talvez um novo Prometeu
a sofrer um crescimento
que não inventou
nem pediu
nem reclamou.
Ela sabe guardar
os circuitos informáticos
e dar respostas
a palavra pensa a imagem


Parece que algumas das mais importantes personalidades do nosso meio artístico e cultural, zangadas com a mediocridade do país, a tacanhez dos gostos e dos governos, a falta de zelo pelas actividades artísticas, começam a ponderar o abandono deste lugar de tantos ostracismos, procurando o Brasil como terra para novos enquadramentos. Sempre tivemos este tipo de de exílios, dantes sobretudo para França, onde ainda hoje, ligados às artes plásticas e ao cinema, são referência gente como Maria de Medeiros, Bértholo, Lourdes de Castro. Coisa semelhante acontece com londres, cidade onde Paula Rego tem um ponto de ancoragem, entre outros, ou mesmo a Holanda, país arduamente escolhido por Maria Beatris para fazer carreira. Na semana passada lemos as queixas de Sousa Tavares, agora mais público e publicado, em rota de aterragem no Brasil, onde o tratam bem e não o conhecem nas ruas. Conheço engenheiros, homens de letras ou artistas, que emigraram para o Brasil, sem protecção de rectaguarda, pessoas que acabaram por voltar, não muito tempo depois, em face de se se sentirem discriminadas e repelidas polidamente pelas classes privilegiadas das grandes cidades, apesar do convívio, como altos quadros, que mantinham nas empresas com os sues homónimos. Pode ser que isto tenda a mudar. Sabemos de casos, de gente mais comum, que tem baterias de rectaguarda e não alimenta tanto a vontade de ir viver e morrer no Brasil, em nome de uma solução que a pátria desolada não lhes assegura minimamente, mesmo em Lisboa ou Porto. Maria João Pires, pianista de excelência, portuguesa por inteiro mas dotada de capacidades invulgares, talvez perto de geniais, louvada e aplaudida em muitos pontos do mundo, entre prémios, homenagens e audições históricas, é agora (também) um dos últimos casos de exílio no Brasil, país ao qual parece ter dito que pediria a respectiva nacionalidade. Trata-se de um agravo conhecido, que tem implicações mais pesadas do que as telúricas vontades de Sousa Tavares, desconfortos perante os políticos, governos, instituições desse domínio, todas e todos em geral acusados pela pianista de desleixo, a par de indiferença ou recusas quanto ao projecto que ela tinha em andamento - o Centro de Belgais (Castelo Branco), iniciativa que envolvia muito empenho de artistas portugueses e estrangeiros. Continuo a pensar que as figuras de decisivo recorte público, de grande talento e por vezes muito mediáticas, não são as mais indicadas para contraírem síndromas de impertinência no seu país, pois constituem, de facto, uma frente que tem meios de luta e que pode, inclusive, arrastar consigo admiradores, forças aumentadas, coligadas, capazes de fazerem exigências perturbantes de direito à cultura. Os anónimos, os que vivem no fundo do poço, pessoas correntes e de vida por vezes penosa, esses têm por vezes resistido (apesar da diáspora que nos representa no mundo) com sentido de associação, protesto, edificação de espaços produtivos por muitas áreas. Os artistas deveriam ter igualmente esta força, estão mais apoiados e para a sua mediatização nem sequer precisam traficar muito, como nos casos extremos, em que avançar pelas televisões é penoso, humilhante, mas conduz alguns carentes a conseguir no dia seguinte milhares de dadores de coisas várias, na grandeza e no infortúnio. Com isto não quero nem julgar nem condenar as opções de ninguém. Não é disso que se trata. A própria Maria João Pires, cuja rebeldia é amavelmente citada, cujos actos têm revelado posturas de sustentação e dignidade, também não pediu direitos de autor quando, em muito nova, preferia brincar trepando pelos telhados ou fazendo «coisas malucas». A liberdade de transgredir faz parte de certos direitos tendencialmente reconhecidos aos criadores de nomeada e em várias disciplinas de índole artística. Num filme conhecido, A Bela Impertinente, de Jacques Rivette, a irrequietude de um modelo feminino leva o pintor, segundo razões pessoais, a combater perante o corpo que lhe escapa e a memória de amor distante que deseja recuperar. Eu acho que o artista sai vencido, mas também sei que os nossos caprichos de representação, em torno de um real ou de uma lembrança dele, nada reconquistam, pouco constróem. Compreendo que a pintura de Frenhofer o levasse a desejar maior superação do cerco, metáfora que tantos de nós subscreveriam, e acho louvável que, apesar de tudo, o pintor da história tenha permanecido ali, ainda que transitoriamente. Por vezes, os anjos procuram-nos na morada habitual e não num endereço apagado.
Esta era a imagem de Michael Jackson quando do lançamento do vídeoclip Thriller, em 1984, obra considerada das melhores de todos os tempos. Não há sinais das borbulhas afirmadas na adolescência e o trabalho de imagem adequava-se à pujança dos meios vocais e do gesto, dança invulgar, indiciada por muitos dos ritos urbanos, sobretudo onde florescem diversas misturas rácicas e mitomanias assmbrosas. Fala-se de uma infância problemática, difícil, aliás bem cedo explorada pela própria família na dança e num tom vocal específico, preso também à vontade do próprio Jackson, menino de vocações exploráveis. Um articulista, ao falar desta época, intitula a sua prosa com o título «uma estrela à custa de cinto». Joe, o pai, não admitia falhas aos filhos e recorria à violência para lhe incutir um rigor fanático. O tempo levou esta figura, tão poderosa em Thriller, a uma estranha metamorfose, duvidosamente fundada em certa doença da pele, que empurrou o cantor e dançarino para um caminho alucinatório, por vezes fascinante mesmo sob o peso das suas marcas, das sucessivas operações ao corpo, à derme, às feições do rosto, um rosto enfim ocultável e patético, ilustração inquietante dos ídolos em decadência, dos vícios que entretanto os cerca de solidão e crises depressivas de grave recorte. Jackson não era um monstro e morreu de forma abrupta, sem recurso, tratado das mais diversas sequelas derivadas da sua vida e das lesões que provocava a si mesmo. Teria estranhos hábitos, na sua relação com crianças e bichos exóticos, assaz perigosos, que chegou a ter em casa, com ênfase. Que desejaria ele daquela sala onde, em determinada altura, coleccionou manequins que declarava serem os seus amigos? Metáfora contra a solidão? Resistência à exploração da indústria dos espectáculos? Mas ele próprio os queria assim, talvez sem os saber gerir com vontade bem activada, cultura e bom senso. Seja como for, sem falar em genealidade, o seu talento era insofismável e a sua obra fez história. Nada que justifique, para além do respeito que lhe é devido nesta hora, a hipertrofia dos processos megalómanos em que envolveram as cerimónias da sua despedida e da quase sacralização do ídolo. Assim nos enganamos cada vez mais, sendo certo que os actores dos grandes espectáculos passam ao futuro pelo estreito caminho do envelhecimento irreversível.O presidento Egípcio, Mubarak, adiantou dias atrás ter comunicado ao presidente dos EUA, Barak Obama, que «todas as crises no mundo árabe passam por Jerusalém». Esclareceu haver comunicado ao ministro israelita que as negociações sobre o estado definitivo dos territórios palestinianos deveriam ser imediatamente retomadas e no ponto em que foram interrompidas». Com efeito, as ideias anunciadas por Benjamin Netanyahu não respondem às epectativas da comunidade internacional, infirmam o próprio estatuto do Estado dos Palestiniamos e bloqueiam os dados imprescindíveis para a existência de pas naquela zona. O Egipto assinou acordos com Israel, em 1978, e a Jordánia em 1994. O Líbano e a Síria têm suspenso um processo de paz com Telavive, Pois esses dois países colocaram as mais sérias reservas ao conteúdo do discurso de Netanyahu. O modo com o estas personalidades têm encarado os «direitos» de Israel, ou aqueles que os combatem, legam à contemporaneidade uma das mais absurdas contendas em volta de arcaicas mitologias, como se a vida das pessoas pudesse ser tratada dessa maneira ou assim pirateada, aliás desde a instalação artificial e combinada dos judeus na terra segregada aos povos da região, na altura.
Tudo tem sido visto por orgãos internacionais, por vezes até em combinação com eles, o chamado milagre de desenvolvimento do Estado de Israel, não apenas à custa de engenho e arte, ou de domínio tecnológico, mas também pela guerra e, em nome da defesa, por expansão humana ou territorial. Judeus de Gush Emunin, em 1974, tomaram para sua insta~lação Sebatia, perto de Nablus (norte da Cisjordânia), fazendo aquilo que constitui o primeiro colonato ilegal no território palestiniano, nessa zona ocupada por Israel após a guerra de 1967. Além disso, a inclusão tocou a Jerusalém Oriental. Os israelitas ocuparam o Sinai e os Montes Golã. Com o decorrer do tempo, os colonatos (ilegais perante a lei internacional) multiplicaram-se com arrogância. As caravanas tomavam as colinas e aí emerguam casas, subsidiadas, integrando as melhores condições possíveis. De pólo a pólo, os pequenos povoados ganharam escala e demografia de autênticas cidades. Basta dizer que hoje são 300 mil só na Cisjordânia. Yizahak Samir (1992), depois de perder as eleições, chegou a confidaenciar que tencionava construir tanto e tanto que impedisse a devolução dos territórios aos palestinianos. Não haveria nada para resolver e é nisso que consiste a actual ameaça dos colonos. Há jeito de entendimentos com estes actos prepotentes e insensatos?
Pois então veja-se como Benjamin Netanyahu concebe as coisas: (publicado do Diário de Notícias em 16.06.09. O texto anterior baseia-se em trabalhos de Lumena Raposo)
Estado judaico: os palestinianos têm de recopnhecer Israel como nação judaica.
Garantias intenacionais:O Estado Palestiniano não pode ter exército, não pode controlar o seu espaço aéreo nem adquirir amas.
Jerusalém:Permanecerá a capital de Israel. Os palestinianos têm de abdicar da sua reivindicação à capital de Jerusalém Orientalk.
Colonoatos:Israel não construirá mais colonatos na Cisjordânia mas fica indiciado a autorização do denominado «crescimento natural» nos já existentes.
Direito ao regresso: O problema dos refugiados palestinianos tem de ser solucionado fora de Israel. (Milhões de refugiados palestinianos vivem em campos da Cisjordânia, Jordânia, Líbano, Síria e Faixa de Gaza)
Depois disto, sobretudo com este guião iniminável, parece que a Nação Judaica se prepara para vingar, com outro, o Holocausto que Hitler, não os palestinianos, lhe infligiram.