sábado, fevereiro 02, 2008
O HOLOCAUSTO NUNCA ACONTECEU
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
CARNAVAL E HOLOCAUSTO
quarta-feira, janeiro 30, 2008
O HORROR DO NOSSO DESCONTENTAMENTO
fotograma de uma violenta batalha da polícia de São Petersburgo, segundo cidade da Rússia, ao procurar travar manifestantes da oposição durante uma forma colectiva de protesto. (Alexander Demianchek)
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Estes documentos foram divulados pela agência Reuters
domingo, janeiro 27, 2008
OS MALES DO EIXO PORTUGUESMENTE

de uma obra de Ângelo de Sousasegunda-feira, janeiro 21, 2008
UMA CERTA IDEIA DO BELO
quinta-feira, janeiro 17, 2008
MEIA LUZ AO FUNDO DO TÚNEL
domingo, janeiro 13, 2008
FUMOS DE UMA AUSÊNCIA PEDAGÓGICA

sexta-feira, janeiro 11, 2008
O TUFÃO DA BARBARIDADE
Nairobi, lugar de todos os horrores. Noirobi, símbolo tardio de uma derrocada de sonhos, morte anunciada, segundo os mais cépticos, do próprio continente africano. Num tribalismo da dilaceração e da irracionalkidade, Luos e Kikuyos destruiram a este ponto muitas favelas da cidade, provocando a alucinada fuga dos turistas. Um tufão da barbaridade, o resultado da sua passagem deixou atrás de si um arrasamento completo de lugares precários de habitação, aliás como noutras cidades que foram submersas numa vaga de terror e caos. A ferocidade do confronto tribal legitimou toda a espécie de armas, com tradução em brutais actos de violação de crianças, raparigas, mulheres Kikuyos; o afrontamento fou completado pela morte e centenas de pessoas, embora muitas tenham sido socorridas ns hospitais, sobrevivendo precariamente. Apesar de tudo, a pressão internacional levou Kibaki a anunciar que aceitaria um governo de salbação nacional, paradoxo das maiores impossibilidades, aliás saída que Odinga rejeitou, não por razões superiores, mas por considerar que o Presidente foi ilegalmente eleito.
A PEDRA, LUGAR DE AFECTOS
terça-feira, janeiro 08, 2008
NÉVOAS NA RELAÇÃO ENTRE PALAVRAS E SEXO
Quem diria que estes depoimentos foram produzidos por escritores, independentemente do seu êxito mediático ou editorial? Tudo isto é vago, é névoa, é escapatória. Ou talvez apenas falta de criatividade e de ideias. Sousa Tavares, pessoa que admiro enquanto jornalista, comentador e escritor, derrapa onde não poderia derrapar: que «a língua portuguesa não facilita». Com efeito, é tudo menos o que se esperava da imensa riqueza da língua portuguesa, das alternativas que fornece para o tratamento narrativo ou especulativo de uma sequência implicando, mais ou menos directamente, o sexo. Para descrever o peito de uma mulher, o que faltará a Sousa Tavares? E quem se sujeita, enquanto artista da palavra, a descrever apenas seja o que for?
José Rodrigues diz que em arte não há regras, que ela é inerentemente subjectiva. Podemos inferir que ele deixa a questão ao arbítreo do leitor, o que não é de todo desinteressante, defendendo-se com a chamada subjectividade da arte. Um quadro ou um livro são objectos de civilização, denotam caminhos mais ou menos abertos. A relação da palavra com o sexo é para ser assumida sem escapatórias, nem por inexistência de regras, nem por muralhas de subjectividade. Henry Miller dizia o que dizia e há dias morreu um escritor português a quem a realidade sexual da sua própia condição abria fendas nas defesas cravadas a fogo, pela Inquisição, no inconsciente clectivo. Para além disso, as alternativas não faltam, sobretudo em português.
Margarida Rebelo Pinto diz que pode ser crua mas que nunca tem medo das palavras. Aceita cair em coisas vulgares porque acho que não vou lá parar. Aqui está um caso, assaz conhecido, e onde os lugares comuns abundam, segundo certos leitores. Ter medo das palavras não é defeito, usá-las mal, sim. Esta escritora tem compromissos legíveis com o seu público, mas quanto mais complexa é a relação da palavra com o real, mais liberdade, criatividade e rigor tem o artista de usar. Em geral, a aproximação literária da realidade sexual, da sua expressão, da sua visibilidade, é feita com as regras do autor, com a violência ou a brandura do seu discurso, mas não em termos que empurrem para debaixo do tapete o lixo das suas dificuldades, das suas vulgaridades.
Francisco José Viegas, na sua frontalidade, mostrando-se desinibido, acaba por fornecer uma opinião legível e não esquiva. Por mim, não diria que «se fode mal na literatura portuguesa». E o medo nada teria a ver com a palavra. É que, numa língua onde o brejeiro e o trágico tiveram intérpretes superiores, a afirmação de Viegas é falaciosa. Pode falar-se em pudor e escassez de situações como as indicadas, mas a escassez não é fraqueza, é medida, é ritmo, sobretudo quando associada a um pudor criativo na dádiva e na entrega, nunca o que as forças religiosas inculcaram nos adolescentes, ainda há pouco tempo no tempo e apesar da pedofilia tratada eufemisticamente como abuso, em vez e sim como revelação da condição humana.
Frederico Lourenco não quer cair na obscenidade, na pornografia. «Se escrevo sobre sexo, diz ele, refugio-me na conceptualização». Ora aqui temos um comportamento bem da inteligência portuguesa: refugiar-se, conceptualizar. Se não há tradição na literatura lusitana a propósito da temática do sexo, é porque vivemos todos, durante muito tempo, castrados pela censura a todos os níveis e por obediências académicas afinal obscenas.
Talvez seja oportuno citar, para nós, o afrontamento de Christopher Hitchens a propósito das razões a montante daquelas indecisões de expressão: «Sabe-se agora com segurança que a ligação entre a saúde física e a saúde mental está fortemente ligada à função, ou disfunção, sexual. Será, então, coincidência que todas as religiões reivindiquem o direito a legislar em questões de sexo? Os crentes sempre reivindicaram o monopólio neste âmbito para imporem restrições a si mesmos, uns aos outros e aos não crentes. (...) Violenta, irracional, intolerante, aliada ao racismo e ao fanatismo, investida de ignorância hostil ao livre exame, desdenhosa das mulheres e coerciva com as crianças: a religião organizada devia ter muito a pesar-lhe na consciência.» É boa altura para perguntar como se descreve a hipocrisia das velaturas castrantes e obscuras lançadas pelos vários poderes sobre tantos escritores portugueses contemporâneos.
segunda-feira, janeiro 07, 2008
NA MORTE DE LUIZ PACHECO | 1925-2008
sábado, dezembro 29, 2007
A MORTE INESPERADA DO PINTOR MIGUEL D'ALTE
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quinta-feira, dezembro 27, 2007
A GUERRA DOS MUNDOS
terça-feira, dezembro 25, 2007
O IMAGINÁRIO DA ARQUITECTURA ATRAVÉS DA PINTURA
Em termos gerais, pelo modo de construir e compor, a pintura aqui presente, «Procissão de Veneza», de Nadir Afonso projecta com integral propriedade o clima coerente de toda a sua obra plástica autor, aquitecto por formação. Não foi intencional esta divulgação de uma peça entretanto integrada numa exposição do artista. Aproveitei essa mesma notícia e esta reprodução para reiterar publicamente aquilo que suponho ser a raiz arquitectónica das obras pictóricas do autor, mesmo as mais abstractas, contra o que ele teimava em afimar há anos - a certeza de que nada havia da sua formação prática, enquanto arquitecto, nas pinturas que realizava. Essa «filiação» nada o deminui, pelo contrário, e a verdade é que, abrindo espaços pequenos à bem sustentada ilusão de imensas construções urbanas, rasgadas em horizontais e oblíquas, pontuadas por planos verticais, dificilmente se pode negar a quase primeira percepção do espectador.
sexta-feira, dezembro 14, 2007
ARTISTAS PORTUGUESES CONTEMPORÂNEOS | Raúl Perez
segunda-feira, dezembro 10, 2007
A CIMEIRA DAS NOSSAS INCERTEZAS
Não é inocente esta abertura à notícia da Cimeira União Europeia-África que decorreu em Lisboa a partir do 6 de Dezembro de 2007 e reuniu grande número de Chefes de Estado, representantes e representações a corresponder, o melhor do aparelho político português, tudo isso numa importante operação de charme diplomático, de enorme aparato de segurança, incluindo, por outro lado, a resposta competente às exigências de algumas personalidades de hábitos inusitados: carros especiais, à prova de bala, carros dos próprios vsitantes, armação da tenda de Kadafi, com vista para o mar, na plataforma do forte S. Julião da Barra, alojamento garantido nos melhores 22 hotéis de Lisboa, instalações para os conzinheiros e outros «ajudantes» de toda esta multidão que manda no mundo, rodeada de pobreza na visão incerta do futuro, os poderosos que lavam as mãos para simbolizar a sua pureza de decisões, salpicando as imagens do horror antes de tomarem a toalha que alguém lhes estende na grave solicitude do momento.
Seja como for, Porugal, em termos convencionais e alguns «anexos», cumpriu com certo preciosismo este enorme encargo, procurando imprimir ao acontecimento (ao contrário do anterior, há sete anos) aquilo a que já se chama um «espírito novo». Os jornais insistem em apontar, como notas dissonantes, os casos do Sudão e do Zimbabwe, dada a forma gritantemente irregular das administrações em tais zonas. Mugabe, que destroçou o Zimababwe por razões difíceis de entender, esteve sob as objectivas, hirto e mudo até quase ao fim, altura em que apontou o dedo à Europa, ao neo-colonialismo, à necessidade de acabar com os fantasmas e tratar de uma colaboração recíproca, sem hipocrisia. Não estou a transcrever à letra mas penso que este velho guerrilheiro já não sabe distinguir a sua luta anterior com a integração moderna do seu país numa perspectiva actual, de prosperidade e novos contextos. Não é ele o único. Darfur foi abordado, essa inexplicável tragédia que se tem mantido pelo tempo fora, provocando duzentos mil mortos e três milhões de deslocados. Para não falar noutros casos, benignidades disfarçadas e alguns pontos positivos de ordenação dos meios e de mobilização das populações. De resto, as conquistas europeias, em termos civilizacionais, comportam o peso e o resto dos benefícios do tempo colonial, os seus impérios, e ainda hoje, quando alguns crimes das próprias guerras civis estão à beira de prescrever, muitos políticos e intelectuais da União fazem projectos em nome da culpa e da salvação do continente africano, agora em grande risco de perda. Difícil é explicar aos antigos «colonos», dos quais também se obtiveram empenhos decisivos no entendimento produtivo daquelas terras, que culpa terão (no caso de Angola, por exemplo) na eclosão de uma guerra civil de forte incumprimento dos acordos das forças enfim aceites pelos portugueses, gesto dos mais tirânicos que arrasou um país tão vasto, como noutros casos, e cujos conquistadores do poder lá estão, certamente pouco atentos aos valores da democracia e dos milhares de estropiados, muitos vítimas das minas que a cegueira dos beligerantes levou a espalhar sem cartografia por milhares de quilómetros quadrados.
Darfur é pior do que as pessoas imaginam, acentua Salih Mahmoud Osman. Ele trabalha em condições muito difíceis. E, tanto nessa zona, como na Somália e outros países bem conhecidos: os mortos no Uganda, a violência um pouco por toda a parte, em geral conduzida por homens que combateram contra o colonianismo e a libertação dos povos. Apesar das suas convicções, Franz Fanon reconheceu os riscos de extrair milhões de pessoas praticamente acabadas de viver na pré-história e colocá-las de súbito na inteira tarefa de assumir a contemporaneidade. Os conflitos, dizia, serão imprevisíveis.
Salih Osman recebe o Prémio Sakharov nesta semana e «acredita que a força de paz da ONU e da União Africana (26.000 soldados) estará no terreno nos próximos dois meses. Os problemas em torno desta operação só muito dificilmente se podem avaliar. Sem conhecer a estratégia pensada, o que sei é que para as infecções espalhadas pelo continente só teriam tratamento relativo (até porque o continente é rico e a riqueza está a ser compactada à margem das populações) com um milhão de agentes bem dirigidos, incluindo grupos sanitários, de agrono-mia, de administração, de formação a diversos níveis. O mundo poderia, entre outras acções sobre o ambiente, tomar esta enorme missão como um dos objectivos mais relevantes de sempre. Porque o crescimento avassalador e invasor (China, por exemplo) pode ser redireccionado a fim de criar riqueza civilizacional, não economiscista e globalizante. E de resto, a China, além de comerciar segundo regras apropriadas, poderia muito bem contribuir com elementos diversos para aquela «força» (utópica?) de salvação.
Se houvesse entretanto um deastre súbito, planetário, de origem cósmica, que fariam as Uniões e os países mais ricos, que fariam as empresas multi e transacionais, assim, diante de uma tragédia gerada em em bola de neve e portanto à escala do planeta? Que fariam todos em tempo relativamente curto? Um dia, as cimeiras podem ser convocadas com urgência e sem partilhas antecipadas, claramente hipócritas.





