quinta-feira, dezembro 27, 2007
A GUERRA DOS MUNDOS
terça-feira, dezembro 25, 2007
O IMAGINÁRIO DA ARQUITECTURA ATRAVÉS DA PINTURA
Em termos gerais, pelo modo de construir e compor, a pintura aqui presente, «Procissão de Veneza», de Nadir Afonso projecta com integral propriedade o clima coerente de toda a sua obra plástica autor, aquitecto por formação. Não foi intencional esta divulgação de uma peça entretanto integrada numa exposição do artista. Aproveitei essa mesma notícia e esta reprodução para reiterar publicamente aquilo que suponho ser a raiz arquitectónica das obras pictóricas do autor, mesmo as mais abstractas, contra o que ele teimava em afimar há anos - a certeza de que nada havia da sua formação prática, enquanto arquitecto, nas pinturas que realizava. Essa «filiação» nada o deminui, pelo contrário, e a verdade é que, abrindo espaços pequenos à bem sustentada ilusão de imensas construções urbanas, rasgadas em horizontais e oblíquas, pontuadas por planos verticais, dificilmente se pode negar a quase primeira percepção do espectador.
sexta-feira, dezembro 14, 2007
ARTISTAS PORTUGUESES CONTEMPORÂNEOS | Raúl Perez
segunda-feira, dezembro 10, 2007
A CIMEIRA DAS NOSSAS INCERTEZAS
Não é inocente esta abertura à notícia da Cimeira União Europeia-África que decorreu em Lisboa a partir do 6 de Dezembro de 2007 e reuniu grande número de Chefes de Estado, representantes e representações a corresponder, o melhor do aparelho político português, tudo isso numa importante operação de charme diplomático, de enorme aparato de segurança, incluindo, por outro lado, a resposta competente às exigências de algumas personalidades de hábitos inusitados: carros especiais, à prova de bala, carros dos próprios vsitantes, armação da tenda de Kadafi, com vista para o mar, na plataforma do forte S. Julião da Barra, alojamento garantido nos melhores 22 hotéis de Lisboa, instalações para os conzinheiros e outros «ajudantes» de toda esta multidão que manda no mundo, rodeada de pobreza na visão incerta do futuro, os poderosos que lavam as mãos para simbolizar a sua pureza de decisões, salpicando as imagens do horror antes de tomarem a toalha que alguém lhes estende na grave solicitude do momento.
Seja como for, Porugal, em termos convencionais e alguns «anexos», cumpriu com certo preciosismo este enorme encargo, procurando imprimir ao acontecimento (ao contrário do anterior, há sete anos) aquilo a que já se chama um «espírito novo». Os jornais insistem em apontar, como notas dissonantes, os casos do Sudão e do Zimbabwe, dada a forma gritantemente irregular das administrações em tais zonas. Mugabe, que destroçou o Zimababwe por razões difíceis de entender, esteve sob as objectivas, hirto e mudo até quase ao fim, altura em que apontou o dedo à Europa, ao neo-colonialismo, à necessidade de acabar com os fantasmas e tratar de uma colaboração recíproca, sem hipocrisia. Não estou a transcrever à letra mas penso que este velho guerrilheiro já não sabe distinguir a sua luta anterior com a integração moderna do seu país numa perspectiva actual, de prosperidade e novos contextos. Não é ele o único. Darfur foi abordado, essa inexplicável tragédia que se tem mantido pelo tempo fora, provocando duzentos mil mortos e três milhões de deslocados. Para não falar noutros casos, benignidades disfarçadas e alguns pontos positivos de ordenação dos meios e de mobilização das populações. De resto, as conquistas europeias, em termos civilizacionais, comportam o peso e o resto dos benefícios do tempo colonial, os seus impérios, e ainda hoje, quando alguns crimes das próprias guerras civis estão à beira de prescrever, muitos políticos e intelectuais da União fazem projectos em nome da culpa e da salvação do continente africano, agora em grande risco de perda. Difícil é explicar aos antigos «colonos», dos quais também se obtiveram empenhos decisivos no entendimento produtivo daquelas terras, que culpa terão (no caso de Angola, por exemplo) na eclosão de uma guerra civil de forte incumprimento dos acordos das forças enfim aceites pelos portugueses, gesto dos mais tirânicos que arrasou um país tão vasto, como noutros casos, e cujos conquistadores do poder lá estão, certamente pouco atentos aos valores da democracia e dos milhares de estropiados, muitos vítimas das minas que a cegueira dos beligerantes levou a espalhar sem cartografia por milhares de quilómetros quadrados.
Darfur é pior do que as pessoas imaginam, acentua Salih Mahmoud Osman. Ele trabalha em condições muito difíceis. E, tanto nessa zona, como na Somália e outros países bem conhecidos: os mortos no Uganda, a violência um pouco por toda a parte, em geral conduzida por homens que combateram contra o colonianismo e a libertação dos povos. Apesar das suas convicções, Franz Fanon reconheceu os riscos de extrair milhões de pessoas praticamente acabadas de viver na pré-história e colocá-las de súbito na inteira tarefa de assumir a contemporaneidade. Os conflitos, dizia, serão imprevisíveis.
Salih Osman recebe o Prémio Sakharov nesta semana e «acredita que a força de paz da ONU e da União Africana (26.000 soldados) estará no terreno nos próximos dois meses. Os problemas em torno desta operação só muito dificilmente se podem avaliar. Sem conhecer a estratégia pensada, o que sei é que para as infecções espalhadas pelo continente só teriam tratamento relativo (até porque o continente é rico e a riqueza está a ser compactada à margem das populações) com um milhão de agentes bem dirigidos, incluindo grupos sanitários, de agrono-mia, de administração, de formação a diversos níveis. O mundo poderia, entre outras acções sobre o ambiente, tomar esta enorme missão como um dos objectivos mais relevantes de sempre. Porque o crescimento avassalador e invasor (China, por exemplo) pode ser redireccionado a fim de criar riqueza civilizacional, não economiscista e globalizante. E de resto, a China, além de comerciar segundo regras apropriadas, poderia muito bem contribuir com elementos diversos para aquela «força» (utópica?) de salvação.
Se houvesse entretanto um deastre súbito, planetário, de origem cósmica, que fariam as Uniões e os países mais ricos, que fariam as empresas multi e transacionais, assim, diante de uma tragédia gerada em em bola de neve e portanto à escala do planeta? Que fariam todos em tempo relativamente curto? Um dia, as cimeiras podem ser convocadas com urgência e sem partilhas antecipadas, claramente hipócritas.
sexta-feira, dezembro 07, 2007
E QUEREM ELES METER A TELEVISÃO EM TODOS OS BURACOS
sexta-feira, novembro 30, 2007
QUEM SOMOS NÓS, ALÉM AO FUNDO?
terça-feira, novembro 27, 2007
DO MÉDIO ORIENTE A SETUBAL
domingo, novembro 25, 2007
UM PERFIL PORTUGUÊS
segunda-feira, novembro 12, 2007
OLHAR PARA PEARL HARBOR EM 7.12.1941
Hoje, em Novembro de 2007, algures numa das guerras que se travam no mundo
sexta-feira, novembro 09, 2007
BREVE VISITA A ANTONIO CLAVÉ
quarta-feira, novembro 07, 2007
ARTISTAS PORTUGUESES CONTEMPORÂNEOS | Isabel Sabino
Donde, o quê, para onde? 2007
2007 Stridons Lassü
1987 técnica mista
sábado, novembro 03, 2007
ESTRANHEZA E FEALDADE NAS BELAS-ARTES
Em todos os séculos, filósofos e artistas sempre forneceram definições do belo; por isso, graças aos seus testemunhos, é possível reconstruir uma história das ideias estéticas através dos tempos. Mas, com a fealdade aconteceu de maneira diferente. Na maioria dos casos, definiu-se o feio em oposição ao belo, mas quase nunca se lhe dedicaram tratados extensos, somente alusões parentéticas e marginais. Portanto, embora uma história da beleza se possa servir de uma ampla série de testemunhos teóricos (dos quais se pode deduzir o gosto de uma época), uma história da fealdade terá, na maioria dos casos, de ir procurar os seus documentos às representações visuais ou verbais de coisas ou pessoas, de algum modo, consideradas «feias». Contudo, uma história da fealdade tem algumas características em comum com uma história da beleza. Antes de tudo, podemos somente supor que os gostos das pessoas comuns corresponderiam de algum modo aos gostos dos artistas do seu tempo. Se um visitante vindo do espaço entrasse numa galeria de arte contemporânea e visse rostos femininos pintados por Picasso e ouvisse os visitantes a julgá-los «belos», poderia conceber a ideia errada de que, na realidade quotidiana, os homens do nosso tempo achassem belas e desejáveis criaturas femininas com rostos semelhantes aos representados pelo pintor. Todavia, o visitante espacial poderia corrigir a sua opinião se assistisse a um desfile de moda ou a um concurso de Miss Universo, em que veria celebrados outros tipos de beleza. A nós, ao contrário, isto não é possível, porque, quando visitamos épocas remotas, não podemos fazer verificações nem em relação ao belo nem relativamente ao feio, porque dessas épocas só nos restaram testemunhos artísticos. Outra característica comum tanto à história do feio como do belo é a que devemos limitar-nos a registar as vicissitudes destes dois valores na civilização ocidental. Para as civilizações arcaicas e para os povos chamados primitivos, temos achados artísticos, mas não dispomos de textos teóricos que nos digam se aqueles se destinavam a provocar o deleite estético, o terror sagrado ou hilaridade. ________________________________________________ Citação da abertura da História do Feio dirigida por Umberto Eco
Frank Frazetta
domingo, outubro 28, 2007
UM GANHADOR QUE NÃO QUER ENVELHECER
O Comendador Marques Correia exprimiu a Jardim Gonçalves, em carta de 22 de Outubro de 2007 a perplexidade que o assaltara perante o clamor que se levantara contra aquele banqueiro inaposentável, clamor que se ficou a dever, pensa ele, às dívidas entretanto pagas (paternalmente pagas) contraídas por um filho algo aventureiro. Disse o Comendador que o mal estava em ter pago os 12.500.000 euros gastos pelo rapazola, o que não altera em nada a salgalhada que vai pelo BCP. O Comendador já não se lembra daqele tempo em que a idade de 70 anos levava à reforma compulsiva. E também não se lembra muito bem, presumo, daqueles senhores que começavam como paquetes e acabavam em gerentes, donde só saíam para o hospital ou para os Jerónimos. Este senhor, senhor Comendador, talvez seja o homem «que não devia pagar». Mas ele é um ganhador que não quer envelhecer.

