sábado, maio 15, 2010
VERDADEIRA REFERÊNCIA DE UMA GERAÇÃO
terça-feira, maio 11, 2010
PORTUGAL DE JOELHOS: CHEGOU BENTO XVI
Chegou o Papa Bento XVI. Vem em visita pastoral, dizer missa no Terreiro do Paço, viajar para Fátima, contemplar o Porto. Isto espanta. Porque de manhã visitou os Jerónimos, rezou durante dez segundos e voltou à vida social que o rodeava. Comeu frugalmente, segundo dizem. Mas o luxo das liturgias e dos altares construídos de propósito só para uma missa, um aceno, a benção capaz de salpicar um milhão de pessoas em Fátima. Ou no Porto. Que significa isto no século XX. A Igreja não muda de modelo nem peda a ajuda de um designer da ruptura. Quantos Papamóveis existirão no mundo. Porque é que o Santo Padre não visita uma aldeia nordestina apoiado num animal em vias de extinção, um animal humilde e amigo como o burro. Nunca mais se esqueceria esse pontificado. Estas visitas imperiais esquecem-se umas às outras. José R. Almeida, na revista Notícia, escreveu assim, sob o título Mafia e Vaticano: «O celibato tornou-se obrigatório no clero católico a partir de 1537, no papado de Gregório VII. De acordo com a lei canónica, o voto de celibato é quebrado quando o padre se casa, mas não necesariamente quando este tem relações sexuais ocasionais. Haverá, então, que alterar a lei canónica e metê-la na lei civil para que não haja trânsfugas pedófilos nas dioceses dos EUA, Irlanda e agora Alemanha, Holanda, etc. O bispo holandês John Magee encobriu actos homosexuais e pedófilos, mas com este currículo foi secretário pessoal de três papas: Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II. O Vaticano, quando slecciona os seus secretários, não sabe dos seus currículos? O actual papa, Bento XVI, não soube dos crimes preticado pelo padre Lawrence Murfhy, que terá abusado de duzentas crianças surdas (New York Times)? E diz o nosso cardial José Saraiva Martins que "não se lava roupa suja em público!" O Vaticano está a viver nula aldeia global pedófila e quer convocar um sínodo. Que o convoque e com urgância! Tudo isto é fastidioso e velho. Venha o padre Fontes para papa e as mulheres para bispos! E assim seja. Amém.»
Transcrevi um texto que não escreveria (se calhar escreveria bem mais duramente e fazendo outras perguntas, além das citadas) mas o testemunho revela um estado de espírito que não parece tolerar mais do mesmo, entre manchas oleosas num pântano a apoderecer. Fica aqui a ideia da mudança destas malogradas repetições imperialistas de um cerimonial que já não deveria ser o da Igreja Católica, deixando, enfim, cair o Romana.
quarta-feira, abril 28, 2010
AGÊNCIAS DE NOTAÇÃO FINANCEIRA OU DEUS
Tudo está sendo embrulhado em muretes e muralhas e entidades surgidas não se sabe de onde, comandadas não se entende como, com tabelas em computador, analisando estatíscas ou informações obtidas a distância. Portugal não tem que ser metido na alhada europeia toda ou noutras alhadas a Ocidente e a Oriente. E digo isto porque as leis tratadistas em que nos embrulham superam o que foi negociado em Lisboa, sendo as assimetrias na Europa cada fez mais despudoradas, desde as longínquas calibragens de frutos, orientações exteriores à memória histórica e cultural do país, abate de grande parte da frota de pesca, da agricultura que nem sequer bolia com a francesa, tudo assim, ensarilhado em orgãos majestáticos de enorme luxúria de meios e pouco entendimento das periferias, das populações ou dos ventos que sopram colonialmente sobre as nossas pobres imitações de cosmopolitismo, ideia decadente em si mesma.
quinta-feira, abril 15, 2010
AS CITAÇÕES DITADAS AO NOSSO QUOTIDIANO
de PLUMA CAPRICHOSA
Clara Ferreira Alves
ÚNICA
Na sua crónica
Somos um pequeno e desgraçado país
temos uma elite sofrível e uma classe política sem cultura política nem histórica
quarta-feira, abril 14, 2010
AS CITAÇÕES DITADAS AO NOSSO QUOTIDIANO
de A ESPUMA DAS COISAS
António Mega Ferreira
Notícia
terça-feira, abril 13, 2010
AS SUAVES SESSÕES DA JÚLIA DOS ESPÍRITOS
sexta-feira, abril 02, 2010
PORTUGAL E O TRÁFICO DE SUBMARINOS AO SOL
fotos da imprensa, Expresso
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sábado, março 20, 2010
UM SÓ SEMANÁRIO, EXCERTOS DA PÁTRIA HOJE
terça-feira, fevereiro 23, 2010
MADEIRA: TRAGÉDIAS TAMBÉM PODEM REDIMIR
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
RANGEL RANGENDO CONTRA AS CIRCUNSTÂNCIAS
domingo, fevereiro 07, 2010
OS VELHOS PADECIMENTOS DA NAÇÃO
Deixo cair o jornal no chão. Não havia nele nem um bocadinho de estrada, bem um bocadinho de brisa, só restava um princípio de náusea. Náusea, presumo, daquilo que nos vai rodeando a cabeça, presas as pernas e o tronco. Parecem consolidados os desconfortos da revolução institucionalizada, desencantos de um cerco «global» cuja invenção só podia ter saído de zarolhos utópicos. Desde o vamos cantando e rindo até o avante, camaradas, avante. O convívio e a partilha não são apenas actos de afecto, são também caminhos da inteligência associada à emoção/razão. Se uma pequena comunidade disputa um resto um resto de carapau ou a ordem de quem põe o caixote do lixo na rua, onde nem sequer é recolhido, a desgraça será ainda limitada mas já anuncia guerras como as do século XX. O que deveremos então pensar dos 127 países da União Europeia, agregados por tratados e alçapões, fingindo que acreditam numa ordem falsamente generalizável, apesar das brumas repetidas todos os anos, entre deveres, obrigações e dívidas? As fracturas estão à vista com a universal derrapagem do capitalismo (dos mercados), trafulhices bancárias em cascata, o colosso americano, sob o manto esperançoso de Obama, ficando por instantes de joelhos e com muita gente a mudar de casaca. Coisas da grandeza e da ganância, dir-se-á. Então e a velha Europa, estreita nos deslizamentos obscuros ou descarados, bem depressa a comparar o caso da Grécia com o de Portugal: um manga de alpaca da UE a bolçar para o mundo a esquemática parecença do que se passa nos dois países, acicatando os mercados (especuladores) a venderem e a comprarem restos da nossa última hepatite. A Alemanha e a França, entre perdões generosos desde 1948, depois das guerras que fizeram e de terem sido salvos por estrangeiros, criam agora os seus pactos de consistência, mais desenvolvimento, mais pompa em carros negros. E assim, embora por vezes não pareça, borrifam-se para quem ainda está fora da zona euro mas se alistou na Europa. Ou para outros, como nós, cuja «memória do esquecimento», embora queime a alma, não evita os devaneios crescentes das viagens em massa, de cultura e recreio, os consumos aberrantes, os negócios globais, a diluição progressiva da identidade de cada povo, a colonização redutora quase toda feita de hambúrgueres, de súbito um 11 de Setembro num tempo civilizacional cada vez mais onírico, a meio dos pântanos, tempestades naturais, céus tóxicos na consequência cega das indústrias vorazes e invasores.
«A CANGA»
Bordalo Pinheiro
Portugal, que ficou mais ou menos pobre depois da má gestão após os Descobrimentos, e mesmo durante esse período, nem sequer fez o nojo dos seus 9.000 mortos da chamada guerra colonial. Fecharam-se as bocas, rezam os velhos pais de um norte pedregoso e que, felizmente, ainda não se parece com a Madeira, enquanto Lisboa concentra todas as casacas virtuais de governos em bicos dos pés, mitigando a salvação dos desastres, por milhões de euros, junto de grandes escritórios de advogados, serviços caríssimos mas que ajudam a enconrir as multidões entrevadas dos ministérios, a aumentar a dívida, a omitir centenas de institutos cujos objectivos não são promulgados e nos quais praticamente ninguém acredita, pesar das carreiras públicas que por essa via pululam na capital. Para além do gesto rapace dos construtores civis e dos tais institutos mais ou menos obscuros, seria talvez útil, quanto à poupança decretada por Bruxelas, começar a extinguir tantas partes em que o governo se divide e multiplica, publicando o efeito de tais decisões e descarregando a papelada naquela Bélgica central em ordem á memória futura. Porque a justiça não vai tratar disso tão cedo, os dinheiros escassos passam-lhe ao lado, ao lado das secretárias, enquanto os juizes encapelados têem em diagonal 14.000 páginas de um só processo e continuam vinculados a morfologias e metodologias velhas, litúrgicas, insensatas. Por isso lá se afundou a Justiça numa paraplegia considerável, e basta, para se ver tal coisa, reparar na grande evidência fo Titanic/Casa Pia. E entretanto de nada nos serve ter um Primeiro Ministro com nome extraído da cultura clássica, Sócrates, igual ao do filósofo que inventou a Alegoria da Carverna. E não é que, entre ressonâncias ininteligíveis, viemos parar ao limite da mesma, sombras e sombras passando, golpes baixos ou altos, deitando por terra (ou quase) o governo, todos fazendo da luta partidária a mais grosseira das inconsciências sobre o respeito que nos devia merecer a história e a gestão das coisas. Se calhar é preciso inventar uma democracia que não viva de expedientes, de falsos cosmopolitismos sempre a virar em provincianismos. Sobre a simples vigilância e renovação da frota automóvel do Governo, os nossos escritores de televisão poderão, a todo o tempo, fazer romances dos caminhos secretos de muitas coisas. Dos carros aos caminhos secretos dos projectos, vida e morte dos sobreiros arrancados aos milhares, haveria muito a dizer sobre as comunicações e os monopólios das energias catastróficas, privadas, semi-privadas, geridas, como os bancos, na linha de dezenas de milhares de euros por mês, fora os prémios de milhões, fora aí de um património que não se sabe donde vem e para que serve. Melhor ainda seria pagar a dívida macionalizando as marinas do país, com apropriação «revolucionária» dos milhares emilhares de iates que por lá existem: vendidos aos países emergentes resolviam muitas coisas. E a dívida deles poderia ser paga em prestações suaves por um período de 300 anos. Isto resulta apenas de um breve diagnóstico da crise nacioanal (e do mundo). Mas eu não sou o Madina Carreira, cada vez mais parecido com o simpàtico Mr. Magoo, que arrasa tudo e todos, apoiado em mapas e gráficos, trabalhos de casa. Eu gosto muito de o ouvir, mas não chega a nenhum saber construtivo. Perguntaram-lhe outro dia: «então, perante essa situação, que resoluções tomaria para as resolver? E ele: «Eu? Eu deixava ir tudo abaixo, bater no fundo». E riu-se. É uma figura muito respeitada e não tem sonre as costas os boatos em volta do Primeiro Ministro, histórias obscuras que já permitiriam vários filmes policiais e mesmo de terror. Os títulos até são sugestivos. «Face Oculta» poderia tornar Portugal num país de magiais visitáveis. O nosso jornalismo, diz Sócrates, é de espreitar à fechadira. Ele acha que a privacidade tem de ser respeitada e as escutas e sua publicação vão contra esse direito. Mas o que se escreveu representa a imagem espreitada? E o som ouvido?
A MÁSCARA
aquecido e os parlamentos pirosos. Dos nossos deputados europeus, vejo-os mais por cá do que tenho notícias deles estarem lá. Enchem a televisão de balbúrdias, onde todos dizem todos o mesmo e ao mesmo tempo. O Ruído é inabalável. As flores da nossa mais funda reflexão passa pelas dezenas de comentadores políticos, sem nada para resolver o mal que acusam, com grande relevo para Rebelo de Sousa, Vitorino, o inefável Pacheco Pereira, esse também um pouco por todo o lado, à espera de que o PSD reapareça. Pacheco lidera A Quadratura do Círculo, mas por mero desprespeito pelas regras do diálogo. O Eixo do Mal, onde a gritaria atormenta a vizinhança, pode salvar-se da negatica pela prestação de Clara Ferreira Alves, naturalmente quando a deixam falar. Mas é um grupo engraçado, tolo mas engraçado, um grupo que ainda não percebeu estar em vias de se afundar a um sopro (atrás da fechadura) do Primeiuro Ministro. Mas enfim, salve-se quem puder. Falarei com a Clara quando todos estivermos no Inferno, onde teremos mais companhias: Louçã, Portas (por causado Independente), a líder Manuela Ferreira Leite (por causa da verdade rasutada), Sócrates (por ter descido o déficit) e falta ainda escolher um membro do Partido Comunista: o Comité Central insiste no colectivo. Vão todos.
segunda-feira, janeiro 11, 2010
FORMAS DE VER E VENCER A BATALHA DA VIDA
O meu interesse pelas novas gerações de actores passa por remotas experiências que fiz no teatro, mais tarde no aprofundamento da linguagem do cinema e nas técnicas de trabalho da telenovela, onde estudei o comportamento e o talento de alguns actores. Daniela Ruah tinha o meu apreço. E foi com muita admiração que segui o seu recente trajecto em Londres e nos Estados Unidas da América. Há em tudo uma grande capacidade de aventura, trabalho responsável, estudo e pragmatismo. Ela fala de ter seguido um sonho, mas os dados que nos revela, incluindo o «contrato» com os pais e o sentido de estratégia contribuem para sublinhar as formas de afirmação destes e de outros portugueses. Daniela preparou-se arduamente para sair do país, aprender na sua área, informando-se previamente de como passar as barreiras travadas no tempo. Ela insiste na estratégia e na definição de objectivos. Esforço e objectividade podem beneficiar, bem entendido, do factor sorte. Em relação à adaptação a um meio diferente, muito competitivo e dinâmico, a actriz não apouca o trabalho, em Portugal, nas novelas, campo onde se faz um treino próprio para a representação e ritmos de resposta. Em entrevista que concedeu à revista ÚNICA, salienta, entretanto, que nos Estados Unidos e no que importa à representação, não há trabalho mais exigente, quer nos horários, quer quanto à quantidade de cenas a gravar por dia. Em Portugal, chega-se a fazer 35 cenas. Na produção em que se encontra a trabalhar agora, Danuela Ruah actua apenas em cinco cenas, para 12 horas de gravação, ritmo que se assemelha mais ao do cinema, com mais atenção ao detalhe. No trabalho actual, a actriz tem um papel de inspectora (policial) e é curioso saber como adquire formação específica, tendo boas condições de agilidade e rápida adaptação ao uso de armas, às técnicas de visar alvos e de disparar. Quando preparava a sua ideia de trabalhar nos Estados Unidos da América, entregou-se por inteiro, durante dois anos, a um curso em Londres. Integrar-se numa nova cultura é bem complicado. Parte-se do princípio de que se conhece o essencial de um país, ou mesmo bem, mas isso só acontece se se viver nesse país, sujeitando-se às regras e pressões do meio. Quando foi para Nova Iorque sentiu que o tempo e os contactos com outros colegas haviam feito a diferença, percebeu que se encontrava mais aberta e fala mesmo de bem estar psicológico. O sistema de agentes e agências funciona, há muito trabalho, e um agente é mesmo indispensável para começar. Daniela é agora representada pela Gersh, uma das maiores agências de actores da América. Apesar de tudo, teve que cavar o chão à sua frente, apresentar sites da área e até colaborar em clipes, partilhar currículos, conseguir resultados na head Shot (foto de rosto), o que entra frequentemente em situações de casting. Um aspecto de que ela nos fala e mostra as diversas vertentes destes contextos de busca e aperfeiçoamento, refere-se à participação, sem remuneração, em pequenos filmes de colegas, entrar também nas sessões de leitura de argumentos cinematográficos. Num desses contactos, um director de casting acabou por, mais tarde, a lembrar e pedir a via de contacto através de Gresh. Daniela foi parar a uma produção de Geoge Lucas. Esta aventura reveste-se de factos e passos ganhos que a actriz venceu na medida em que percebera até que ponto interessa observar regras, oportunidades, tendo uma boa relação com as dinâmicas do meio. E a sua onda de entusiasmo leva-a a contar o trabalho com Linda Hunt, estar ali com aqueles actores de igual para igual. Daniel Ruah foi também questionada sobre a sua origem judia, a forma como vive com essa realidade, religião, aspectos, a siatuação actual. E conta coisas importantes de uma passagem por Israel, em casa de familiares, bem como a estranheza de um povo que vive plenamente a vida mas não se desliga do medo, da violência inesperada, de como encaram o presente e o futuro. Numa simples fala intercalada em muitas outras, e a este respeito, Daniela comenta: «Entristece-me profundamente não ver como se possa dialogar com uma formação radical e terrorista como o Hamas, que tem por único objectivo aniquilar Israel. De resto, o maior objectivo deles é mesmo o de ocupar o mundo.
Dados, citações e referências da entrevista concedida à revis única,
Bernardo Mendonça e Raquel Albuquerque
A IRRELEVÂNCIA DOS MEROS CONTEXTUALISTAS
«Em Paris, discute-se a subida ao panteão de Albert Camus, morto há 5o anos. O debate, centrado nas acusações de aproveitamento político, ilude uma evidência, a de que Camus já não pesa no cânone literário. Na adolescência, imitei milhões e li-o de ponta a ponta com constante facínio. Hoje, nama de recorda a respectiva existência. Embora a lucidez (e o talento) o distanciassem dos intelectuais da sua geração e lugar, paradigmas da subserviência a totalitarismos, a verdade é que o «contexto» tem um preço, e que Camus paga com a própria irrelevância a merecida irrelevância de uma certa França» (Alberto Gonçalves 9.01.10)
Não é possível ler os efeitos deste azedume, em pleno equívoco, sem sentir um arrepio de pavor, percebendo a cega intenção de apagar da história as grandes vozes que ultrapassam contextos e ficam suspensas, até à morte dos homens, solidária com eles, no tecto do mundo. A temporalidade grosseira desta apontamento, a insinuação da queda na verdadeira ascese do livro com o mesmo nome, de Camus, tudo isso serviu para apontar o escritor como irrelevante, tocado apenas de uma lucidez que não passava de talento, que a irrelevância se paga caro, como a que acabámos de ler, sobretudo quando ela nos é dita na espuma da mediocridade e falsamente ancorada no esquecimento da irrelevância de uma certa França. O sinal de uma obscura ideologia aparece subjacente a quem diz que imitou milhões de vezes Camus, lendo-o de ponta a ponta com constante fascínio. O adolescente que se declara, hoje, enganado com tanto fascínio era por certo um pré-mutante incapaz de discernir a universalidade sólida dos grandes escritores com a leveza incolor de outros paradigmas. Porque alguém que leu anos a fio lbert Camus e o declara hoja que nada lhe recorda a respectiva existência, é certamente um fragmento de gelo (circunstancial) descendo da fria Árctica. Se a bruxelante França se entretem a arrematar o preço para fazer subir Camus ao Panteão, é certamente porque perdeu génio e amor próprio, coisas do degelo. Se alguma vez Camus esteve distanciado «dos intelectuais da sua geração e lugar, paradigmas da subserviência a totalitarismos, a verdade é que o «contexto» tem um preço, e que Camus paga a própria irrelevância a merecida irrelevância de uma certa França». Em toda esta ambiguidade, há aqui uma pontinha do véu a erguer-se da renúncia rasteira. Camus escolheu um certo exílio para de afastar de um certo reino, pujante na altura em que escreveu A Peste e nos falou de Oran, uma cidade sem pombos. Essa obra pertende ao património superior da humanidade, intemporaliza-se, e ele um dos autores de sempre, com uma das mais influentes obras que tocaram as gerações do pós-guerra, quer pelo seu arrebatador valor humanístico, quer pela lúcida poética com que desenvolve a crítica dos homens e da vida, nessa escrita da inquietação muitas vezes pacificada, brilando na pureza e sobriedade do estilo. É certo que a obra de Camus tece as suas ancoragens no nosso tempo surdo, mas a forma como daí se projectou no futuro, talvez espelhando Sisifo e Prometeu, tornou-a destinada a ultrapassar os limites da época. Maria ainda o olha através das lágrimas, porque ela sabia o que via aquele homem repousando de costas nas águas mornas e com os olhos cheios de azul.............................
Felizmente, O CCB homegeia Albert Camus, Prémio Nobel, 50 anos depois da sua morte. Mega Ferreira considera que a grande questão que atravessou o pensamento do escritor é a liberdade, sendo essa uma das razões que tornam a sua obra intemporal. Aqui se refere a vida plítica activa de Camus, posições polémicas, protesto à esquerda por causa da guerra da Argélia. Mas a condição humana vai mais além, no que escreve sobre a estranheza dela e sobre o absurdo. O seu «grande contributo consiste na forma como soube mostrar que o essencial é a coragem de enfrentar os valores dominantes sempre que eles são contra a moral»..F
terça-feira, janeiro 05, 2010
50 ANOS DEPOIS DA MORTE DE ALBERT CAMUS
A verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao presente
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sábado, dezembro 19, 2009
IMAGENS DE ALGUNS FILMES DE ELIA KAZAN
ELIA KAZAN: PORQUE NÃO DEVEMOS ESQUECÊ-LO
sábado, dezembro 12, 2009
VEJA PACHECO ESCRITO POR EÇA DE QUEIROZ
quarta-feira, dezembro 09, 2009
COPENHAGA, ADIAMENTO DA NOSSA ESPERANÇA
terça-feira, dezembro 08, 2009
INSTRUMENTO ESTRUTURAL DO HOLOCAUSTO
Estas pessoas sobreviveram ao gelo da morte, ao fogo do inferno, às cinzas poluentes que se libertavam de certas chaminés e a certas horas. São o testemunho para a história futura dessa ignomínia a que se chamou o Holocausto. É uma questão da História lembrar que, na altura em que o Supremo Comandante das Forças Aliadas durante a II Guerra Mundial, General Dwight D. Eisenhower, encontrou as vítimas dos campos de concentração, logo estabeleceu um plano de registo exaustivo das pessoas, lugares, testemunhos, através de fotografias, filmes e gravações. E fez mais. Fez com que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados até aqueles campos para que pudessem ser testemunhos vivos dos acontecimentos, participando, inclusive, nos trabalhos de enterramento dos mortos. Eisenhower pensava que esta operação era fundamental: ter o máximo de documentos, tanto pela importância deles em si como para lutar contra aqueles que, em algum momento ao longo da história, tentassem lavar os restos do horror, dizendo que tudo aquilo nunca acontecera. Foi um homem avisado, o general, pois passaram apenas 60 anos sobre a guerra e já apareceram os sinais da negação. Quanto ao problema do mal, justamente nesta dimensão preventiva, é bom relembrar o que disse Edmund Burk: «tudo o que é necessário para o triunfo do mal é que os homens de bem nada façam».
Os prolemas da realidade actual começam a ser atravessados por tais memórias e a desencadear litígios na própia Europa, entre questões religiosas, rácicas e da emigração. O Irão, entre outros países, tem vindo a sustentar que o Holocausto não passa de um mito. Num tempo de globalização, com redes comunicacionais em grande escala, a tese do apagamento de certos factos é bem revelador de quanto importa tratar a fundo do património da humanidade, a todos os níveis. É incomportável ver a destruição de monumentos fundamentais na história do mundo, a tiro de canhão, como quem procura, como os talibãs, estabelecer à sua volta comunidades destituidas do sentido de civilização.
O email distribuido na internet a cerca de 40 milhões de pessoas é uma tentativa de preservar a verdade histórica e os valores civilizacionais por que nos batemos.
Esta atitude é um sintoma assustador, sinal do medo que está a atingir o mundo e quão
facilmente cada país se pode deixar arrastar.
Mas é bem certo que a memória não pode ser destruída, nem por grupos terroristas, nem por teocracias que misturam até ao sangue falsos dogmas religiosos com as convenções políticas menos esclarecidas. A verdade é que, pelo plano dos campos de concentração, sabe-se hoje com propriedade que foram mortos 6 milhões de judeus, 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos e cerca de 1900 padres. Os instrumentos de morte foram conservados, num esforço de significar no futuro a irracionalidade que eles representaram e a sua pérfida geometria, ligações ferroviárias aos pontos, longínquos ou não, de recolha de gente abater. E é pena qus meios da comunicação social, hoje, passem tão ligeiramente por factos ocorridos em África, nomeadamente a guerra entre dois países, por oposição étnica, donde resultaram, em dois meses, a morte de 800.000 pessoas. Onde se colocam estes números? Quem os limpa das próprias escolas africanas?
