sexta-feira, fevereiro 12, 2010
RANGEL RANGENDO CONTRA AS CIRCUNSTÂNCIAS
domingo, fevereiro 07, 2010
OS VELHOS PADECIMENTOS DA NAÇÃO
Deixo cair o jornal no chão. Não havia nele nem um bocadinho de estrada, bem um bocadinho de brisa, só restava um princípio de náusea. Náusea, presumo, daquilo que nos vai rodeando a cabeça, presas as pernas e o tronco. Parecem consolidados os desconfortos da revolução institucionalizada, desencantos de um cerco «global» cuja invenção só podia ter saído de zarolhos utópicos. Desde o vamos cantando e rindo até o avante, camaradas, avante. O convívio e a partilha não são apenas actos de afecto, são também caminhos da inteligência associada à emoção/razão. Se uma pequena comunidade disputa um resto um resto de carapau ou a ordem de quem põe o caixote do lixo na rua, onde nem sequer é recolhido, a desgraça será ainda limitada mas já anuncia guerras como as do século XX. O que deveremos então pensar dos 127 países da União Europeia, agregados por tratados e alçapões, fingindo que acreditam numa ordem falsamente generalizável, apesar das brumas repetidas todos os anos, entre deveres, obrigações e dívidas? As fracturas estão à vista com a universal derrapagem do capitalismo (dos mercados), trafulhices bancárias em cascata, o colosso americano, sob o manto esperançoso de Obama, ficando por instantes de joelhos e com muita gente a mudar de casaca. Coisas da grandeza e da ganância, dir-se-á. Então e a velha Europa, estreita nos deslizamentos obscuros ou descarados, bem depressa a comparar o caso da Grécia com o de Portugal: um manga de alpaca da UE a bolçar para o mundo a esquemática parecença do que se passa nos dois países, acicatando os mercados (especuladores) a venderem e a comprarem restos da nossa última hepatite. A Alemanha e a França, entre perdões generosos desde 1948, depois das guerras que fizeram e de terem sido salvos por estrangeiros, criam agora os seus pactos de consistência, mais desenvolvimento, mais pompa em carros negros. E assim, embora por vezes não pareça, borrifam-se para quem ainda está fora da zona euro mas se alistou na Europa. Ou para outros, como nós, cuja «memória do esquecimento», embora queime a alma, não evita os devaneios crescentes das viagens em massa, de cultura e recreio, os consumos aberrantes, os negócios globais, a diluição progressiva da identidade de cada povo, a colonização redutora quase toda feita de hambúrgueres, de súbito um 11 de Setembro num tempo civilizacional cada vez mais onírico, a meio dos pântanos, tempestades naturais, céus tóxicos na consequência cega das indústrias vorazes e invasores.
«A CANGA»
Bordalo Pinheiro
Portugal, que ficou mais ou menos pobre depois da má gestão após os Descobrimentos, e mesmo durante esse período, nem sequer fez o nojo dos seus 9.000 mortos da chamada guerra colonial. Fecharam-se as bocas, rezam os velhos pais de um norte pedregoso e que, felizmente, ainda não se parece com a Madeira, enquanto Lisboa concentra todas as casacas virtuais de governos em bicos dos pés, mitigando a salvação dos desastres, por milhões de euros, junto de grandes escritórios de advogados, serviços caríssimos mas que ajudam a enconrir as multidões entrevadas dos ministérios, a aumentar a dívida, a omitir centenas de institutos cujos objectivos não são promulgados e nos quais praticamente ninguém acredita, pesar das carreiras públicas que por essa via pululam na capital. Para além do gesto rapace dos construtores civis e dos tais institutos mais ou menos obscuros, seria talvez útil, quanto à poupança decretada por Bruxelas, começar a extinguir tantas partes em que o governo se divide e multiplica, publicando o efeito de tais decisões e descarregando a papelada naquela Bélgica central em ordem á memória futura. Porque a justiça não vai tratar disso tão cedo, os dinheiros escassos passam-lhe ao lado, ao lado das secretárias, enquanto os juizes encapelados têem em diagonal 14.000 páginas de um só processo e continuam vinculados a morfologias e metodologias velhas, litúrgicas, insensatas. Por isso lá se afundou a Justiça numa paraplegia considerável, e basta, para se ver tal coisa, reparar na grande evidência fo Titanic/Casa Pia. E entretanto de nada nos serve ter um Primeiro Ministro com nome extraído da cultura clássica, Sócrates, igual ao do filósofo que inventou a Alegoria da Carverna. E não é que, entre ressonâncias ininteligíveis, viemos parar ao limite da mesma, sombras e sombras passando, golpes baixos ou altos, deitando por terra (ou quase) o governo, todos fazendo da luta partidária a mais grosseira das inconsciências sobre o respeito que nos devia merecer a história e a gestão das coisas. Se calhar é preciso inventar uma democracia que não viva de expedientes, de falsos cosmopolitismos sempre a virar em provincianismos. Sobre a simples vigilância e renovação da frota automóvel do Governo, os nossos escritores de televisão poderão, a todo o tempo, fazer romances dos caminhos secretos de muitas coisas. Dos carros aos caminhos secretos dos projectos, vida e morte dos sobreiros arrancados aos milhares, haveria muito a dizer sobre as comunicações e os monopólios das energias catastróficas, privadas, semi-privadas, geridas, como os bancos, na linha de dezenas de milhares de euros por mês, fora os prémios de milhões, fora aí de um património que não se sabe donde vem e para que serve. Melhor ainda seria pagar a dívida macionalizando as marinas do país, com apropriação «revolucionária» dos milhares emilhares de iates que por lá existem: vendidos aos países emergentes resolviam muitas coisas. E a dívida deles poderia ser paga em prestações suaves por um período de 300 anos. Isto resulta apenas de um breve diagnóstico da crise nacioanal (e do mundo). Mas eu não sou o Madina Carreira, cada vez mais parecido com o simpàtico Mr. Magoo, que arrasa tudo e todos, apoiado em mapas e gráficos, trabalhos de casa. Eu gosto muito de o ouvir, mas não chega a nenhum saber construtivo. Perguntaram-lhe outro dia: «então, perante essa situação, que resoluções tomaria para as resolver? E ele: «Eu? Eu deixava ir tudo abaixo, bater no fundo». E riu-se. É uma figura muito respeitada e não tem sonre as costas os boatos em volta do Primeiro Ministro, histórias obscuras que já permitiriam vários filmes policiais e mesmo de terror. Os títulos até são sugestivos. «Face Oculta» poderia tornar Portugal num país de magiais visitáveis. O nosso jornalismo, diz Sócrates, é de espreitar à fechadira. Ele acha que a privacidade tem de ser respeitada e as escutas e sua publicação vão contra esse direito. Mas o que se escreveu representa a imagem espreitada? E o som ouvido?
A MÁSCARA
aquecido e os parlamentos pirosos. Dos nossos deputados europeus, vejo-os mais por cá do que tenho notícias deles estarem lá. Enchem a televisão de balbúrdias, onde todos dizem todos o mesmo e ao mesmo tempo. O Ruído é inabalável. As flores da nossa mais funda reflexão passa pelas dezenas de comentadores políticos, sem nada para resolver o mal que acusam, com grande relevo para Rebelo de Sousa, Vitorino, o inefável Pacheco Pereira, esse também um pouco por todo o lado, à espera de que o PSD reapareça. Pacheco lidera A Quadratura do Círculo, mas por mero desprespeito pelas regras do diálogo. O Eixo do Mal, onde a gritaria atormenta a vizinhança, pode salvar-se da negatica pela prestação de Clara Ferreira Alves, naturalmente quando a deixam falar. Mas é um grupo engraçado, tolo mas engraçado, um grupo que ainda não percebeu estar em vias de se afundar a um sopro (atrás da fechadura) do Primeiuro Ministro. Mas enfim, salve-se quem puder. Falarei com a Clara quando todos estivermos no Inferno, onde teremos mais companhias: Louçã, Portas (por causado Independente), a líder Manuela Ferreira Leite (por causa da verdade rasutada), Sócrates (por ter descido o déficit) e falta ainda escolher um membro do Partido Comunista: o Comité Central insiste no colectivo. Vão todos.
segunda-feira, janeiro 11, 2010
FORMAS DE VER E VENCER A BATALHA DA VIDA
O meu interesse pelas novas gerações de actores passa por remotas experiências que fiz no teatro, mais tarde no aprofundamento da linguagem do cinema e nas técnicas de trabalho da telenovela, onde estudei o comportamento e o talento de alguns actores. Daniela Ruah tinha o meu apreço. E foi com muita admiração que segui o seu recente trajecto em Londres e nos Estados Unidas da América. Há em tudo uma grande capacidade de aventura, trabalho responsável, estudo e pragmatismo. Ela fala de ter seguido um sonho, mas os dados que nos revela, incluindo o «contrato» com os pais e o sentido de estratégia contribuem para sublinhar as formas de afirmação destes e de outros portugueses. Daniela preparou-se arduamente para sair do país, aprender na sua área, informando-se previamente de como passar as barreiras travadas no tempo. Ela insiste na estratégia e na definição de objectivos. Esforço e objectividade podem beneficiar, bem entendido, do factor sorte. Em relação à adaptação a um meio diferente, muito competitivo e dinâmico, a actriz não apouca o trabalho, em Portugal, nas novelas, campo onde se faz um treino próprio para a representação e ritmos de resposta. Em entrevista que concedeu à revista ÚNICA, salienta, entretanto, que nos Estados Unidos e no que importa à representação, não há trabalho mais exigente, quer nos horários, quer quanto à quantidade de cenas a gravar por dia. Em Portugal, chega-se a fazer 35 cenas. Na produção em que se encontra a trabalhar agora, Danuela Ruah actua apenas em cinco cenas, para 12 horas de gravação, ritmo que se assemelha mais ao do cinema, com mais atenção ao detalhe. No trabalho actual, a actriz tem um papel de inspectora (policial) e é curioso saber como adquire formação específica, tendo boas condições de agilidade e rápida adaptação ao uso de armas, às técnicas de visar alvos e de disparar. Quando preparava a sua ideia de trabalhar nos Estados Unidos da América, entregou-se por inteiro, durante dois anos, a um curso em Londres. Integrar-se numa nova cultura é bem complicado. Parte-se do princípio de que se conhece o essencial de um país, ou mesmo bem, mas isso só acontece se se viver nesse país, sujeitando-se às regras e pressões do meio. Quando foi para Nova Iorque sentiu que o tempo e os contactos com outros colegas haviam feito a diferença, percebeu que se encontrava mais aberta e fala mesmo de bem estar psicológico. O sistema de agentes e agências funciona, há muito trabalho, e um agente é mesmo indispensável para começar. Daniela é agora representada pela Gersh, uma das maiores agências de actores da América. Apesar de tudo, teve que cavar o chão à sua frente, apresentar sites da área e até colaborar em clipes, partilhar currículos, conseguir resultados na head Shot (foto de rosto), o que entra frequentemente em situações de casting. Um aspecto de que ela nos fala e mostra as diversas vertentes destes contextos de busca e aperfeiçoamento, refere-se à participação, sem remuneração, em pequenos filmes de colegas, entrar também nas sessões de leitura de argumentos cinematográficos. Num desses contactos, um director de casting acabou por, mais tarde, a lembrar e pedir a via de contacto através de Gresh. Daniela foi parar a uma produção de Geoge Lucas. Esta aventura reveste-se de factos e passos ganhos que a actriz venceu na medida em que percebera até que ponto interessa observar regras, oportunidades, tendo uma boa relação com as dinâmicas do meio. E a sua onda de entusiasmo leva-a a contar o trabalho com Linda Hunt, estar ali com aqueles actores de igual para igual. Daniel Ruah foi também questionada sobre a sua origem judia, a forma como vive com essa realidade, religião, aspectos, a siatuação actual. E conta coisas importantes de uma passagem por Israel, em casa de familiares, bem como a estranheza de um povo que vive plenamente a vida mas não se desliga do medo, da violência inesperada, de como encaram o presente e o futuro. Numa simples fala intercalada em muitas outras, e a este respeito, Daniela comenta: «Entristece-me profundamente não ver como se possa dialogar com uma formação radical e terrorista como o Hamas, que tem por único objectivo aniquilar Israel. De resto, o maior objectivo deles é mesmo o de ocupar o mundo.
Dados, citações e referências da entrevista concedida à revis única,
Bernardo Mendonça e Raquel Albuquerque
A IRRELEVÂNCIA DOS MEROS CONTEXTUALISTAS
«Em Paris, discute-se a subida ao panteão de Albert Camus, morto há 5o anos. O debate, centrado nas acusações de aproveitamento político, ilude uma evidência, a de que Camus já não pesa no cânone literário. Na adolescência, imitei milhões e li-o de ponta a ponta com constante facínio. Hoje, nama de recorda a respectiva existência. Embora a lucidez (e o talento) o distanciassem dos intelectuais da sua geração e lugar, paradigmas da subserviência a totalitarismos, a verdade é que o «contexto» tem um preço, e que Camus paga com a própria irrelevância a merecida irrelevância de uma certa França» (Alberto Gonçalves 9.01.10)
Não é possível ler os efeitos deste azedume, em pleno equívoco, sem sentir um arrepio de pavor, percebendo a cega intenção de apagar da história as grandes vozes que ultrapassam contextos e ficam suspensas, até à morte dos homens, solidária com eles, no tecto do mundo. A temporalidade grosseira desta apontamento, a insinuação da queda na verdadeira ascese do livro com o mesmo nome, de Camus, tudo isso serviu para apontar o escritor como irrelevante, tocado apenas de uma lucidez que não passava de talento, que a irrelevância se paga caro, como a que acabámos de ler, sobretudo quando ela nos é dita na espuma da mediocridade e falsamente ancorada no esquecimento da irrelevância de uma certa França. O sinal de uma obscura ideologia aparece subjacente a quem diz que imitou milhões de vezes Camus, lendo-o de ponta a ponta com constante fascínio. O adolescente que se declara, hoje, enganado com tanto fascínio era por certo um pré-mutante incapaz de discernir a universalidade sólida dos grandes escritores com a leveza incolor de outros paradigmas. Porque alguém que leu anos a fio lbert Camus e o declara hoja que nada lhe recorda a respectiva existência, é certamente um fragmento de gelo (circunstancial) descendo da fria Árctica. Se a bruxelante França se entretem a arrematar o preço para fazer subir Camus ao Panteão, é certamente porque perdeu génio e amor próprio, coisas do degelo. Se alguma vez Camus esteve distanciado «dos intelectuais da sua geração e lugar, paradigmas da subserviência a totalitarismos, a verdade é que o «contexto» tem um preço, e que Camus paga a própria irrelevância a merecida irrelevância de uma certa França». Em toda esta ambiguidade, há aqui uma pontinha do véu a erguer-se da renúncia rasteira. Camus escolheu um certo exílio para de afastar de um certo reino, pujante na altura em que escreveu A Peste e nos falou de Oran, uma cidade sem pombos. Essa obra pertende ao património superior da humanidade, intemporaliza-se, e ele um dos autores de sempre, com uma das mais influentes obras que tocaram as gerações do pós-guerra, quer pelo seu arrebatador valor humanístico, quer pela lúcida poética com que desenvolve a crítica dos homens e da vida, nessa escrita da inquietação muitas vezes pacificada, brilando na pureza e sobriedade do estilo. É certo que a obra de Camus tece as suas ancoragens no nosso tempo surdo, mas a forma como daí se projectou no futuro, talvez espelhando Sisifo e Prometeu, tornou-a destinada a ultrapassar os limites da época. Maria ainda o olha através das lágrimas, porque ela sabia o que via aquele homem repousando de costas nas águas mornas e com os olhos cheios de azul.............................
Felizmente, O CCB homegeia Albert Camus, Prémio Nobel, 50 anos depois da sua morte. Mega Ferreira considera que a grande questão que atravessou o pensamento do escritor é a liberdade, sendo essa uma das razões que tornam a sua obra intemporal. Aqui se refere a vida plítica activa de Camus, posições polémicas, protesto à esquerda por causa da guerra da Argélia. Mas a condição humana vai mais além, no que escreve sobre a estranheza dela e sobre o absurdo. O seu «grande contributo consiste na forma como soube mostrar que o essencial é a coragem de enfrentar os valores dominantes sempre que eles são contra a moral»..F
terça-feira, janeiro 05, 2010
50 ANOS DEPOIS DA MORTE DE ALBERT CAMUS
A verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao presente
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sábado, dezembro 19, 2009
IMAGENS DE ALGUNS FILMES DE ELIA KAZAN
ELIA KAZAN: PORQUE NÃO DEVEMOS ESQUECÊ-LO
sábado, dezembro 12, 2009
VEJA PACHECO ESCRITO POR EÇA DE QUEIROZ
quarta-feira, dezembro 09, 2009
COPENHAGA, ADIAMENTO DA NOSSA ESPERANÇA
terça-feira, dezembro 08, 2009
INSTRUMENTO ESTRUTURAL DO HOLOCAUSTO
Estas pessoas sobreviveram ao gelo da morte, ao fogo do inferno, às cinzas poluentes que se libertavam de certas chaminés e a certas horas. São o testemunho para a história futura dessa ignomínia a que se chamou o Holocausto. É uma questão da História lembrar que, na altura em que o Supremo Comandante das Forças Aliadas durante a II Guerra Mundial, General Dwight D. Eisenhower, encontrou as vítimas dos campos de concentração, logo estabeleceu um plano de registo exaustivo das pessoas, lugares, testemunhos, através de fotografias, filmes e gravações. E fez mais. Fez com que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados até aqueles campos para que pudessem ser testemunhos vivos dos acontecimentos, participando, inclusive, nos trabalhos de enterramento dos mortos. Eisenhower pensava que esta operação era fundamental: ter o máximo de documentos, tanto pela importância deles em si como para lutar contra aqueles que, em algum momento ao longo da história, tentassem lavar os restos do horror, dizendo que tudo aquilo nunca acontecera. Foi um homem avisado, o general, pois passaram apenas 60 anos sobre a guerra e já apareceram os sinais da negação. Quanto ao problema do mal, justamente nesta dimensão preventiva, é bom relembrar o que disse Edmund Burk: «tudo o que é necessário para o triunfo do mal é que os homens de bem nada façam».
Os prolemas da realidade actual começam a ser atravessados por tais memórias e a desencadear litígios na própia Europa, entre questões religiosas, rácicas e da emigração. O Irão, entre outros países, tem vindo a sustentar que o Holocausto não passa de um mito. Num tempo de globalização, com redes comunicacionais em grande escala, a tese do apagamento de certos factos é bem revelador de quanto importa tratar a fundo do património da humanidade, a todos os níveis. É incomportável ver a destruição de monumentos fundamentais na história do mundo, a tiro de canhão, como quem procura, como os talibãs, estabelecer à sua volta comunidades destituidas do sentido de civilização.
O email distribuido na internet a cerca de 40 milhões de pessoas é uma tentativa de preservar a verdade histórica e os valores civilizacionais por que nos batemos.
Esta atitude é um sintoma assustador, sinal do medo que está a atingir o mundo e quão
facilmente cada país se pode deixar arrastar.
Mas é bem certo que a memória não pode ser destruída, nem por grupos terroristas, nem por teocracias que misturam até ao sangue falsos dogmas religiosos com as convenções políticas menos esclarecidas. A verdade é que, pelo plano dos campos de concentração, sabe-se hoje com propriedade que foram mortos 6 milhões de judeus, 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos e cerca de 1900 padres. Os instrumentos de morte foram conservados, num esforço de significar no futuro a irracionalidade que eles representaram e a sua pérfida geometria, ligações ferroviárias aos pontos, longínquos ou não, de recolha de gente abater. E é pena qus meios da comunicação social, hoje, passem tão ligeiramente por factos ocorridos em África, nomeadamente a guerra entre dois países, por oposição étnica, donde resultaram, em dois meses, a morte de 800.000 pessoas. Onde se colocam estes números? Quem os limpa das próprias escolas africanas?
segunda-feira, novembro 23, 2009
ARTE POR DÉCADAS RESULTA NUM VER REDUTOR
segunda-feira, novembro 09, 2009
O MURO DE BERLIM CAIU HÁ VINTE ANOS

As condições históricas e políticas que permitiram a destruição, a céu aberto, do medo de décadas, pairavam entre murmúrios a propósito de perestroika, o muro parecia assim ter uma morte anunciada mas não esperada para tão cedo. Porque, num passado nem sequer longínquo, nos anos 70, ainda se falava a Leste da queda do capitalismo. E naqueles dias, após a derrocada consentida e tomada como resultado político de um verdadeiro desanuviamento, cerca de três milhões de cidadãos da RDA passaram para Berlim Ocidental. As ditaduras comunistas da Europa depressa, e por sua fez, foram caindo uma após outra. Dois anos depois acabou a própria União Soviética, soltando-se algumas vozesduras que anunciavam um difícil fim da história. Rui Ramos, historiador, pergunta (na revista Sábado): «Como foi possível? E sobretudo, porque é que ninguém o antecipou?»
terça-feira, novembro 03, 2009
E SE UM DIA O HOMEM EMIGRASSE PARA OS CÉUS?
Hoje, apesar dos devaneios insanáveis e das assimetrias assim geradas, tendo em conta o aumento exponencial do quadro demográfico dos povos e os erros de confundir crescimento com desenvolvimento, os organismos mundiais de maior responsabilidade tentam atenuar o famoso efeito de estufa, prever ricochetes tormentosos, investigar alternativas, ponderar as formas de contrair as cargas monumentais de CO2 atiradas para os céus que nos protegiam e garantiam a vida. Porque também a água começa a faltar e os gelos a descer dos polos, provocando um aumento aterrador do volume dos oceanos, mais sete metros no seu nível, daqui a uns séculos curtíssimos, tudo isso configurando as circunstâncias que obrigam a recuar, a redireccionar energias, projectos, falsas necessidades. A catástrofe do sistema orgânico das estruturas fnanceiras, aviso brutal de que ainda estamos a mastigar as consequências, precisa de uma prevenção muito ampla, revisão de mercados e sua regulação. Tais medidas são gotas de água no oceano, as sociedades querem ainda iludir-se com limpezas de superfície, continuarem ricas, permanecerem reféns de uma absurda ideia da deificação para a eternidade do milionésimo de segundo a que nos reduzimos.
Os profetas do século XIX, e sobretudo do século XX, têm sido os cientistas e escritores da literatura de ficção científica. Hoje prevêem cada vez com maior base de conhecimentos e segundo metodologias de áreas como as da biologia, geologia, física quântica, antropologia, entre outras. E já acertaram demasiadas vezes para serem apenas encerrados nos campos do entretenimento. A viagem para o espaço, com as rudimentares caravelas de que dispomos, já começou. A comunicação automatizada à distância permite-nos conhecer de perto astros dentro e fora do nosso sistema solar. Estamos mesmo numa fase na qual se tornou possível descobrir planetas remotos, mais de 400, e daqui a pouco saberemos o que são e como são. Continuamos, contudo, ligados a propulsões quase caricatas, não há rotina à vista, nem velocidades de cruzeiro. Seja como for, a mística instalou-se, de forma distorcida e de forma plausível: o homem tende a desejar conhecer o Universo visto de outras perspectivas, capacitando-se de como será possível, um dia, enviar emigrantes humanos para o espaço com algumas probabilidades de ultrapassar tal destino de um milionésimo de segundo de eternidade.
Olhando para o módulo lunar do Projecto Apolo, o insólito da imagem sobre a Lua, com a Terra brevemente em fundo, altera muita coisa em termos de imaginário. Mesmo quando sorrimos para o design cacofónico destas peças mitigadas, tão claustrofóbicas como as cascas de nóz em que os povos antigos navegaram longamente, para conhecerem onde viviam e o que poderiam esperar do futuro, o nosso espírito agita-se. Após o desaparecimentos de milhões de pessoas, uma geração qualquer, num amanhã indescortinável, poderá assistir à partida sem retorno, em direcção a pontos fora do Sistema Solar, de grupos protésicos de novos «argonautas».
quinta-feira, outubro 29, 2009
TALIBÃS: NEM GUERRA SANTA NEM CONSCIÊNCIA
Esta grande mancha de sangue e de terror que alastra por toda aquela região, incluindo, além do Paquistão, o Iraque, o Afeganistão e o Irão, sem falar da eterna crise do Médio Oriente, é uma aventura sem retorno e praticamente impossível de legitimar perante a irracionalidade dos talibãs. A guerra santa é, sobretudo, uma guerra cega, um vazio cultural profundo, nem se pode resumir a qualquer proposta ideológica, territorial ou civilizacional. As crianças são usadas como combatentes forçados, manipuladas das formas mais abjectas, tudo em nome de causas difusas e objectivos enviezados. Contra a audição da música, dos cânticos, os talibãs incitaram as crianças a uma escola concentrada na memorização do Corão. Uma sociedade pensada assim, em que as artes não podem ter expressão nem audiência, é um «buraco negro» insuperável, sem estatuto humano e civilizacional. «Não há civilização sem arte.»
terça-feira, outubro 27, 2009
VISITAÇÃO À VOZ HUMANÍSSIMA DE LOBO ANTUNES
Nesse sentido posso aceitar a definição. De facto, ao longo da minha vida tenho sistematicamente cortado os pescoços que se interpõem entre mim e os livros, e às vezes tenho a sensação de ser uma galinha que protege os ovos. Os ovos neste caso são os livres, evidentemente. Os livros, o tempo para escrever e a disponibilidade para isso.
Uma questão de método, a entrega, a precisão e o tempo:
Sabe, quando estou com um livro, é uma questão de método. Sempre. Começo às nove e meia/dez horas, acabo à uma, recomeço. E isto todos os dias, até o livro estar pronto.
Isso não é muito esgotante?
Sobre a escrita, a folha em branco, sofrer a escrita:
Sobre o tempo para a leitura em tais períodos:
Leio todos os dias, sim, para aprender. Eu continuo sem saber nada do que é escrever, e tenho a impressão, quando estou a escrever, a trabalhar, de me parecer que sou uma criança cega, a tropeçar às escuras num caminho que não conhece.»

Saber escrever, o orgulho de escrever, que modéstia?
SARAMGO CONTINUA REFÉM DA BÍBLIA E AFINS
Até porque, ao receber aqui comentários sobre o assunto, a verdade, como diz um bloguista, é que muitas pessoas acusam Saramago de falta de verdadeiro saber sobre a história das religiões, com falhas graves em teologia. Cito: «...ele não consegue sair de um ateísmo atávico, que ainda toma o cristianismo católico como um "inimigo de classe", sem ter nenhuma da profundidade diagnóstica com que, por exemplo Nietzche aferiu a cristianização da civilização ocidental».
Este depoimento é de um «cibernauta» que se declara não cristão e que, sobre o acto de Caim, esclarece: «Caim é filho do Anjo e de Eva, e não de Adão. O homicídio é-lhe ordenado, para que na prole adâmica se pertetue o "sangue" dos Anjos, forçados a abandonar o Éden e a humanidade. Caim não foi uma criatura vil, muito pelo contrário. Foi um "construtor de cidades», simbolismo de protector dos homens e da civilização (...) Caim tmou mulher, e não foi uma irmã. Adão e Eva e seus filhos nunca foram os únicos humanos; a sua "criação" é uma escolha: um par humano foi conduzido ao Éden para lher ser ensinada a sabedoria, A criação do mundo e do homem ocorreu muito antes. O período edénico corresponde ao da edificação da civilização humana, na antiga Suméria, cujos rios, Tigre e Eufrates, são indicados no livro do Génesis»
Este colaborador da blogosfera («Klatuu») sustenta ainda que o Antigo Testamento, muito deformado por delírios da Igreja católica ao longos dos tempos, pouco tem de fantástico, relata factos históricos, a maioria comprováveis.
«Não me perguntem o que são os Anjos, mas posso garantir-vos que não são feitos de diáfano algodão doce com asinhas». Além do mais, este correspondente, insiste que «além de que sob o ponto de civilizacional, se Deus existe ou não é irrelevante. Nenhum crente tem essa certeza, tem sim essa esperança. E mesmo com "Deus morto", todas as civilizações humanas continuam sustentadas num chão religioso. É inútil combater isso como combater o Darwinismo. O caminho é impedir que toda a forma de estupidez e fanatismo destruam a civilização. Mesmo Marx viu alguma utilidade social (ainda que temporária ) na religião... sem esse "ópio" com o qual resolveríamos a angústia do homem comum, pois se nem duas refeições por dia conseguimos dar a todos os homens espalhados pelo mundo.»

a essas mesmas coisas
terça-feira, outubro 20, 2009
SARAMAGO, BRUEGHEL, AS RELIGIÕES E O PAPA
Mas demos a voz a José Saramago, Nobel da literatura: «...sem a Bíblia seríamos outras pessoas. Provavelmente melhores». Citando o artigo de João Céu e Silva, do Diário de Notícias, Saramago terá endurecido a voz depois das peimeiras considerações: «Não percebo como é que a Bíblia se tornou guia espiritual. Está cheia de horrores, incestos, traições, carnificinas» O escritor considera que «Caim» «é uma espécie de insurreição em forma de livro». Um trabalho de reflexão para outros reflectirem através dele. O problema vale o esforço dos leitores, mas, pela minha parte, continuo a entender que a escrita de Saramago, ao disciplinar-se, carpinteirada por «nivelamento», não nos arranca a entrega como acontecia nessa obra excepcional que se chama «Levantados do chão». O tema (e os temas assim desencadeados) exigiriam, sem barbarismo, algo que nunca se parecesse com um relatório. Ou então o mais estrito dos relatórios. «Nós somos manipulados todos os dias. - declarou o escritor - Temos de lutar contra isso» O problema não questiona Deus, «até porque ele não existe». O problema estende-se às religiões, «porque não servem para aproximar as pessoas nem nunca serviram».
Perante a atitude da Igreja, um outro comentário: «O que me surpreende é a frivolidade dos senhores da Igreja. Não leram o livro e vieram logo, com insólita rapidez, derramar-se em opiniões e desqualificações. Como falta de seriedade intelectual, não se poderia esperar pior. Compreendo que tenham de ganhar o seu pão, mas não é necessário rebaixarem-se a este ponto». Os comentadores da igreja entenderam como ingénua a leitura que Saramago faz da Bíblia: e ele responde «abençoada ingenuidade que me permitiu ler o que lá está e não qualquer operação de prestidigitação, dessas em que a exegese é pródiga, forçando as palavras a dizerem apenas o que interessa à Igreja. Leio e falo sobre o que leio. Para mistificações não contem comigo».
São, de uma forma geral e segundo a sua estratégia, pertinentes estas observações. O pior é que Saramago não deixa de criar divagações que facilmente se prestam aos tais ditos de ingenuidade ou de falta de capacidade para aprofundar os mitos, a sua natureza, e o espaço que abriam ou fechavam nas suas épocas de contexto. No meu livro «A Culpa de Deus» senti o peso dessa experiência, mesmo quando transcrevi alguns salmos à letra. Mas quem medita e escreve sobre esta problemática tem de contar com a poeira e os véus dos milénios. O meu problema era levar um personagem de cultura pluridisciplinar a visitar, sob vários critétrios que guardava para si, os lugares onde, dizia ele, havia mais probabilidade de Deus te deixado alguns sinais -- justamente os lugares da miséria, do sofrimento, da morte adiada. Quem fizer este exercício nunca pode convocar a Bíblia sem desmontar a ausência de sentido ou de respostas após cada inútil mortandade, que papel teria ocupado «naqueles tempos» tão continuadas e absurdas narrativas, horas da obediência à morte dos filhos em nome dos deuses, épocas onde os erros do mero mimetismo acumulavam os mais assombrosos genocídios. Em «O Evangelho segundo Jesus Cristo», o escritor pouco mais realiza do que transformar, em memória da Bíblia e dos Evangelhos, um personagem do seu próprio desejo, na sua invenção de maravilhoso sobre uma estrutura trágica e dearticulada. E, no entanto, o tema dos Evangelhos, esse sim, candente, contém matéria para desmentir, para revelar paradoxos e contradições, aliás num campo onde a linguagem de Cristo é matéria de questionação e de comparação com tradições a montante. Os Evangelhos não revelam nada, não servem para nada, apesar de alguma da sua poética e de frases atribuídas a Cristo lembrarem uma possível teatralização beckettiana. Cristo diz, plácido e maquinal: «Levanta-te e anda». Lázaro, morto, obedeceu, todos viram. Beckett, em «À Espera de Godot», repete a ansiedade de um personagem que queria sair do lugar onde esperava por «Deus» eternamente, sem que ele atendesse ao compromisso. O amigo do personagem fóbico. a cada proposta de partir («Vamos embora») apenas responde: Não podemos, estamos à espera de Godot».
Todos nós, afinal, estamos ainda naquela situação, esperando um sentido onde não há sentido nenhum, impotentes para travar a geminação sangrenta do poder religioso com o poder político. Deus poderá mudar de nome, mas a manipulação é a mesma para a qual José Saramago chama a nossa desamparada atenção. E não vale a pena perguntar, como Hitler sobre Paris, «A Palestina já está a arder?» Os que se fazem explodir na praça pública, talvez na mais horrível e demagógica forma de combater, acreditam nos sinais de Deus, decoraram os textos sagrados e entregam-se ao martírio poque já não conseguem ver o real à sua volta, porventura outra mentira que nos vem do ser e do nada.
quinta-feira, outubro 08, 2009
ARRUADAS E ARRUADORES, ENTRE ARRUFADAS
Do fundo do velho baú, vieram outros símbolos, cito apenas Eufémia, Eufémia patrona dos clandestinos e dos desvalidos nas searas, alentejana longe, morta com um tiro e uma foice de veneração, esquerdas entre esquerdas, a Fonte Luminosa no golpe de virar páginas, intentonas e golpes reaccionários, os pequenos partidos tresmalhados nas colinas da glória vã, E o 25 de Novembro pela noite, em nome de uma qualquer reacção, crispações provisórias, crenças e novos amanhãs, tudo isso e muito mais que não passa de sumário, sem falar sequer no retorno das guerras de África ou no retorno e populações de Angola e Moçambique, um terror súbito na desnecessidade daquele fazer de conta que Portugal, após catorze anos de atraso, alinhava pelas vanguardas. Franz Fanon, amigo das descolonizações, pressentiu que o vão entre a pré-história e a contemporaneidade era vasto demais para súbitos actos de fé. Pela nossa parte, hoje, sabemos como foi pior a emenda do que o soneto.
A derrocada do Capital minou o mundo inteiro, abriu as entranhas das maiores patifarias, e já todos se acomodam para arranjar a casa da mesma maneira, depois de limpar a água suja da cheia. Ninguém aprende a urgência de se começar a terraplanagem do planeta das cidades mamutianas, tumores em Metrópoles babélicas, contra os crescimentos a todo o custo e em nome de um Outro Projecto. Tal operação levará mais de um século, mas o minimalismo resultante não significa a súbita passagem à dieta mais rdaical e a mera dedicação a plantar flores, vivendo o grande povo só assim. Mas também não tem jeito, perante a fome no mundo, que se derramem niagaras de leite no asfalto e se congelem milhões de toneladas de manteiga só para protecção de certas fortunas. O mundo da chantagem e do insulto, na obscuridade das corrupções a fingir e a sério, arrebatou a nossa gente, deputados da Assembleia também, comentadores súbitos, como congumelos, intelectuais cheios de empáfia, à esquerda e à direita, televisões arreliadas cuja liberdade não reconhece aos outros o menor comentário público de desagravo, e assim por diante, ministros sob metralha, todos maus, todos erráticos, estes, os anteriores e os futuros, como nas autarquias e nos arranjos que atravessam, num fervilhar de plena impunidade a par de grandes exemplos de trabalho sensato e colectivo. Há quem agtrevesse as malhas da lei, só da lei, porque a douta justiça, apesar de algumas pitadas de modernidade, quase deixou de funcionar, presa sob os escombros da sua independência olímpica, da sua liturgia, através de processos com mais de cinquenat mil palavras atrasando alguma ideia informática para desencarcerar juizes e ajudantes, paquetes e ouvidores a fingir.
O PS, que se espalhara nas europeias, lá ganhou as legislativas, passando a capa ao PSD que já se aprestava para outro triunfo, sob o manto respeitoso da Senhora Ferreira Leite, poupada, pouco arruada, sabendo muito bem gerir os espaços em branco do seu esplendoroso programa. Nada disto tem sentido, porque esta gente já devia ter sido substituída e as regras apertadas, sem arruadores nem arruadas. Como é que se governa assim, aos pingos de uma palavra consensual por cada tarde? Mas eles estão todos nessa. O país passa-lhes ao lado. O PS, traumatizado de há pouco, inclusive pela própria maioria absoluta, já anunciou (ninguém ouviu nem acredita) que falará com todos os partidos a fim de preparar os métodos da governação. Há fadistas dos antigos e dos modernos por ali, o costume, e de resto o Partido, em vez de aceitar a onda do Fado Património Universal, ainda escolhe sobretudo melodias de filmes e de nada lhe serve ter bons faladores, porque os do outro lado da mesa há décadas que são os soberanos interruptores. O Pacheco repete palavras para interromper e acaba com os outros, num instante, abrupto, quadrado, circular e fiel indefectível ao PSD. Ajudou a nova (?) líder do Partido (dizem que social democrata), Dra Manuela Ferreira Leite, ex-ministra das Finanças e da Educação, de obra pouco apreciada e mostrando-se agora inimiga de muita gente, Sócrates como o pior de todos. Se tivesse ganho as eleições, mesmo em minoria, era certo e sabido que, sem ligar a ninguém, acamparia junto das micro, pequenas e médias empresas, o Portugal profundo que diz conhecer. A senhora é sintética e não parece ter pendor para as «arruadas». Aborrecera o Santana Lopes mas corrobora a sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa. De resto, pelo menos até Maio, tratará da sua sucessão com a voz de Rangel, penso eu de que, mas o rapaz é muito novo, embora avantajado e aguerrido, pessoa de oratórias e retóricas maldosamente falhando os alvos ou fazendo vítimas inocentes. Não é de tal palavreado que precisamos, pois o PREC não se repete, nem à esquerda nem à direita - pode é ser pior.
E há quem diga que a «festa» está para durar, mais para o lado da Free-Port e dos Submarinos do que relativamente a pactos sérios para ordenar o país e as suas harmonias latentes. A seguir às autárquicas (onde ninguém ganhará, mais uma vez, porque não é disso que se trata) começará logo a ronda das presidenciais. Há muitas figuras reflectindo. E dizem que já está como certa a referencia histórica cujo nome de poeta é Manuel Alegre.
Depois disto, agora que já tenho setenta anos, vou empreender uma micro empresa com papel e lápis. O país requer esse esforço. Muito obrigado, senhor Primeiro Ministro, não preciso de nenhum crédito, mas espero continuar esquecido e pagar apenas o IRS.
