Parece que algumas das mais importantes personalidades do nosso meio artístico e cultural, zangadas com a mediocridade do país, a tacanhez dos gostos e dos governos, a falta de zelo pelas actividades artísticas, começam a ponderar o abandono deste lugar de tantos ostracismos, procurando o Brasil como terra para novos enquadramentos. Sempre tivemos este tipo de de exílios, dantes sobretudo para França, onde ainda hoje, ligados às artes plásticas e ao cinema, são referência gente como Maria de Medeiros, Bértholo, Lourdes de Castro. Coisa semelhante acontece com londres, cidade onde Paula Rego tem um ponto de ancoragem, entre outros, ou mesmo a Holanda, país arduamente escolhido por Maria Beatris para fazer carreira. Na semana passada lemos as queixas de Sousa Tavares, agora mais público e publicado, em rota de aterragem no Brasil, onde o tratam bem e não o conhecem nas ruas. Conheço engenheiros, homens de letras ou artistas, que emigraram para o Brasil, sem protecção de rectaguarda, pessoas que acabaram por voltar, não muito tempo depois, em face de se se sentirem discriminadas e repelidas polidamente pelas classes privilegiadas das grandes cidades, apesar do convívio, como altos quadros, que mantinham nas empresas com os sues homónimos. Pode ser que isto tenda a mudar. Sabemos de casos, de gente mais comum, que tem baterias de rectaguarda e não alimenta tanto a vontade de ir viver e morrer no Brasil, em nome de uma solução que a pátria desolada não lhes assegura minimamente, mesmo em Lisboa ou Porto. Maria João Pires, pianista de excelência, portuguesa por inteiro mas dotada de capacidades invulgares, talvez perto de geniais, louvada e aplaudida em muitos pontos do mundo, entre prémios, homenagens e audições históricas, é agora (também) um dos últimos casos de exílio no Brasil, país ao qual parece ter dito que pediria a respectiva nacionalidade. Trata-se de um agravo conhecido, que tem implicações mais pesadas do que as telúricas vontades de Sousa Tavares, desconfortos perante os políticos, governos, instituições desse domínio, todas e todos em geral acusados pela pianista de desleixo, a par de indiferença ou recusas quanto ao projecto que ela tinha em andamento - o Centro de Belgais (Castelo Branco), iniciativa que envolvia muito empenho de artistas portugueses e estrangeiros. Continuo a pensar que as figuras de decisivo recorte público, de grande talento e por vezes muito mediáticas, não são as mais indicadas para contraírem síndromas de impertinência no seu país, pois constituem, de facto, uma frente que tem meios de luta e que pode, inclusive, arrastar consigo admiradores, forças aumentadas, coligadas, capazes de fazerem exigências perturbantes de direito à cultura. Os anónimos, os que vivem no fundo do poço, pessoas correntes e de vida por vezes penosa, esses têm por vezes resistido (apesar da diáspora que nos representa no mundo) com sentido de associação, protesto, edificação de espaços produtivos por muitas áreas. Os artistas deveriam ter igualmente esta força, estão mais apoiados e para a sua mediatização nem sequer precisam traficar muito, como nos casos extremos, em que avançar pelas televisões é penoso, humilhante, mas conduz alguns carentes a conseguir no dia seguinte milhares de dadores de coisas várias, na grandeza e no infortúnio. Com isto não quero nem julgar nem condenar as opções de ninguém. Não é disso que se trata. A própria Maria João Pires, cuja rebeldia é amavelmente citada, cujos actos têm revelado posturas de sustentação e dignidade, também não pediu direitos de autor quando, em muito nova, preferia brincar trepando pelos telhados ou fazendo «coisas malucas». A liberdade de transgredir faz parte de certos direitos tendencialmente reconhecidos aos criadores de nomeada e em várias disciplinas de índole artística. Num filme conhecido, A Bela Impertinente, de Jacques Rivette, a irrequietude de um modelo feminino leva o pintor, segundo razões pessoais, a combater perante o corpo que lhe escapa e a memória de amor distante que deseja recuperar. Eu acho que o artista sai vencido, mas também sei que os nossos caprichos de representação, em torno de um real ou de uma lembrança dele, nada reconquistam, pouco constróem. Compreendo que a pintura de Frenhofer o levasse a desejar maior superação do cerco, metáfora que tantos de nós subscreveriam, e acho louvável que, apesar de tudo, o pintor da história tenha permanecido ali, ainda que transitoriamente. Por vezes, os anjos procuram-nos na morada habitual e não num endereço apagado.
quinta-feira, julho 16, 2009
quarta-feira, julho 08, 2009
MORREU, BRANCO, O CANTOR MICHAEL JACKSON
Esta era a imagem de Michael Jackson quando do lançamento do vídeoclip Thriller, em 1984, obra considerada das melhores de todos os tempos. Não há sinais das borbulhas afirmadas na adolescência e o trabalho de imagem adequava-se à pujança dos meios vocais e do gesto, dança invulgar, indiciada por muitos dos ritos urbanos, sobretudo onde florescem diversas misturas rácicas e mitomanias assmbrosas. Fala-se de uma infância problemática, difícil, aliás bem cedo explorada pela própria família na dança e num tom vocal específico, preso também à vontade do próprio Jackson, menino de vocações exploráveis. Um articulista, ao falar desta época, intitula a sua prosa com o título «uma estrela à custa de cinto». Joe, o pai, não admitia falhas aos filhos e recorria à violência para lhe incutir um rigor fanático. O tempo levou esta figura, tão poderosa em Thriller, a uma estranha metamorfose, duvidosamente fundada em certa doença da pele, que empurrou o cantor e dançarino para um caminho alucinatório, por vezes fascinante mesmo sob o peso das suas marcas, das sucessivas operações ao corpo, à derme, às feições do rosto, um rosto enfim ocultável e patético, ilustração inquietante dos ídolos em decadência, dos vícios que entretanto os cerca de solidão e crises depressivas de grave recorte. Jackson não era um monstro e morreu de forma abrupta, sem recurso, tratado das mais diversas sequelas derivadas da sua vida e das lesões que provocava a si mesmo. Teria estranhos hábitos, na sua relação com crianças e bichos exóticos, assaz perigosos, que chegou a ter em casa, com ênfase. Que desejaria ele daquela sala onde, em determinada altura, coleccionou manequins que declarava serem os seus amigos? Metáfora contra a solidão? Resistência à exploração da indústria dos espectáculos? Mas ele próprio os queria assim, talvez sem os saber gerir com vontade bem activada, cultura e bom senso. Seja como for, sem falar em genealidade, o seu talento era insofismável e a sua obra fez história. Nada que justifique, para além do respeito que lhe é devido nesta hora, a hipertrofia dos processos megalómanos em que envolveram as cerimónias da sua despedida e da quase sacralização do ídolo. Assim nos enganamos cada vez mais, sendo certo que os actores dos grandes espectáculos passam ao futuro pelo estreito caminho do envelhecimento irreversível.segunda-feira, julho 06, 2009
SOUSA TAVARES, LANZAROTE, BARÃO NO BRAZIL
sábado, junho 27, 2009
CAMPO DE ADORADORES DA MORTE PELO SOL
quarta-feira, junho 17, 2009
CONDIÇÕES DOS JUDEUS IMPOSTAS À PALESTINA
O presidento Egípcio, Mubarak, adiantou dias atrás ter comunicado ao presidente dos EUA, Barak Obama, que «todas as crises no mundo árabe passam por Jerusalém». Esclareceu haver comunicado ao ministro israelita que as negociações sobre o estado definitivo dos territórios palestinianos deveriam ser imediatamente retomadas e no ponto em que foram interrompidas». Com efeito, as ideias anunciadas por Benjamin Netanyahu não respondem às epectativas da comunidade internacional, infirmam o próprio estatuto do Estado dos Palestiniamos e bloqueiam os dados imprescindíveis para a existência de pas naquela zona. O Egipto assinou acordos com Israel, em 1978, e a Jordánia em 1994. O Líbano e a Síria têm suspenso um processo de paz com Telavive, Pois esses dois países colocaram as mais sérias reservas ao conteúdo do discurso de Netanyahu. O modo com o estas personalidades têm encarado os «direitos» de Israel, ou aqueles que os combatem, legam à contemporaneidade uma das mais absurdas contendas em volta de arcaicas mitologias, como se a vida das pessoas pudesse ser tratada dessa maneira ou assim pirateada, aliás desde a instalação artificial e combinada dos judeus na terra segregada aos povos da região, na altura.
Tudo tem sido visto por orgãos internacionais, por vezes até em combinação com eles, o chamado milagre de desenvolvimento do Estado de Israel, não apenas à custa de engenho e arte, ou de domínio tecnológico, mas também pela guerra e, em nome da defesa, por expansão humana ou territorial. Judeus de Gush Emunin, em 1974, tomaram para sua insta~lação Sebatia, perto de Nablus (norte da Cisjordânia), fazendo aquilo que constitui o primeiro colonato ilegal no território palestiniano, nessa zona ocupada por Israel após a guerra de 1967. Além disso, a inclusão tocou a Jerusalém Oriental. Os israelitas ocuparam o Sinai e os Montes Golã. Com o decorrer do tempo, os colonatos (ilegais perante a lei internacional) multiplicaram-se com arrogância. As caravanas tomavam as colinas e aí emerguam casas, subsidiadas, integrando as melhores condições possíveis. De pólo a pólo, os pequenos povoados ganharam escala e demografia de autênticas cidades. Basta dizer que hoje são 300 mil só na Cisjordânia. Yizahak Samir (1992), depois de perder as eleições, chegou a confidaenciar que tencionava construir tanto e tanto que impedisse a devolução dos territórios aos palestinianos. Não haveria nada para resolver e é nisso que consiste a actual ameaça dos colonos. Há jeito de entendimentos com estes actos prepotentes e insensatos?
Pois então veja-se como Benjamin Netanyahu concebe as coisas: (publicado do Diário de Notícias em 16.06.09. O texto anterior baseia-se em trabalhos de Lumena Raposo)
Estado judaico: os palestinianos têm de recopnhecer Israel como nação judaica.
Garantias intenacionais:O Estado Palestiniano não pode ter exército, não pode controlar o seu espaço aéreo nem adquirir amas.
Jerusalém:Permanecerá a capital de Israel. Os palestinianos têm de abdicar da sua reivindicação à capital de Jerusalém Orientalk.
Colonoatos:Israel não construirá mais colonatos na Cisjordânia mas fica indiciado a autorização do denominado «crescimento natural» nos já existentes.
Direito ao regresso: O problema dos refugiados palestinianos tem de ser solucionado fora de Israel. (Milhões de refugiados palestinianos vivem em campos da Cisjordânia, Jordânia, Líbano, Síria e Faixa de Gaza)
Depois disto, sobretudo com este guião iniminável, parece que a Nação Judaica se prepara para vingar, com outro, o Holocausto que Hitler, não os palestinianos, lhe infligiram.
domingo, junho 14, 2009
ARTE CONTEMPORÂNEA | Artur Cruzeiro Seixas
Conheci pessoalmente Cruzeiro Seixas em Angola, nos anos 60, aproveitando um tempo de licença na cidade de Luanda. Entre amigos, aí visitámos a belíssima colecção de arte africana que o pintor conseguira formar ao longo dos anos, naquele grande território atormentado por guerras inúteis. Ao rever alguns textos escritos sobre a sua última exposição na Galeria S. Mamede (CENAS INTOCÁVEIS), reparei numa frase que eu próprio citara, a partir do catálogo. Franklin Rosemot dizia a certa altura das suas considerações: «uma figura principal no movimento surrealista internacional pela segunda metade do século XX, ele continua a ser, como a presente exposição o demonstra, um excelente exemplo e mentor do século XXI». Ao revisitar, entre memórias, a casa de Cruzeiro Seixas em Luanda, mobílias populares integralmente pintadas de azul, objectos brancos, molduras brancas, nichos e patamares onde se situavam as principais esculturas mágicas, salto por cima daquela nota entusiástica: o artista português, hoje ainda activo e a viver numa residencial de idosos, falou-me há dias dos seus sonhos e das figuras humanas que lhe preencheram os melhores momentos de convívio, com afecto e verdadeiro conhecimento da sua obra. O Surrealismo foi sem dúvida um movimento determinante na história da arte relativa ao século XX: intenso, inovador, capaz de se desdobrar pelas almas contagiantes, este Movimento também se fracturou em consequência das mudanças de modo e fundamento em todas as grandes transformações do tempo. Em Portugal, Cesariny herdou um perfil soberano, talvez inspirado em Breton, mas o que podemos estudar na obra de Cruzeiro, mentor por sua vez de outros artistas, é um talento fiel ao rigor e à encenação do espaço. O pintor não era surrealista porque sim, tanto quanto aconteceu no século XX, mesmo quando alguns perdiam o apego ao modo, visando outras experiências, opostas, mas continuando a dizer-se representativos do Movimento, ostentando o seu forte galardão, quer na via caligráfica, quer simplesmente da abstracção, por vezes ciosos de sopros orientais. Ora isso mudava muita coisa. Cruzeiro Seixas, criador das suas composições, morfologias, lendas, oratórias do mito e dos seres intocáveis, sempre se conservou fiel às técnicas que desenvolveu e aperfeiçoou, sempre manteve o seu pensamento alinhado pelos princípios e concepções da estética surrealista. Quase profissional, no sentido desse apego a um jogo certeiro, sem cartas viciadas, ele tem sido um autor de excelência, transportável, sem desgaste maior, para o século XXI.
apontamento da memória
Artur Cruzeiro Seixas nasceu em 1920. A sua ligação ao grupo «Os Surrealistas» cobriu a apresentação inicial ao público (colectiva em 1949): trazia «estranhas esculturas de meias de seda armadas em estruturas de arame». Mas a sua afirmação verdadeiramente significativa aconteceu na área do desenho, escrita inusitada, caligrafia de delicada presença formal. Tratou-se, e durou até hoje, assim o posso dizer, de uma especialidade aparentemente suspensa da própria banda desenhada, antes de ela ser essa verdade cósmica, de superior design, que Alex Raymond nos legou. Esta imaginária filiação em nada belisca o espírito superior, com outros riscos e outros propósitos, do belo formulário gerido por Cruzeiro Seixas. Ele foi, quase de súbito, surrealista, plástica e poeticamente, na metamorfose que imprimia a muitas das figuras, sujeitando-as ao paroxismo de cenas de violência e crueldade, como referiu José Augusto França. Mas o que importou foi o seguimento gráfico, lírico, poses das citadas encenações operáticas, composições de palco (o plano ou o palco) inventadas com ênfase, formas por vezes inspiradas na poesia de Lautréamont, universos de valor onírico, maior entre os maiores da arte portuguesa dos anos sessenta. Senhor seguro de uma imagética efectivamente invulgar, a dança das linhas modeladoras, neste autor, servem profundas dinâmicas estruturais e uma suavidade algo feminina, desde as anatomias e os adereços ao tipo de musicalidade virtualmente inserida nas cenas e nas «paragens» de cada enquadramento.
um mundo metamórfico e crepuscular
Cruzeiro Seixas toma o rumo de Angola em 1951 e ali trabalhou no museu de Luanda, estudando os universos da expressão plástica nativa. Muito respeitado no meio, contribuindo para a cultura da cidade, inclusive quando acolheu Nikias Skapinakis (pinturas de Lisboa) e outros artistas. Ele teve o mérito de aceitar um convite de artistas para expor em colectivo, apesar do estatuto que alcançara enquanto director do museu, num espaço de lamentáveis lacunas nesse campo. Quando voltou a Lisboa foi entendido justamente pelo lado da cultura demonstrada e opções estéticas inspiradas, tendo assim sido director da Galeria S.Mamede, de 1969 a 1974, e a ele se deve uma boa parte do lançamento de autores como Paula Rego, Mário Botas, António Areal ou Cesariny. Os surrealistas portugueses, após alguns endeusamentos e liturgias vindas de França, chegaram a disputar o seu próprio pelouro, defeito próprio de certos radicalismos ao tempo.
sábado, junho 06, 2009
AMANHÃ EUROPEIAS EM PLENA POLITICOMANIA
Um amigo meu encontrou-me no café, sentou-se, pediu água lisa, e começou a tentar sair da lavandaria das europeias. «Não estou preocupado, meu caro, estou sobretudo indignado. E não é para seguir a máxima de Soares. Nem os gritos do povo, índios nas feiras, tabernas carregadas de políticos de aviário bebendo café e copos de três, beijocando quem cospe neles ou lhes devolve bafos e salivas. São todos umas tribos de abruptos, todos têm razão de coisa nenhuma, os pachecos com os seus maneirismos no poder de interrupção, capela do círculo em quadratura, maçonaria de pacote, blogues e santanas por aí, à coca, copistas das cópias das antigas eleições, muito pau, muita bandeira, slogans capitalistas, esquerdistas, direitistas, enquanto rolam ferreiras pelo Chiado abaixo, sorrindo idades e arcaísmos, devegar se vai ao longe, treta dos liceus para pequeninos. Nem devagar nem depressa. Não há longe. E lá vêm os capelães da evangelização de rua, os arautos das canetas esferográficas, lápis de cor, cadernos de cópia, panfletos ou garotadas para os velhotes esfarrapados da reforma, batuques, portas a fechar portas e a abrir portões, melna sem pá, estilo francês, la fraternité, muito discurso a fingir de jeitoso, trocadilhos, e por duas ou três razões. Ou quatro, Os sócrates não podiam deixar o trono para virem umas horas apoiar os seus candidatos, vitais moreiras acusados de burros, de falharem tudo, sim, sim, os rangéis é que estão a dar, não nas faladuras, talvez por serem quase virgens em coisas destas e terem uma voz aguda e rachada, uma escolha brilhante (dizem) das ferreiras para fazerem o papel delas, aquelas que chamaram aos sócrates cooveiros da Pátria e afirmaram, brando no laranja, que as reformas não se fazem em democracia: fazem-se depois de se suspender a democracia pelo menos durante seis meses. Tudo à bruta, num tufão de mudança, políticos atirados deste para outros continentes, nada de provedores, nem de juízes, juízes também, porque não? Um estágio, sem vencimento, na Guiné-Bissau, seria de um fulgor sem nome. Indignado, eu? Eu nem queria parar a democracia, queria varrer os partidos, tudo se recicla ao cabo de certo tempo. Em vez deles, experimentava, através de um programa de televisão, punha lá gente miúda e boa, humilde e sábia, ansiãos também, daqueles dos governos comunitários nas aldeias, mas sem etiquetas, num gran círculo sem quadratura, projecto eventualmente capaz de mitigar a nossa depressão pânica. Os actuais partidos, os grandes e velhos partidos, deveriam pagar multas imensas por cada arruada cometida, gente a comer febras, a beber vino, a esconder segredos: iriam todos descascar batatas batatas em prisão preventiva até confessarem os recentes manobrismos, reconhecendo que propaganda de rua, com brinquedos e outras acenos, não são maneira de falar às populações, a festinha balofa, os milhares de euros gastos para lavar a roupa suja, entre duas ou três palavras sobre a europa, lá onde se acomodam primas donas, delinquentes da extrema esquerda, defensres do natural equilíbrio dos mecados, tudo ao molhe e no malho, malta do dinheiro selvagem, malta que finge esquecer a lei dos mais fortes, a morte do planeta por erros colossais dos seus homenzinhos conscientes. São os xavieres de sacristia, os louçãs analistas, padres metodistas com pedra no sapato, dragas como as Irínias mais afinadas, ildas trotantes, cortantes, fundamentalistas, jerónimos dos partidos que são como condomínios fechados, homens sem cabelos brancos nem sobrancelhas façanhudas, todos reféns de mitologias doentes, de incapacidades mórbidas. Todos os nossos partidos estão em desacordo com tudo, mas em cinco minutos aceitaram o dinherrinho para as arruadas e, em mais de um ano, não foram capazes de se entender para a substituição de um senhor provedor, que acabou, doente e indignado, por resignar. E por aí se vê que nada, entre cassetes, vai muito mais longe do que malhar no freeport, manuelas malhadas pelos marinhos, bancos corruptos, banqueiros por prender, aliás entre outros da mesma casta social. E o ensino, meu caro? A ministra vem do outro mundo falar de forma tecnicista, salvadora, capaz dos maiores milagres, O ensino não tem nada a ver com tão enviesados manobrismos nem os professores precisavam de andar tanto na rua, humilhando-se. Os sindicatos têm as suas tocas de permanência, não doutrinam nem ajudam ninguém: é também gente petrificada por décadas no seu altar, não resignam nem à porrada e aceitam eleições continuamente iguais. O espectáculo dos últimos dias, repetindo até ao vómito fórmulas gastas, arcaicas, todas de feirantes no seu pior estilo, ideias nenhumas, barretes muitos, que é que eles fazem amanhã? A crise não está a servir para nada, é uma oportunidade perdida: a ideia de progresso alfacinha é a mesma, mais carros, mais condomínios fechados, mais hipermercados, mais assimetrias sociais (até ao crime), mais vencimentos inomináveis, mais imobiliário sem norte, abjecto, casas devolutas, casas a mais, cidades grandes a mais, vileza das estradas, o interior candidato a deserto, nem memória da agricultura diversificada, nem uma única ideia sobre como mudar o homem e as sociedades para um outro paradigma (como se dis agora), um projecto capaz de excluir o excesso e o lixo, os fósseis e a morte das florestas» Estou sem fôlego, amigo, disse ao meu amigo. Apreendeste tudo isso nos jornais, onde tudo não passa desse barro e dessa acidez, ficando bem longe de retornos aos primeiros grandes ciclos da vida organizada. O trânsito, na capital da Nigéria, visto do ar, perturba qualquer consciência. Mas isso, como quase tudo mais ou menos semelhante a isso, incluindo a migração para as cidades que parece continuar até à sufocação, o planeta vai calar ou apagar daqui a menos de dois séculos. Os abruptos, ao emigrarem para Sírius, serão porventura visitados por uma Nova verdade, respirando uma atmosfera de metano e acabdo submetidos a uma outra genética totalmente imprevisível. Deus ainda não sabe o que fazer com a sua criação.
sábado, maio 23, 2009
INVULGAR HOMENAGEM A UMA VIDA DIFERENTE
segunda-feira, maio 11, 2009
TELEVISÃO DE MASSAS E REVOLUÇÃO IMPOSSÍVEL
PARA UM JUÍZO SOBRE AS NOVELAS E SUA ERRATA
Os dirigentes das televisões, directores de programação, sobreudo, dizem que os produtos emitidos (caso das novelas) são escolhidos ao «gosto do público» e não para fazerem vénias a minorias pem pensantes. Ao falarem assim parece que esquecem o facto de uma das maiores invenções do século XX quase não servir para nada, edicando-se ao arbítrio sa publicidade e ao «estímulo» da líbido. Ao contrário do que dizem tais mercadores, sabe-se que o público se converte, no verdadeiro sentido ao produto de qualidade. Seria perfeitamente possível, no manejo das emissões e horas de presença, fazer com que os telespectadores reconhecessem o muito maior valor artístico (onde o entusiasmo do ver se confirma) da novela Olhos nos Olhos (imagem em cima) em confronto com subprodutos nefastos, em termos culturais e lúdicos, como Flor do Mar ou Feitiço do Amor, títulos que, só por si, confirmam o mais pindérico aceno ao teor marcantilista e de reles manipulação, por baixo, do chamado gosto popular.Flor do Mar não tem classificação. É um produto inadmissível para qualquer valência média de cultura e mesmo de apego ao jogo, ao entretenimento. Os operadores de escrita fazem o inominável em banalidade de texto e concepção grosseira de tipos: os personagens têm mil vezes na boca a pergunta de quem não percebeu bem («Desculpa?») ou respostas igualmente estereotipadas («É impressão tua»). Para actores de qualidade já uma direcção sem préstimo. Rogério Samora (Gaspar) faz porventura o pior papel da sua vida (e nem se sabe como disfrutam tanto este medíocre intérprete). A sua atitude (da Actors Studio?) de pôr e tirar os óculos tem momentos absolutamente risíveis. E esteve quase para improvisar o mesmo truque com uma desgraçada caneta. Provoca a hilariedade e o drama torna-se farsa. Gaspar grita em mais de 70% das suas falas, aliás como outros, levados na corrente dionisíaca. Mercês (C. Carvalheiro) faz uma tia que nem o piores momentos do teatro D. Maria serviriam para medida. É uma coscuvilheira compulsica e caricata. A Salomé (Paila L. Antunes, que deveria continuar a trabalhar a sua figura feminina e a graciosidade que ainda a serve) rasga-se toda em mulher má e ganaciosa, afogando as suas melhores qualidades e deixando em destaque a sua boca de lábios a contradizer a fulgor dos olhos. Além do mais, há canções a propósito e tudo e de nada, separadores paisagísticos, nehuma criatividade de registo, todo o abuso no Flash back. Aqui foi seguida à letra a pior das metodologias brasileiras, erro crasso de que os nosso geniais irmãos ainda não se libertaram. A telenovela brasileira tem de ser substituída por idêntico género, mas
em termos próprios do nosso tempo e numa dinâmica que não se leia como erro, errância, publicidade crassa. Aliás, nos seiados, nem sequer o Equador serve de exemplo: texto seco e pobre, cenas breves por conveniência, péssima direcção de actores, hieratismos ridículos. Aí nos cale uma boa produção, contextos de qualidade, e um razoável acerto da câmara.
sexta-feira, maio 01, 2009
PRIMEIRO DE MAIO, TRABALHADORES E PÂNTANOS


O Primeiro de Maio foi considerado o dia do trabalhador. Todos os anos aumenta o número de potenciais trabalhadores, enquanto tudo se multiplica inutilmente e as cidades industriais são tomadas pela poluição até níveis impensáveis, proibitivos, contrários à vida e ao respeito pelo nosso habitat, mesmo que pensemos em termos planetários. Os grandes países que caminham para a obstrução de tudo por tudo, subindo na soma absurda das taxas de crescimento, obrigam os operários e outros agentes da produção a recorrer à mecânica dos pedais e das bicicletas à medida que os carros entopem as vias e são sujeitos às mais diversas mutações híbridas. Um capitalismo sem medida e sem balança de estabilidade foi implodido de forma global, entre estrangulamentos de toda a ordem, desemprego alucinante, falências, crises de difícil saída. Apesar das tentativas para manter no futuro um Maio florido, hoje, em Lisboa, a multidão fazia o caminho do protesto. É notório o desencaminhamento de todos, incluindo a agressão a um candidato às eleições para a Europa, desvio sem sentido na pessoa considerada, de todo sem relação com os oportunistas da crise, em termos nacionais e mundiais.
sábado, abril 25, 2009
25 DE ABRIL OU A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS
quinta-feira, abril 23, 2009
OMNIA VANITAS OU A POLÍTICA VANDALIZADA
segunda-feira, abril 13, 2009
A FALA CORTANTE NA URGÊNCIA E FORÇA DA ARTE
segunda-feira, março 23, 2009
HÁ QUEM ENFRENTE A MORTE SIGNIFICANDO-A
quinta-feira, março 19, 2009
EM NOME DA VIDA OS DOGMAS DA MORTE
A Natureza, nas suas bondades e adversidades, coloca ao homem as mais inquietantes questões. O homem é um dos seres mais complexos deste espaço em que vive. Após milhões e milhões de anos de existências orgânicas, elementares, vegetando na Terra, a matéria viva multiplicou-se em diversidade, tamanhos, consistências grupais, conquistando espaço em força e formas híbridas de afirmação, de relação com o meio e as suas próprias engrenagens sem verdadeira utilidade. O homem acabou por se contituir, com pequenas diferenças morfológicas, no ser mais complexo e superior entre milhões de espécies, algumas mais possantes do que ele mesmo.sexta-feira, março 06, 2009
A ASSOMBRAÇÃO DAS NOSSAS INTELIGÊNCIAS
Chegou então uma espécie de apocalipse, político, social, de projecto: setecentos mil portugueses que viviam nas colónias, perante independências arrasadoras, tiveram de retornar a Portugal através de uma ponte aérea ou de outras formas, todas elas, em geral, reduzíveis a crónicas de horror, mágoa e lágrimas. Mas isso já não importava a pós-universitários, artistas de vanguarda, literatos, homens da resistência, vítimas de Salazar e da PIDE. Floresciam cravos, as finanças (ainda cegamente) esbanjavam sofridas «igualdades». Entre as bolhas de festa e os ricos logo mais ricos, a classe média, enviando os seus meninos à boleia dos combóios da Europa, para conhecerem gente e perderem a virgindade, acorriam ao Algarve pré-turístico; e em breve, como se vestissem plumas, viajavam por esse mundo fora, Brasil, Patagónia, Canárias, Espanha irmã, a França do Centro Pompidou. Aliás, e em geral, primeiro foi a Europa. E mais tarde coisas menos recorrentes - Tailândia, Índia, China, a própria Rússia. Uma das personalidades pós-emergentes, Pacheco Pereira, tirava férias (como num livro de mistério) para ancorar lá para os lados da Tetchénia, velando pelos restos da história nesses espaços tarkovskianos - e batendo, à chegada, em tudo o que fosse poder. No programa Flash Back, na rádio, ele interrompia tudo e todos, sem o menor sentido deontológico daquele espaço da palavra, lugar da livre expressão (o que não quer dizer desordem). Para interromper os companheiros desatava a dizer as primeiras palavras da sua interrupção. Assim, por exemplo: «Eles tiveram... Eles tiveram... Eles tiveram... Eles tiveram...» sempre até à ruptura e os outros abandonarem falas inacabadas. E então: «Eles tiveram os amigos debaixo de olho, bem mais apurado do que o olho do colega José de Magalhães (ainda não havia computador do mesmo nome): foram colocar-se atrás da cortina do PS, ouviram o palavreado esticado à direita, e desceram a plateia agitando bandeiras do PSD-PP. Os meus amigos sabem que, contra a retórica do pântano, essa atitude, em vez de demagógica, tinha toda a legitimidade revolucionária» «Está a brincar».«Não estou nada a brincar». Magalhães protesta. E o Pacheco: «Isso não interssa nada, não estamos a falar de informática, você informatiza a assembleia e ficamos submersos numa osmose de vírus». «Não é nada disso». «É. É. É. É.» Alguém conseguia falar: «Não é, não senhor, é um acto de arrogância e um reles desprezo pelos adversários políticos». «Mas eles disseram que, mas eles disseram que». «Que porra meus, senhores: o quadrado estava mesmo formado». Cada vez éramos menores, e os meios da comunicação sociais, quadrados e rombóides, geravam comentadores políticos por tudo quanto era canto, menos, em todo o caso, os treinadores de bancada do futebol e os Mao Tsé Tung das claques desportivas que já tinham farda, dragões, armas, associações e até sindicatos».
A polícia não sabia quem era esta gente mas já se sentia determinada a arranjar um sindicato. E os juízes também. Os juízes ajuizando devagar, entre montanhas de papel e nenhum computador. Não foi por acaso, além do mais, que Pacheco Pereira, tão badalado como Santana Lopes mas por outras razões, se meteu noutro quadrado, o do círculo, na televisão, onde funga mais lento, mais gordo, mais ancestral, arrastando as palavras numa espécie de cuspo contínuo que escapa da sua boca sem parar. O colega do CDS, companheiro indefectível, apanhou-lhe o barroquismo da retórica, tudo está mal, o Sócrates tem de ser investigado. Freeport anda no ar, foi mais um vírus criado para a época de eleições. Quando Sócrates acertava com o martelo na cabeça de um prego (ui!), eles andaram um pouco à nora. Agora aí está tudo de novo, bem preparado e a horas. As vozes dos corredores conventuais dizem que o Sócrates nunca teve ideias. Nem licenciatura. E é arrogante. Os tiros de barreira contra o governo, de gente que fez parte de não-governos, vieram acompanhar o básico (muito táctico-estratégico) de Ferreira Leite, ilustre senhora que comanda o PSD. No momento em que ela começou a balbuciar (nunca falou no déficit de 6.8) logo disse: «Este homem não tem estatura para primeiro ministro, gere a coisa pública ao contrário, será ele, não o salvador do país, mas o «coveiro» da Pátria.
Frases assim, maldosas e quadradas, pecam por ilusórias auto-estimas, a língua da senhora, daí em diante, já cortava a relva do governo rente ao chão - nada presta, nem os restos. Ela esquece as fracturas do seu partido, isso é coisa de outros, sinal do unanimismo. Discutem minudências na Assembleia, suspeitas, erros de contas, cêntimos a mais na algibeira daquele ou daquela. Uma palavra mais pesada. Os escândalos dos bancos BPN e do outro, dos ricos, BPP, onde foi descoberto um buraco negro que pode absorver tudo o que resta de nós. Manuela quer poupar, nada de obras públicas, uns biscates aqui e além, baixa de impostos, auxílio âs pequenas Empresas, pequenas Empresas, pequenas Empresas. O Rangel ruge por eles, um garoto aprendiz também, são o futuro do Partido. E o Sócrates já não sabe onde esconder tantos dos seus crimes, derrapagens, as ideias fogem e toda a gente diz que ele não faz nada nem há dinheiro para nada. A crise é global, mas o país devia ter previsto tudo porque tem bruxos para isso. Paulo Portas, de grande oratória e um tique de cabeça que parece vindo da Revolução Francesa (a do cinema, claro) está abaixo nas sondagens. Mas oprimeiro submarino onde ele gastou uma pipa de massa (era o TGV dele) vai servir-lhe para uma viagem inaugural, como capitão Nemo. António Costa responde aos parceiros. Os parceiros não sabem como se ouvir uns aos outros.
«Oiçam bem, não podem dizer que nada funciona. As leis são entregues ao Professor Cavaco e eles veta-as. É um direito que lhe cabe. Vá vetou oito Decretos-Lei. Cavaco, saindo da bruma dos seus tempos, agora conduzindo um Audi, continua a não ter dúvidas mas admite que por vezes se engana. Jerónimo, o vermelho desbotado da longa existência, mantém ordenadas as suas hostes e é bom de ver aquele comité central tão parecido com uma escola cheia de meninos atentos. O Bloco de esquerda não lhes quer nada. É um Bloco que começa na menina agrimensora, morena, de olhos escuros e palavra rápida, e termina, por agora, no púlpito do Louçã.» Que líder! Vão por ele, dizemos nós, irresponsáveis, porque o Bloco é que está a dar. É chic. É solto. E tem a grandeza de alma para declarar que, mesmo que ganhasse a maioria absoluta, não assumiria o poder. A sua vocação é a política. Mas a Ferreirinha do «Eixo do Mal»,onde, mais do que nas «Noites da Má Língua», acompanha uma gente alienígena que bolsa palavras como sopros de ar, ou vómitos retidos, vozes sobre vozes, esgares de crítica sem montante nem jusante, todos simpáticos mas sem perceber nada do boi de que falam. A Clarinha viaja e escreve bem: não devia estar naquela «Coreia» omde nunca se saberá, entre as coisas nada aceitáveis que os colegas dizem, quando surgirá UMA, uma ideia apenas, que saibam sintetizar e analisar. Aquilo assim é muito rasca e absolutamente tolo e absolutamente snob. Eixo fedorento.
texto segundo a voz popular e a rede política.
DE RECTÃNGULO A QUADRADO



