parte de uma fotografia deRodrigo da Silvadomingo, outubro 08, 2006
A CONSOLIDAÇÃO DO MAU GOSTO
parte de uma fotografia deRodrigo da Silvaquarta-feira, outubro 04, 2006
O GOSTO DO PÚBLICO É QUEM MAIS ORDENA
Se responder correctamente à pergunta seguinte poderá receber um prémio no valor de 200 euros. Que pergunta? Se estiver em Lisboa deve nomear o monumento onde se encontra a pedra mais degradada a partir de 1325. É impossível? Nenhum prémio é fácil, mas qualquer prémio, por lei, tem de estar dentro dos limites considerados possíveis, à luz da ciência actual. Não queria naturalmente que lhe perguntássemos os nomes dos jogadores do Benfica, ou do Sporting, ou do Porto. Porquê? Porque os sabe todos. Pode, em todo o caso, optar pela música, citando a obra completa de Beethoven, ou enviando-nos os títulos por e-mail até às 19 horas de hoje. O quê? Faltam vinte minutos? E então, queria que lhe pedíssemos para nos dizer o nome de um intérprete da música pimba portuguesa? Claro, é isso mesmo, precisava apenas de dois minutos para escolher e para enviar nome. Era excessivo facilitismo. E as bandas? As Bandas de todos os cantos do mundo? Incluiria essa informação mo capítulo da música? E sabe o nome das bandas de grande espectáculo do mundo inteiro? Mais ou menos não é resposta. E Portugal? Em Portugal conhece todas - isso sim, é obra. Ah, pois, mas tinha de dispor de mais tempo para as escrever sem falhas. Então nada feito. Nada. Nada mesmo. Em todo o caso, um pouco à margem, vamos dar-lhe a oportunidade de concorrer no domínio da literatura. Como? Não costuma ler muito? Mesmo assim, a pergunta é fácil: terá apenas de nos dizer quem é que escreveu «Amnésia», de 1962, e o nome do prémo Nobel desse ano nessa modalidade. Não se lembra? É uma situação comum entre nós, lá isso é verdade. Mas sabe quem meteu o golo do Benfica no início da temporada e qual o presidente desse mesmo clube. Claro? Acha que sim? Olhe que há muita gente que seria incapaz de tamanha proeza, embora conhecendo, noutro capítulo, um desportista português que se chama Carlos Lopes, por exemplo. Já não é praticante de desporto? Está gordo? E a Teresa Mota, diz-lhe alguma coisa? Calculava que lhe dissesse. O quê? Está velha e magra, dedica-se à caridade, já não pode competir. Nem a história lhe vale, coitada. Vejo como a sua cultura borbulha um pouco nesta área. Mudando de assunto, saberá então quantos anos tem José Saramago e quem escreveu «Alegria Breve», ou se Agustina Bessa Luis conhece Manuel de Oliveira, se a Maria João Pires toca clarinete, ou também se Columbano foi companheiro de Júlio Pomar e quem é José Quaresma, e ainda a quem pertencia, depois da conquista do Algarve aos Mouros, a praça de Alvor? E o primeiro rei de Portugal, lembra-se do nome? Muito bem, acertou. O Conde Andeiro, sin senhor. João Fernandes Andeiro, de seu nome completo. O senhor tinha o nome na ponta da língua, mesmo na ponta. E olhe: embora a título excepcional, visto que o nosso plano não era este, decidimos que tem direito de levantar junto do Marquês de Pombal uma varinha mágica, de boa marca, se se apresentar à nossa representação dentro de dois minutos e desde que seja possuidor do cartão de sócio, com as quotas em dia, do Silves Futebol Clube. Sabendo o nome completo do Marquês de Pombal, obviamente. domingo, outubro 01, 2006
A DOLOROSA PERPLEXIDADE DA GATA
sexta-feira, setembro 22, 2006
AS PALAVRAS DIZEM AS COISAS

ESBOÇO PARA UMA POESIA INICIAL

quinta-feira, setembro 21, 2006
ESBOÇO PARA UMA POESIA INICIAL
segunda-feira, setembro 18, 2006
COMPRAZIMENTO DO VER

Margarida Cepêda: «Efêmero e Permanente»AS VOZES ENGANADORAS OU A RELIGIÃO DA MENTIRA
Öyvind Fahlströmdomingo, setembro 17, 2006
AS DIFÍCEIS ESPERANÇAS DO «SOL»

sexta-feira, setembro 15, 2006
UM HOMEM DE REFERÊNCIA, HOMENAGEM NO LIMITE

quinta-feira, setembro 07, 2006
terça-feira, setembro 05, 2006
A MÃO DE FERRO


Percebi tarde o desamparo
de haver esquecido em casa
esse entrave,
segredo para cada retorno
ao esconderijo
de todas as urgências.
que substitui a mão de ferro
e o seu batimento
por cada volta de quem chega
ao lugar multiplicável,
entre o sofá e a sua negação.
Eu sabia o que significa
ficar preso na rua,
sob a luz crua,
impedido sem prazo
de refazer o esconderijo
onde inventamos
o encantamento
de quando nos entregamos,
descalçando os sapatos,
ao prazer morno da lassidão
e às memórias
de todas as histórias inteiramente lá fora.
Cá fora estou,
horas a fio, enfim,
que o dia levou tempo para o entardecer
a fim da noite tecer
e as luzes dos outros tardiamente,
pobre gente em todo o caso chegando a casa,
contempoprânea da última viagem
do último eléctrico rangente, atroador e plangente.
Comecei então a atravessar a cidade com o fim de alcançar a casa de meu avô.
Uma noite de sono em caridade.
A mão de ferro da porta dele é velha, pintada de prata e ainda grata no seu bater já espalmado, de lata.
E agora a mão de carne empurra o ferro da mão prateada, quase sem tinta e amolgada,
barulho inquietante, parece enorne no silêncio restante.
Se o avô morreu não sei, nem sei se o levaram para qualquer outro lugar ou fim.
Sei, isso sim, que me tornei de súbito vagabundo, neste compacto cimento do mundo.
Sem-abrigo, impensavelmente antigo, enrolado sob a mão de ferro pendurada:
Espécie de vida amargurada
e os meus olhos a sangrar mais tarde já no emergir da madrugada.
quinta-feira, agosto 31, 2006
ESBOÇO DE UMA AGONIA

O calor em volta, passos breves na areia, a lua vai nascer. Há um planeta além que serve de bússola aos pescadores. Daqui a pouco, o mar à direita, começam a aparecer vultos na sombra, trabalhadores da candeia, e com eles vem a ilusão de que se acentua o batimento repetitivo das ondas baixas na orla do mundo. Hoje, com a temperatura morna da noite, vou dormir além, junto das rochas, atrás de uma pequena duna salpicada de juncos.
quinta-feira, agosto 24, 2006
AS CICATRIZES SEM ROSTO
terça-feira, agosto 22, 2006
TEMPO ENGANADOR DE FLORES E FRUTOS
quinta-feira, agosto 17, 2006
A FACE DO TEMPO OUTONAL
segunda-feira, agosto 14, 2006
O BRANCO LENTAMENTE
terça-feira, agosto 08, 2006
FUNDAÇÃO INFUNDADA
sábado, agosto 05, 2006
A CASA REVISITADA



Cheguei ontem e decidi ficar. Ficar assim, olhando os restos de quem fui, ou de quem foi por mim, entre palavras. Tenho a casa toda para esta disponibilidade porventura irreversível, com o rascunho da morte empilhado ali, num monte de papéis velhos, tinteiros, carimbos, canetas de aparo, postais já sem destinatário.
Alguém morreu no quarto ao lado, ficaram os objectos. Coisas, retratos, roupa escura, ou essas marcas enigmáticas nos calendários de cores desbotadas. Alguém morreu desse modo, um pequeno caos em volta, passos, eu chegando e partindo como se o futuro se atrasasse por cada viagem de novo. Mas o futuro chegou mais cedo, quando a casa se enchia do perfume da roseira, depois de inscrever quase súbitas rasuras no rosto de quem o esperara de outro modo. Chegou a esse rosto, à clara luz do sol, deixando-lhe estranhas assimetrias na boca, a voz soletrada, um fio finíssimo de saliva ao canto dos lábios. Assim, breve, contra a paisagem de cal.
Abertura do romance e Rocha de Sousa, A CASA REVISITADA, distribuído prla Dislivro e impresso na gráfica J&L. A obra divide-se em duas partes: 1 nostalgia dos anos intencionais. 2 reencontro no murmúrio das raizes.
quarta-feira, agosto 02, 2006
O HOMEM DA ILHA


quinta-feira, julho 27, 2006
OS DESASTRES PRINCIPAIS
sexta-feira, julho 21, 2006
A CULPA DE DEUS

sexta-feira, julho 14, 2006
A MEMÓRIA DOS LIVROS

Lembram-se daquele famoso livro de Bradbury sobre a morte dos livros, levado ao cinema por Truffaut, a história de uma sociedade futura onde os bombeiros não se destinavam propriamente a apagar fogos mas antes, e ao contrário, a procurar o maior número possível de publicaçõess, queimando-as em praça pública com lança chamas. Pragmático, Truffaut narrava esta monstruosidade quotidiana de forma rigorosa e sucinta, como a coisa mais natural deste mundo. Pensamos em «1984», de Orwell, o mundo globalizado na mais vigiada das ditaduras, na qual a «máquina» da repressão era conhecida por Big Brother. Em Bradbury, ou no filme de Truffaut, a realidade repressiva, a castração cultural pela queima inquisitorial dos livros, todos os livros, tocava sobretudo os cidadãos que sabiam os perigos que corriam se lessem um livro, ou se os tivessem em casa. E todos os que os que não se conformassem com tal amarração silenciosa, como sempre acontece, ou se resignavam ou resistiam. E a palavra de ordem (secreta) era resistir. Resistir consistia primeiro em fazer um esforço para esconder muitas obras em casa, frequentemente descobertas pelos bombeiros-polícias e queimadas. Para além disso, muitos cidadãos procuravam um exílio nas montanhas, nas florestas, e aí os intérpretes dessa atitude passeavan de um lado para o outro, decorando os livros, ou dizendo-os em voz alta, ou ensinando-os aos mais novos. Formava-se assim uma biblioteca universal oralizada de geração para geração. A civilização humana, e com toda ela a sua identidade cultural, acabaria por sobreviver contra as mais sofisticadas tecnologias de apagar o seu verdadeiro rosto, apagando-o do conhecimento das pessoas.
terça-feira, julho 11, 2006
UMA GUERRA ESQUECIDA
pintura a de Rocha de Sousa: «Acto Irreal» sobre a guerra colonial, salvamento de uma criança, indeterminação dinâmica da corrida, um ser arrancado aos tirossegunda-feira, julho 10, 2006
O MEIO E O MODO

fig1 fig 2
quinta-feira, julho 06, 2006
continuação da postagem anterior
cenário interior
TERCEIRO EPISÓDIO
fornatação e sentido
quarta-feira, julho 05, 2006
continuação da postagem anterior


a exploração do grande plano com
forte aproximação expressiva
SEGUNDO EPISÓDIO
linguagem e identidade
O vocabulário qualificativo usado e desenvolvido na área da linguística estendeu-se, não por culpa dos seus cultores, a um significativo número de campos artísticos, o que lhes conferiu estatuto científico, mais afinidade entre os diversos modos de formar, do desenho ao cinema, da pintura à televisão. Passou a ser usual falar-se de linguagem gráfica ou de discurso pitórico. Sendo certo que esta adopção de terminologias se usou noutros tempos e com menos rigor, a verdade é que ela cria pontes funcionais entre disciplinas, entre meios de expressão cuja nomenclatura tem outro intuito. O que parece certo é que esta trasladação linguística acaba com frequência por desaguar num oceano poluído, onde podemos a todo o momento encalhar em coisas estranhos vogando nas águas. A contingência destas permutas e pequenos desastres (uma espécie de globalização nas designações do mundo das artes) parece irreversível, e é bom dizer que, salvo casos patéticos, as escolhas daqui derivadas, bem como as suas aplicações, não tornaram redutoras nem a essência de cada campo nem a sua legibilidade analítica.
A PROPÓSITO DA TELENOVELA

PRIMEIRO EPISÓDIO
caracterização do meio e novelística
segunda-feira, julho 03, 2006
recado do autor











