quarta-feira, setembro 21, 2011
MORREU JÚLIO RESENDE, BEM VINDA A SUA OBRA
sexta-feira, setembro 09, 2011
UM BELO CINEMA PORTUGUÊS CEGAMENTE BANIDO
Belíssimo desempenho de Beatriz Batarda
Desde 2006 que Teresa Villaverde não filmava uma longa metragem. Desde «Transe». Agora aparece «Cisne», uma obra em que Beatriz Batarda interpreta a personagem de uma cantora em crise íntima. Menos «pesado» do que em peças anteriores, sobretudo «Mutantes», Teresa conseguiu gerir por completo as vertentes de uma realização deste género: o filme passou na terça-feira, dia 6, no Festival de Veneza, na secção paralela Horizontes, e, surpreendentemente, estreia-se já, hoje, quinta-feira, em Portugal. Esse «fenómeno» sopra nos distribuidores, nos intermediários, em todos os contactos, por vezes obscuros, que as próprias artes, todas, carregam sobre as costas. Teresa lembrou-me a minha própria aventura, quando fiz filmes que só vieram a lume nos circuitos universitários, não tendo nunca, em volta, um simples aceno de alguém que os achasse transferíveis para nova realização profissional, pronta a aceder aos circuitos profissionais. Nunca soube os naipes das cartas nos secretos jogos de fascínio e influência do nosso liliputiano meio financeiro, das alavancas culturalmente capazes de abrir espaços, entre a criação e vários planos de oportunidade. Digo isto a propósito de obrazinhas que fiz em solidão, desde a produção, o financiamento, os actores, a escrita do roteiro, as filmagens, divindindo-me em fotógrafo e realizador, depois em editor, em curiosos zelos de montagem e finalização, ou seja: trabalhava como director executivo do som e das bandas musicais.
Não estou a fazer o meu auto-elogio, embora pareça. Estou a rever fascinações que me são agora,
a um nível de outro peso, por Teresa Villaverde: ela fez tudo do princípio ao fim, imaginando esta bela viagem, assumindo-se realizadora e câmara, a par do trabalho de edição e do som, incluindo, por fim, distribuir a obra (três cópias apenas), tanto em Veneza como em Lisboa. No plano a que ela trabalhou, superando a crise, merece que a olhe mos com atenção e na bofetada enluvada que foi espalhando pelos perfumadas instituições, Estado, Lobys, Figuras do dinheiro e do tráfico destas mercadorias -- um horror que emigra das grandes capitais e manipula o público português, aquele que se deixou cair no lado rasca da cultura e que ainda se dá ao luxo de misturar o colonialismo guerreiro, monopólios, com as serenas reflexões sobre a condição humana e os erros do árbito.
O cinema de Teresa Villaverde sempre de configurou numa aproximação dramática, senão mesmo trágica das vidas no limite. Mas, neste seu último filme, uma certa pacificação abrange a teia de conflitos existenciais em torno da personagem central. Não sabendo explicar muito bem porquê, a autora chama a atenção para questões relativas aos níveis etários em filmes como «Os Mutantes» e o actual. No anterior, as figuras de crianças ou gente de uma puberdade ferida, eram confrontadas com a fealdade do contexto, a degradação dos dias e dos lugares. Em «O Cisne», sem que a base do humano passe pela inspiração de alguém, a realizadora lida com pessoas mais velhas, o que tende a um caminho mais reflectido ou a lutas interiores mais controladas. Vera, assumida por Beatriz Batarda, é desde o início uma cantora. Tal facto não aparece cristalino, mas a verdade é que ela escreve as suas canções, Villaverde vive a sua vida, a suas inquietações. Quando Vera está no palco, Beatriz dirige o que há para dirigir, gera uma fonte de angústia.
No «Cisne», diz-nos Teresa numa entrevista que deu ao Diário de Notícias, o meu entendimento com Beatriz foi enorme, muito profundo e construtivo. Ela trouxe muita coisa ao filme, uma energia muito dela, e tornou possível uma calma que me permitiu escrever durante a rodagem, refazer materiais, mudar diálogos.
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Estas breves impressões baseiam-se, em parte, na entrevista referida, com Eurico de Barros.
domingo, agosto 21, 2011
A EUROPA ONDE VOLTAM A MANDAR OS MESMOS
Esta senhora, contrariando a estabilidade de Europa com a centralização de poderes, aliás partilhados com os franceses, determinou a criação de um novo governo para a Europa, taxas sobre operações financeiras (bolsas) e dois presidentes que se reuniriam duas vezes por ano com o governo, incluindo um segundo ministro dos negócios estrangeiros.
Na Europa, eventualmente num lugar assimétrico e pacífico, com um plano técnico e de excelência, todos os governos e sábios convidados devem reunir-se para resgatar valores e projectos em perda, tratar de ratificações e rectificações, em larga reconstrução de novo começo, livre de burocracias obsoletas, de planos risíveis como vimos há pouco de um casal impetuoso e divertido, algo bem dirigido contra os rápidos atritos entre ricos e pobres, atritos do sonho e tendo em conta as graves humilhações que rapidamente se instalaram na chancela dos documentos sem fim.
Ao contrário, as apodrecidas periferias da Europa, ideia xenófoba que os aristocratas do Norte dizem abanando cada vez mais a cabeça. Esquecem-se que a pobreza, há anos situada abaixo do Norte de África, já se encontra acima do Mediterrâneo, proeza que os próprios sistemas ricos, de orelhas tapadas pelas peles dos desportos sumptuosos e caros. Acabarão por deixar-se mudar ao acaso e a a Alemanha terá fronteiras sem nada em redor, sozinha, periférica de si mesma diante do pântano de que falava António Gueterres. Os alemães serão vítimas da sua própria grandeza (o que já aconteceu por mais de uma vez), vivendo ainda os gostos e os abusos da civilização global. Tudo o que cresce assim, enterra-se no lixo e contrai doenças novas. Obama que o diga, parece um esquecido grande jogador de basquet isolado e fora de moda. Sentir-se-á fustigado por gente que não sabe o valor dos lugares e das culturas, sem perceber o sentido da geografia humana, da saúde, dos mercados regulados a sério e fornecendo ao indivíduo não apenas crenças e mitos mas sobretudo o espaço da Educação vivida também para fora e fornecendo ao indivíduo uma espécie de criação de sortilégios, no bom sentido, ou seja a fecundação dedicada a quem somos e não ao consumismo que nos impingiram e nos vai destruindo.
sexta-feira, julho 22, 2011
UM ROSTO NOVO E ESTIMULANTE NA REPÚBLICA
da Assembleia da República Portuguesa
Como se pode ver, em muitos aspectos, entre os principais, Portugal assume por vezes actos nobres, escolhas lúcidas, entregando à cultura e à razão de uma das suas mais notáveis cidadãs o segundo mais alto cargo da Nação. Não se trata de um louvor, trata-se de uma especial subtileza.
NA MORTE DO NOTÁVEL PINTOR LUCIAN FREUD
Para além das controvérsias, uma maioria de observadores considera este artista como génio. Numa época de NEGAÇÃO, em que tudo o mundo queria ocultar a realidade, autores como Lucian Freud colocam os nossos olhos diante da vida: beeza, fealdade, paixão, desamor, juventude. O seu avô Sigmund Freud psicoanalisou mediante a psiquiatria o seu neto, a face bem simétrica aos olhos.
Lucian Freud aproximou-se da estética do surrealismo mas, durante os anos 50, mudou de registo, explorando a pintura de retratos, geralmente nus humanos. Filho de pais judeus, Ernst Ludwig Freud, arquitecto, e de Lucie Brasch, era, como vimos, neto de Sigmund Freu e irmão do escritor político Clement Raphael Freud e de Stephau Gabdol Freud.
Frequentou e concluíu estudos de arte em duas brilhantes escolas inglesas. O seu trabalho terá recebido daí muitos ensinamentos técnicos e de atmosfera, mas os nus de corpo inteiro, patéticos, e os retratos surpreendentes, a começar por si mesmo, têm sintomas germânicos e sobretudo a força afirmativa dos sentimentos ou, em certos casos, os olhares imóveis de uma lembrança impossível.
terça-feira, julho 12, 2011
LOUVOR AO CORPO, PINTURA PORTUGUESA HOJE
segunda-feira, julho 11, 2011
AS PEDRAS DA CALÇADA VINDAS DA MÃO HUMANA
quarta-feira, julho 06, 2011
ENTRE O PROGRESSO, PERIFERIAS E MONSTROS
obra de Cabrita Reis
Usemos um novo Título
ENTRE A PERIFERIA DA LUZ E O MONSTRO INSTÁVEL
domingo, maio 22, 2011
REFUNDEMOS A IDEIA DE PERIFERIA E DOS POVOS
Sem graça nem verdade, uma frase de ignomínia. E até errada. Não periferia e primaveril, mas enterrada na ignorância centralista e na arrogância de um poder neste caso sem eloquência. Ora a Alemanha, que se reconstruiu com a ajuda dos seus adversários, organizando-se (com mérito) sob a cobertura do famoso plano Marshall, tem de acertar a geografia social. Desta vez, nem sequer foi Portugal que provocou a odiosa e actual crise; há responsáveis intercontinentais, lá fora, nos horizontes de outras «periferias». Apesar de tudo, a Alemanha não é o exemplo que Merkel pretende apresentar. O problema deveria ser mais estudado, sobretudo na actual situação e perante triunviratos europeus sem legitimidade, apostados na força do dinheiro e de um divisionismo que em nada se parece com o sentido da frase: União Europeia. A comparação feita pela chanceler sustenta-se no facto de a Alemanha ter dos mais curtos períodos de férias para os trabalhadores — 20 dias. Em curso, este país aproxima a idade da reforma dos 65 para os 67 anos, enquanto os países do sul contemplam os 65 anos. Diz a senhora: «A Alemanha ajuda. Mas a Alemanha ajuda se os outros se esforçarem mais. E isso tem que ser demonstrado». Ora estas questões não podem avaliar-se assim nem numa ideia redutora de unicidade.
terça-feira, maio 03, 2011
BIN LADEN MORTO AO SEU NÍVEL:COM PRECISÃO
Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda foi abatido no Paquistão por um golpe assente em boa informação, rapidez e excelência técnica: como ele gostaria de infligir aos outros, com bom planeamente e bom nível de devastação. Aqui, essa devastação não existiu senão na medida da escala mítica atingida por este homem quase inverosímil. O atentado às torres do World Trade Center foi trabalhado com grande rigor, com operacionais infiltrados em áreas diversas dos Estados Unidos, incluindo cursos de pilotagem de alto nível, como se procura para as enormes aeronaves que circulam os céus. A complexidade dessa operação, que durou anos, obrigava a um exigente esforço de coordenação, tempos, factores técnicos e psicológicos. O seu apocalíptico resultado matou mais de 3000 pessoas e provocou algo nunca visto em edifícios desta avançada estruturação: as torres, trespassadas cada qual por um avião, quase ao mesmo tempo, começaram a arder, produzindo temperaturas muito altas: em relativamente pouco tempo, fumegando de maneira avassaladora, os edifícios começaram a ceder por amolecimento dos materiais estruturantes. Foi um espectáculo inesquecível e um símbolo de guerra e de ódio jamais imaginado em tamanha grandeza.
Financiando e mentalizando uma larga quantidade de soldados fanáticos, niilistas e prontos a morrer pela Causa, embora bafejados pela promessa no valor do martírio e da oferta de dezenas de virgens celestes, logrou apuramentos especiais para a grande prova. Usando a tecnologia e o capitalismo, pôs o seu império do dinheiro ao serviço de várias células, ao mesmo tempo que libertava vídeos e mensagens contra os Estados Unidos e o Ocidente, todos por ele acusados de fomentarem a corrupção, o judaísmo, a homosseualidade e a subjugação do Islão.
sábado, abril 16, 2011
A TECNOLOGIA VOTADA À ROTINA DO DINHEIRO
RATING. RATING. RATING
FMI. FMI. FMI. FMI. FMI. FMI
UE UE UE UE UE UE UE UE
gente entre os trinta e os cinquenta anos, crentes nas modernas bruxarias e vales sombrios onde enterram plutónio e os cadáveres ocasionais após a arrumação de Chernobyl. Vai, aviãozinho, carregado de matérias cósmicas e humanos fios de disparo. Viste o que acabaste por fazer em duas grandes cidades japonesas? Ora que tem isso a ver com os dias de hoje e as bombas existentes, capazes de destruirem dezassete vezes a terra que habitamos (Terra, TNT, Tintas de escarnecer).
sexta-feira, abril 15, 2011
É PRECISO ACABAR COM AS AGÊNCIAS DA PESTE
segunda-feira, abril 11, 2011
IMAGENS E GENTE DE UM INQUIETO ACONTECER
quarta-feira, março 30, 2011
S0UAD MARSSI, ARGÉLIA, CANÇÕES POLITIZADAS
DENTRO
Música politizada que tanto pode exprimir a melancolia folk como a celebração africana. É esse o universo da cantora argelina Souad Massi e é no mais profundo dessa ressonância que ouvimos em Lisboa. Algumas palavras que ela pronuncia, uma respiração e um modo de estar naturais, o modo franco e doce com que olha para a câmara, tudo isso me faz lembrar «O Estrangeiro», de Camus, e a sua cativante personagem de amor, Maria. Quando Mersault ficava deitado de costas no mar, suspenso, boiando e olhando o céu azul, Maria estava no seu pensamento.
Há personalidades que nos olham com uma sabedoria estranha, que nos atraiem para o mundo delas, tanto pelo rosto e pelas mãos enquanto falam, como pela música que espalham no mundo, de fala plural, dizendo-nos quase ao ouvido falas de há instantes que conseguimos conservar na memória para sempre. De quando em vez, elas passam por nós, murmuradas, numa despedida.
MORREU ÂNGELO DE SOUSA, PINTOR SUCINTO
Sempre que passava por Lisboa e me encontrava na Brasileira ou na S.N.B.A., dizia-me: «Olá, estás bom?» Claro que não esperava pela resposta porque tinha mais coisas engatilhadas para exprimir: «não tens pintado, o ensino é uma porra. Estás cansado? Olha que porra, então a gente não vê as carradas de lixo que transportas para a pintura?» Lembro-me de responder: «Tens toda a razão, vê lá, eu a produzir poética de lixo e tu a limpares esse lixo até te comsolares com uma simples linha oblíqua, de alto a baixo, na tela.». E ele, sarcástico: «Olha como ele está esperto...» Ganhámos esta guerra jocosa no dia em que nos defrontámos na minha prestação de provas de agregação universitária e eu o surpreendi diante do seu ar enfim sério, desafinando por vocação nas últimas palavras da sua argumentação. Disse mais tarde, a alguém no Porto, que o tipo ( o tipo era eu) o tinha surprendido, quer pela natureza das provas, quer pela fundamentação das respostas, sem esperas nem tibiezas. Há tempos, escreveu-me e os postais dos seus convites trazaiam agora uma reconfortante nota de humor e de amizade.
Ângelo de Sousa, vítima de uma doença grave, estava afastado da actividade artística há vários meses. Como hoje se diz no «Público», Ângelo foi «um dos protagonistas da contemporaneidade artística portuguesa, destinguindo-se sobretudo pelo seu experimentalismo e pela procura incessante de novas linguagens». Esta citação do jornal foi obtida do director do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, João Ferandes. Mas Ângelo de Sousa é claramente interior aos atrevimentos vanguardistas de Fernandes, com quem podia conviver na partilha de coisas insensatas sobre os «modelos» do tempo moderno e a sua revolução contra o lixo, a favor de um simples risco que tanto macula um monumento como o assinala para a história das escolhas. Para sintetizar o sentido da obra de Ângelo de Sousa, coisas como Algumas formas ao alcance de todos, deve acentuar-se que ele desenvolvera um importante estudo sobre as cores, aliás só usadas de esguelha ou por magníficas sobreposições nos quadros da sua geometria secreta. Ângelo de Sousa morre com 73 anos, nasceu em Moçambique, em 1938. Frequentou a Escola Superior de Belas Artes do Porto (1955) onde se formou em Pintura. Integrou, na década de 60, o grupo dos «Quatro Vintes»: artistas que tinham obtido, ao abrigo dos inflaccionismos daquela Instituição, a classificação de 20 valores, Armando Alves, Jorge Pinheiro e José Rodrigues. É depois disso (e da ironia disso) que Ângelo criou uma obra pessoal e única, que amadureceu expressando-se principalmente na pintura, embora ele também desenvolvesse outras disciplinas de índole artística, desenho, esultura, fotografia, e cinema e vídeo. Foi bolseiro da Fundação Gulbenkian para frequentar importantes escolas de Arte inglesas. Leccionou na ESBAP,depois FBAUP.
terça-feira, março 22, 2011
ARTUR AGOSTINHO FALECEU COM 90 ANOS
quarta-feira, março 16, 2011
O HORROR CÓSMICO E O SUAVE PERDÃO A DEUS
Esta vítima da tragédia que se abateu sobre o Japão, mais parece um anjo de asas decepadas e ainda capaz de olhar para o futuro através dos mortos e destroços em volta.
