domingo, fevereiro 22, 2009
FALECEU MESTRE LAGOA HENRIQUES
terça-feira, fevereiro 10, 2009
VIDA IMPÚDICA E PÚDICA DO DITADOR SALAZAR
Olhamos para a figura severa, num palácio nocturno, e reconhecemos logo a figura do homem que governou Portugal durante 48 anos, em ditadura, o povo amordaçado, rédea curta, polícia política nas esquinas do nosso descontentamento. Não era figura com quem se brincasse e toda a gente acreditava no seu viver solitário, mandando em tudo do centro da sua casa de S. Bento, a polícia e os ministros. Uma governanta de cutelo servia-o e e ajudava-o na disciplina destinada aos agentes da PIDE que tratavam da segurança do forte de S. Julião da Bara, onde gostava de passar as suas férias, ver a horta caseira, fazer a sexta e ler. Muitos falavam de uma grande paixão que o acometera nos tempos de Coimbra, coisa que derrapou, assim ficando tão só como disse Christine Garnier, na sua visita longa e seu amor tardio. Quando ela partiu (estava a escrever um livro, «Férias com Salazar»), o carro rolou devagar e ele ficou a acenar da porta. Ela escreve isso mesmo. E terminou com o célebre período de uma palvra apenas: «Só»
Na hora da morte, que deixou de começar com a queda de uma cadeira «preguiçosa», sendo substituída por um tempo meio omisso da queda na banheira, o homem que está na água, e quando nos calha ver um raro grande plano da personagem, não é nem o actor nem o Salazar: é a máscara de Marlon Brando, sem tirar nem pôr, rosto que Copola apadrinharia com todo o gosto.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
CARTAS DE AMOR | PESSOA PINTADO POR POMAR
Fernando Pessoa (1888 - 1935) para Ofélia Queiroz
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
GIL TEIXEIRA LOPES: SOPROS DE VIDA
Gil Teixeira Lopes expõe (13 de Fevereiro), no Centro Cultural de Cascais e apoio da Fundação D. Luís, um conjunto de suas obras suas a que, neste caso, confere o título SOPROS DE VIDA. Como já é habitual neste autor, a força da sua obra pictórica faz-se acompanhar de ensaios e peças de escultura. A História terá de reiterar a importância e o colossal vigor do trabalho deste artista, professor catedrático jubilado de Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. E é ainda preciso fazer apostas destas perante os opacos silêncios que, em Portugal, sufocam a voz de artistas assim, algumas gerações que marcaram a arte contemporâmea portuguesa até aos nossos dias e que uma certa crítica recente, sem memória, presa a uma aprendizagem mimética das vanguardas acentuadas sobretudo a meio do século XX, espectáculos muitas vezes não mais que redutores, a par dos exemplos maiores a quem foi permitido que atravessassem a fronteira dos anos 80. Os jovens passaram, em muitos casos com justiça, a ser tutelados (ou mesmo orientados) por tal crítica tecnocrática; mas o excesso de informação consumista diversificou falsas originalidades, procurando o dogma e o esquecimento de todos os passados. Muito mecenas, algumas instituições, que absorveram alguns críticos como curadores, abriram imensos caminhos aos jovens. Há jovens em todas as veredas da busca, novas galerias, bienais, feiras, lojas do devaneio. Os grandes autores vivos do século XX português são ostracizados, por vezes escandalosamente, como sempre aconteceu com o pintor Gil Teixeira Lopes, Grande Prémio Internacional de gravura, obra que deveria ser revista e explicada justamente aos jovens. Sobraram Júlio Pomar e Paula Rego. São cumprimentados casos intermédios mas apoiados, como Graça Morais, Cabrita Reis, Angelo de Sousa, entre alguns outros. Hogan foi devidamente compensado quase a título póstumo. Querubim Lapa não tem rosto. Artur Rosa fotografa a Helena. Júlio Resende está lá para cima. João Abel Manta não é solicitado. E tudo o que era preciso rever, comparar, mostrar o que é isso da evolução das formas em autores que já faleceram mas deram importantes contributos para o próprio século XXI: Sá Nogueira, António Charrua, D'Assumpção, Bual, Menez, Eduardo Luiz, Costa Pinheiro, António Areal, José Escada, Manuel Baptista, Jorge Pinheiro, uma galeria imensa de já falecidos e outros ainda vivos, cuja obra teve circunstancialmente um sucesso por vezes mitigado e aos quais teria certamente de pertencer Gil Teixeira Lopes. Ao superar, durante anos, um enorme sofimento com cirurgias ao coração, refém da morte próxima, Gil conseguiu fazer um transplante cardíaco, lutar de novo, não parar nunca, e aí está o testemunho cujos êxitos são genuínos e os fracassos próprios de quem corre riscos e nunca cede, nem à doença. O gosto telúrico desta gravador/pintor, desenhador, escultor, pode ser acusado de ampliado na retórica. Mas então veja-se o modo de criar na Renascença e a reabilitação transformista dos maiores mestres da modernidade. É preciso que se saiba, de uma vez por todas, que a arte portuguesa contemporânea não se divida em dois compartimentos intransitáveis: antes dos anos 80 e depois dos anos 80. Mesmo no domínio da opinião, a ganância em efeitos como os que vemos, agora, em volta, pelo mundo inteiro, desconstrói o mundo, esconde os valores, faz do excesso a pequenez do animismo recente.
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
EUTANÁSIA: O HOMEM E DEUS
domingo, janeiro 25, 2009
O POETA E O POLÍTICO, PERPLEXO
Manuel Alegre, poeta antes de tudo, espírito cuja vontade política se tem vinculado ao Partido Socialista, tem ultimamente atravessado, não um deserto, não uma anhara, mas uma certa invernia belicosa, inusitada e chata. A perplexidade tem tomado conta do poeta, aceno de criação próxima ou apelos das esquerdas coloridas. A verdade é que Manuel Alegre tem sido um importante protagonista da vida nacional, entre os factos da glória abrilista até essa hora em que se candidatou à Presidência d República, acabdo por somar um punhado de votos razoável, pérolas para negociar entendimentos e os sinuosos asssédios da esquerda. Tais forças sonham com um partido, o poeta a presidi-lo. Com a sua nobre presença no hemiciclo da Assembleia da República, Alegre está feliz e perplexo ao mesmo tempo. Não pode deixar de lembrar-se do PDR, aventura de Zenha e Eanes. E isso mais o impele para segurar bem a cabeça, rasurando breves declarações. Contudo, ali no seu canto, vai mandando (da esquerda gráfica e bem pensante) algumas setas ao palco do poder, deliciando-se certamente em pensar pela sua mesma cabeça e votando a suspensão do estatuto de avaliação dos professores, novelo imenso inventado pela inamovível Ministra da Educação, fístula do Sistema, método sinuoso e de discutível utilidade científica. quarta-feira, janeiro 21, 2009
VISCERAIS COMENTADORES DE BANCADA
terça-feira, janeiro 20, 2009
JANEIRO, 1980: PATRIMÓNIO NACIONAL
Portugal é rico em patrimónios deste tipo, na sua traça final, ao abandono. Este trecho de um rua inteira, resultado de tremor de terra que ocorreu nas ilhas Terceira e Graciosa no dia 1 de Janeiro de 1980. Ninguém pensava que o horror de 1973 se repetisse. Mas aconteceu. Morreram 71 pessoas, houve 400 feridos, e mais de 15 mil pessoas ficaram se abrigo. Rui Ochôa, que se encontrava nos açores, escreveu ara a revista Única que mais de 8o% dos edifícios de traça renascentista ficaram destruídos. A tragédia dava lugar a uma profunda desolação semanas depois da catástrofe. Igrejas, edifícios públicos e habitações sucumbiram a um sismo de 7,2 e tudo indicava que os açoreanos teriam de esperar, entre dores, muito tempo dedicado à rconstrução. Muita população via, uma vez mais, as suas casas destruídas. A emigração para a América colocou-se, de novo a muita gente. Há sequelas, para memória futura, que ainda assinalam o horror daquee dia: eram 16 horas e 42 minutos,
domingo, janeiro 18, 2009
PERGUNTA INQUIETANTE DE MIA COUTO
E SE OBAMA FOSSE AFRICANO?A partir da época em que conheci aceitavelmente o escritor Mia Couto, nas suas presenças, na sua obra, entre notícias de amigos e colegas, fiquei sempre com a ideia de que ele era um interessante contador de histórias, um surpreendente inventor de palavras, e isso deu-me também a noção de um trabalho antropológico, de um olhar do branco africano capaz de se filiar, pela cabeça e pelo coração, no contexto de Moçambique mais profundo. A verdade é que à medida que ele se notabilizava, viajando frequentemente a Lisboa e mantendo aqui contactos de influência (não estou a falar de tráfico), o retrato que eu fazia deste autor ganhou prolongamentos e próteses intercontinentais, começei a vê-lo, sobretudo por vias mediáticas, por vezes até à saciedade, como entidade capaz de ter um pé em África e outro na Europa, particularmente em Portugal, onde a sua fama tem feito com que instituições várias tenham preterido criadores portuguses, de inegável mérito, a favor de Mia Couto. Há muitas razões para isso, algumas eventualmente louváveis, e por certro as sequelas da memória colonial, das guerras, entre sentimentos de artistas por lá abandonados ou minimizados apesar da vontade de os tornar parte do espaço lusófono. Devagar, e muito depois de Mia Couto, chegaram outros, Pepetela, Rui Carvalho, vários, incluindo a comunicação via Internet.
Mia Couto publicou (ou publicaram-lhe) um oportuno artigo na revista/única (17.01.2009), sob o título E se Obama fosse africano? A redacção da revista publica uma pequena nota que diz ter o escritor moçambicano assistido com reservas às reacções eufóricas com a vitória de Obama (presume que em Moçambique, ou África em geral). A desconfiança é justificada porque, como dizia Franz Fanon, a passagem súbita de populações ocupadas e primitivas à contemporaneidade (na sua expressão técnico-cultural) provocaria grandes tragédias e difíceis assentamentos de identidade. Se a descolonização portuguesa foi lenta e desatrada, as outras todas (muito resultantes de concepções desemcadeadas após o termo da segunda Guerra Mundial) não evitaram sequelas por vezes hediondas. Os regimes nacionais, um pouco pouco por toda a parte, em África, cristalizaram em ditaduras impensáveis e prioridades militares paralisantes, as guerras civis e tribais sucederam-se e os países (que nunca lhes ocorreu alterar as fronteiras coloniais) regrediram até situações inenarráveis: a riqueza de Angola não reedifica a justiça política e social, Moçambique precisava de ter petróleo e menos insidiosos racismos. Ruanda e Uganda escusavam de consumar em três meses um dos maiores massacres da história humana (800.000 mortos), a África do Sul já deveria ter menos assassinos nas ruas, a Guiné sobrevive entre golpes de Estado e ditadores inconsequentes, o Zimbabwue pertence a Mugabe mesmo que ele sobreviva ao último habitante, o Congo, que já teve um dono inominável, desfaz-se em pedaços e carnificinas. Exemplos que não esgotam esta verificação breve.
Com mais brandura, o que se compreende, Mia Couto, aliás também preso pelo tema, reconhece esta realidade e é dela que parte para fazer a pergunta sobre Obama. Para ele Obama não teria o menor espaço de manobra em África, incluindo Moçambique, seria agredido, preso e sabe-se lá que mais. O escritor sublinha: «Os Bushes de África não toleram a democracia». A odiada América ainda consegue gerar estas ondas de combate aceitável, a riqueza de debates e de complexas escolhas. A esperança em Obama é por boas razões mas ele próprio já relativizou (no centro da crise mundial) o poder das soluções. Mia Couto conta que o Zambiano Keneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país como filho de malawianos». As raças africanas (já lá foi o tempo em que se dizia que a África é para os africanos) combatem-se a este nível, do geral ao particular, e os senhores do poder, sentados em montanhas de armamento, decretam as exclusões, as discriminações, os massacres.
Este corajoso depoimento de Mia Couto termina com palavras de esperança, imaginando o tempo em que todas as entnias e raças africanas terão oportunidade de celebrar, na sua casa, «aquilo que agora festejamos em casa alheia». Só não faz a estimativa de quantas gerações terão de ser sacrificadas para que isso aconteça. Seja como for, e por isso a ferida dos que viveram África não sara, esse Continente, possível salvador de outros excessos, é ensurdecedoramente belo, fica-nos no sangue, é património da humanidade, deveria ter um destino ecuménico e nunca ser poaauíso pelo sistemas do crescimento sempre. Talvez seja consolador imaginar um não crescimento equilibrante, sem metrópoles gigantescas, nel lixos asfixiantes, nem terras apodrecidas, nem fomes e doenças aterradoras.
domingo, janeiro 11, 2009
A BELA INICIAÇÃO DA ACTRIZ SOFIA ESCOBAR
sábado, janeiro 10, 2009
OS IMPERDOÁVEIS MUSICAIS DE FELIPE LA FÉRIA
do texto Juizo Final:
Terminamos nós, em rodapé, a fim de que tanta desgraça não nos afunde: é que, ao que parece, há frente de cada português está sempre um abismo. Fiquemos perto de Amália, que quase roçou a perfeição, e consideremos La Féria um artesão megalómano do teatro de revista à portuguesa
segunda-feira, dezembro 29, 2008
O EVENTUAL AFUNDAMENTO DAS CARAVELAS
NA REVISTA ÚNICA
Manuel Alegre, que estava a ponderar derivas políticas para rejuvenescer, ficou espalhado num sofá a chupar um charuto que o amigo Fidel enviara para uns quantos lusitos da esquerda. Estava bem de ver que a democracia portuguesa, nesta época, apanhara os fluxos e refluxos da crise económica Global e escassamente se podia desculpar, após as glórias de Abril e do 25 de Novembro, com as teinosias dos prima dona, barões do norte, nem dos comandos, nem do paleio amigalhaço do Otelo e suas Chaimites. Aliás, a comunicação social não ajudava nada, é feroz, simplificadora, interesseira, pendurada (a todos os níveis) das mais valias da publicidade, da boateira, esticando sempre qualquer fait-divers em ilustrações práticas das estratégias conspirativas, golpes do baú, aleivosias da riqueza em trânsito, de achamento e escondimento, tudo nas barbas brancas e sujas dos indigentes, dois milhões de pobres, no mínimo, e dois milhares de pessoas sem abrigo, só em Lisboa. E só quem lhes pode pisar os calos ou ir-lhes às canelas, é o homem da ilha, o Jardim.
A saúde está em greve, a ministra da Educação tem uns papéis à sueca para avaliar professores latinos, e o Dr. Cavaco Silva, Presidente da República, anda numa onda de coordenação estratégica, de boas relações com o Primeiro Ministro, engº José Sócrates. Sócrates não se fica, uma picadinha aqui, uma teimosia ali. Além do mais, apesar de alguns ministros menores que fazem parte do seu governo (dizem), tem outros de ferro, os quais fazem uma inveja danada aos da esquerda, Bloco, Partido Comunista com Jerónimo e muita disciplina, restos de outras forças boiando numa espécie de Mar fos Sargaços. PSD e PS (o CDS afunda-se com a grande oralidade de Portas, um ou outro, tanto faz) andam como carangueijos, pernas e marcha de lado, nuncam páram ao centro. Se a oposição é sempre maníaco-depressiva, podia, pelo menos, ajudar os que estão no poleiro. Era porreiro haver assim uma consertação centrada, bem apoiada, com pecadilhos à esquerda e à direita, mas sem função meramente ornamental.
Doida não está, S. Rebelo nos acuda. Mas a insanidade do povo português vem de longe, das separações, das partidas nos cascos dos navios, caravelas atrás de caravelas, doidos aninhados nos porões, comendo solas e abocanhando, nos intervalos em terra, alguma nativa geradora de portugueses de segunda. Esses sim, eram de segunda escolha. Vê tudo bem, Marcelo, porque isso de ir apanhar as laranjas alheias também não fica muito bem num professor universitário nadador salvador.
Vão lá apamhar as laranjas, bem precisam. O Sócrates, que é um dos ministros mais bem vestidos do mundo, anda a olhar para as eleições e a visitar empresas de informática.
TENHAM CUIDADO COM AS LARANJAS ESPANHOLAS
quarta-feira, dezembro 24, 2008
O EVANGELHO SEGUNDO O PAPA BENTO XVI
O EQUADOR SEGUNDO OS MILHÕES DO MERCADO
segunda-feira, dezembro 22, 2008
O CÓDIGO ERRÁTICO E OCULTANTE DE MARIA
«Provavelmente, Deus não existe. Viva a sua vida sem constrangimentos».
domingo, dezembro 07, 2008
MANOEL DE OLIVEIRA,CEM ANOS E 77 DE CINEMA
sábado, novembro 29, 2008
O BAZAR LABIRÍNTICO DA VIZINHA PATRÍCIA
A SAUDOSA AIA DA RAINHA CARLOTA JOAQUINA
sexta-feira, novembro 28, 2008
PAISAGEM DE UM RESCALDO TRÁGICO NA ÍNDIA
VOLTAREMOS À BARBÁRIE NO SÉCULO XXI ?


