemelha mais ao do cinema, com mais atenção ao detalhe. No trabalho actual, a actriz tem um papel de inspectora (policial) e é curioso saber como adquire formação específica, tendo boas condições de agilidade e rápida adaptação ao uso de armas, às técnicas de visar alvos e de disparar. Quando preparava a sua ideia de trabalhar nos Estados Unidos da América, entregou-se por inteiro, durante dois anos, a um curso em Londres. Integrar-se numa nova cultura é bem complicado. Parte-se do princípio de que se conhece o essencial de um país, ou mesmo bem, mas isso só acontece se se viver nesse país, sujeitando-se às regras e pressões do meio. Quando foi para Nova Iorque sentiu que o tempo e os contactos com outros colegas haviam feito a diferença, percebeu que se encontrava mais aberta e fala mesmo de bem estar psicológico. O sistema de agentes e agências funciona, há muito trabalho, e um agente é mesmo indispensável para começar. Daniela é agora representada pela Gersh, uma das maiores agências de actores da América. Apesar de tudo, teve que cavar o chão à sua frente, apresentar sites da área e até colaborar em clipes, partilhar currículos, conseguir resultados na head Shot (foto de rosto), o que entra frequentemente em situações de casting. Um aspecto de que ela nos fala e mostra as diversas vertentes destes contextos de busca e aperfeiçoamento, refere-se à participação, sem remuneração, em pequenos filmes de colegas, entrar também nas sessões de leitura de argumentos cinematográficos. Num desses contactos, um director de casting acabou por, mais tarde, a lembrar e pedir a via de contacto através de Gresh. Daniela foi parar a uma produção de Geoge Lucas. Esta aventura reveste-se de factos e passos ganhos que a actriz venceu na medida em que percebera até que ponto interessa observar regras, oportunidades, tendo uma boa relação com as dinâmicas do meio. E a sua onda de entusiasmo leva-a a contar o trabalho com Linda Hunt, estar ali com aqueles actores de igual para igual. Daniel Ruah foi também questionada sobre a sua origem judia, a forma como vive com essa realidade, religião, aspectos, a siatuação actual. E conta coisas importantes de uma passagem por Israel, em casa de familiares, bem como a estranheza de um povo que vive plenamente a vida mas não se desliga do medo, da violência inesperada, de como encaram o presente e o futuro. Numa simples fala intercalada em muitas outras, e a este respeito, Daniela comenta: «Entristece-me profundamente não ver como se possa dialogar com uma formação radical e terrorista como o Hamas, que tem por único objectivo aniquilar Israel. De resto, o maior objectivo deles é mesmo o de ocupar o mundo.

Dados, citações e referências da entrevista concedida à revis única,
Bernardo Mendonça e Raquel Albuquerque

segunda-feira, agosto 06, 2007

UM DOLOROSO ERRO DE CASTING


Margarida Vila Nova, jovem actriz de grande talento, hábil a utilizar o estudo que faz sobre as personagens, tanto na televisão como o teatro e no cinema, aceitou interpretar o papel de uma personagem baseada na ex-companheira de Pinto da Costa, a autora do livro bibliográfico Eu, Carolina. Carolina, de súbito personalidade do jet set do mundo do futebol, passou também e exibir o estatuto de vedeta reveladora das situações e quadro moral desse mundo, do presidente do Futebol Clube do Porto em particular. O livro não tem perfil literário de qualquer nível assinalável, mas, dada a especial cultura que os portugueses se habituram a linguajar, por falta de alimento verdadeiro, alcançou várias edições e tem sido alimento de muita casa alfacinha.
Por estranho que pareça, ou pelas razões da conquista popular, João Botelho, realizador de cinema, resolveu fazer um filme baseado naquele «romance» eticamente duvidoso. Sustentado rapidamente pelo nome de Margarida para interpretar a inenarrável Carolina, papel que aceitou e que estudou, com o profissionalismo de sempre, as vozes do burgo cruzaram-se de entusiasmo e desdém. Nada de importante, valha a verdade. Mas o realizador amenizou, desde logo, as razões de iras várias, dizendo que o filme não ilustrava nem a vida nem as contradições daquele casal, passando um pouco ao largo do livro e escavando algumas peripécias meramente ficcionistas, embora impulsionadas pelo fenómeno editorial já referido. Quando soube da aceitação do trabalho pela Margarida, uma sombra indecisa poassou pelo belo rosto da actriz. Mas compreendi a sua possibilidade de defesa, justamente no domínio do enquadramento estri-tamente profissional, inclusive como desafio aos seus méritos. Mas, por muito que pintem aquele rosto jovem, por muito que o vistam com a roupa da outra, por muito até que o desempenho da actriz seja notável (o que não é difícil imaginar) a sua escolha continuará a ser, do meu ponto de vista, um erro de casting. Há valores, raridades, sonhos até, que não são susceptíveis de apertar numa caixa pequena, envernizada para um contexto pouco credível, apesar dos méritos do realizador.

terça-feira, maio 15, 2012

JÁ VIMOS ESTAS CARAS EM QUALQUER PARTE


A televisão é um dos meios de comunicação social grandemente favorecido pela tecnologia e com os recursos mais diversos, nomeadamente os que podem servir a cultura, a educação, a informação, o avanço crítico sobre os homens e o mundo. 
 
Infelizmente, massificada para além dos limites, só sobrevive com grandes fatias de tempo ocupado por publicidade tóxica e programas ditos recreativos, numa alucinada concorrência entre canais e com o maior despudor e tudo fazer para alienar e «comprar» o espectador.

A TVI é a pecadora maior mas com alguns casos de boa escolha, casos de acaso, sobretudo, e em geral para o fundo da noite, quando o país, mesmo desocupado, dorme pelos mais diversos motivos. 


Este canal implementou recentemente um programa musical com alguma ambição, no qual são convidados cantores e actores-cantores a imitarem significativos vultos do canto não clássico. Premindo uma maquineta de feira, correm retratos de «celebridades» e sai sem bónus o que quer que seja, mulher ou homem para imitação (por vezes) de homens por mulheres ou vice-versa. O resultado tem sido por vezes fabuloso. Mas os apresentadores, Goucha e Cristina Reis, resvalando para o mais popularucho que há em televisão, desarrumam uma coisa que pode ser séria e recreativa, em vez de atravessada pelo desrespeito do júri quando fala, acentuando a chacota e números improvisados do senhor Goucha, impertinentes e fora da linha de nível a que deveria ter-se regido o casting. Uma falsa concepção da boa disposição implica muito estudo e sabedoria nas nuances. Cristina deveria fazer uma boa «fisioterapia» da voz e o senhor Goucha colocar uma banda gástrica no Ego. Boa nota para as prestações de avaliação de António Sala e Jardim. 
Os outros membros do juri podem brincar melhor nas telenovelas, onde toda a concepção é cada vez pior, embora tenhamos actores cada vez melhores. E cuidado: a quantidade não faz a qualidade. 
Há muita gente com saudades de ti, Mário Castrim.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

VIDA IMPÚDICA E PÚDICA DO DITADOR SALAZAR



Olhamos para a figura severa, num palácio nocturno, e reconhecemos logo a figura do homem que governou Portugal durante 48 anos, em ditadura, o povo amordaçado, rédea curta, polícia política nas esquinas do nosso descontentamento. Não era figura com quem se brincasse e toda a gente acreditava no seu viver solitário, mandando em tudo do centro da sua casa de S. Bento, a polícia e os ministros. Uma governanta de cutelo servia-o e e ajudava-o na disciplina destinada aos agentes da PIDE que tratavam da segurança do forte de S. Julião da Bara, onde gostava de passar as suas férias, ver a horta caseira, fazer a sexta e ler. Muitos falavam de uma grande paixão que o acometera nos tempos de Coimbra, coisa que derrapou, assim ficando tão só como disse Christine Garnier, na sua visita longa e seu amor tardio. Quando ela partiu (estava a escrever um livro, «Férias com Salazar»), o carro rolou devagar e ele ficou a acenar da porta. Ela escreve isso mesmo. E terminou com o célebre período de uma palvra apenas: «Só»
Ora acontece que, depois de ensaios televisivos mais ou menos históricos, de época, o último dos quais tem sido o EQUADOR, escrita imprópria para a oralidade, trechos secos e pequenos, os actores como gente do teatro amador, debitando pouco e movendo-se como se houvesse um risco no chão, a SIC enfia-nos pela garganta uma inacreditável «Vida Privada de Salazar», coisa sem sentido nem verdade, pior que todos os filmes feitos sobre o milagre de Fátima. A produção, no Equador, apostou no cenário. Grandezas. O director cortou aos actores todas as deixas e a fluência dos racords. É teatro e teatro a mais. No caso de Salazar é mais ficção do que outra coisa, com um actor (que conhecemos do seu mérito nas novelas) mas que, através da sua juventude carregada da lama na pele, sem nada de parecido com Salazar, sopra o que pode para alguns comparsas conhecidos, atura a D. Maria, mas desde cedo caiem-lhe no colo mulheres lindíssimas, em actos de amores perdidos, ele bem vestido, beijando como um galã tímido. Meus senhores, que diabo de coisa é esta? Como é que se faz um trabalho que fica a milhas do já discutível Amália?


Na hora da morte, que deixou de começar com a queda de uma cadeira «preguiçosa», sendo substituída por um tempo meio omisso da queda na banheira, o homem que está na água, e quando nos calha ver um raro grande plano da personagem, não é nem o actor nem o Salazar: é a máscara de Marlon Brando, sem tirar nem pôr, rosto que Copola apadrinharia com todo o gosto.











Irene Pimentel, uma historiadora credível, arrasa a série sobre Salazar. E seguimo-la no jornal «Diário de Notícias». Segundo o que diz, só o diálogo com o futuro Cardeal Cerejeira e a proibição da família Perestrelo que, por razão de classe, impede o relacionamento entre o jovem Salazar e a filha Julinha, têm rigor histórico. Esta é a opinião da historiadora Irene Pimentel sobre a estreia, no domingo, da miní série da SIC «A Vida Privada de Salazar». São dela as seguintes palavras: «Achei a série altamente especulativa. Duvido muito que muitas das histórias contadas se tenham passado de facto» Irene Pimentel afasta-se da condição de crítica de televisão. Mas a verdade é que aquilo não se trata de televisão, nem de cinema, é um subproduto que chega a envergonhar algumas das novelas que já somos capazes de fazer (repare-se em «Olhos nos Olhos»), descontando a piroseira infecciosa dos roteiros, histórias impensáveis, arrastadas, próprias para uma forte punição e despedimento com justa causa. Salazar não é Salazar, mesmo que fosse capaz de rebolar na cama com mulheres tão estereotipadas. O actor está sempre a dar tiros no pé. Não digo que ele tivesse de ser a máscara de Salazar. Mas poderia sugerir. E, ainda por cima, é um jovem talentoso a pisar a casca de banana, que investigou fontes obscuras do ditador e não sabe nada daquele Portugal, aliás bem ausente da composição de interiores e exteriores.








Irene Pimentel considera que os «diálogos são pouco ricos». Não são diálogos, argumentamos nós. E de facto as figuras de 1905 não falavam assim, não se vestiam assim, não se movimentavam assim.
Esta ímpia apresentação, cena após cena, tem uma forma (mesmo na inexorável patetice dos momentos) inadequada a contextos e tempos. De resto, como o sotaque lisboeta das meninas da Beira, ao menos em honra da figura do impúdico Presidente do Conselho e sua voz desde cedo esganiçada - «a Nação não se discute e a Pátria nao está à venda».
Salazar não morreu de forma trágica como o filme sugere, um «padrinho», pesado e nu, a ser escorregadiamente amparado pela governanta e uma criada. Os jornais foram comedidos e alguns (censurados) tentaram descrever a queda da cadeira numa jeito algo ridicularizado, em contraste com a pose de Estado que Salazar assumia nas poucas vezes que aparecia em público. Depois vêm os incautos tapar-nos os olhos com a peneira, porque nem uma obra destas o Presidente do Conselho merecia, o homem que fez as guerras coloniais e transigiu com os males (e mal entendidos) da polícia política. Nuno Santos, director de programas da SIC não quer perceber que a aventurazinha desta vida de Salazar, além de ficcionada até ao ridículo, só passa por um rol insensato de relacionamentos do político com mulheres (assim?), «sem qualquer contextualização histórica, sem nenhuma ideia da importância política do António Salazar no século XX português. Tudo é desleixado e alguns actores, que representam gente que existiu, são, como a própriia figura deste Presidente do Conselho, ensurdecedores erros de casting.




Jorge Queiroga, realizador da série, classificou os resultados alcançados como «excelentes». É inconcebível. É assim, que gente assim, em nome de audiências opacas, prestam serviços ao país, actos redutores e cada vez menos classificáveis. O pobre actor que teve de fazer esta cena na banheira, parece-se muito mais com Marlon Brando do que com Salazar. Este recorte da cena, reinventado aqui e partindo da imagem do filme, mostra à saciedade o trabalho patético assim desenvolvido. O duvidoso «Primeiro Português de Sempre» (do concurso televisivo) recebeu de Queiroga esta púdica e impúdica homenagem.