Estranhamente, a retirada Europa não sabe o que fazer de si mesma, nem que ordens pode derramar sobre antigas colónias, sonhos perdidos, vivendo agora a sua própria cotacão em torno do euro, alheia à solidariedade que apregoou e que recusa entretanto à proclamada União, entre uma Alemanha intrigante na teimosia da recusa e uma França que já se esqueceu de antigas humilhações.
quinta-feira, novembro 24, 2011
UMA PRIMAVERA DIFÍCIL NO NORTE DE ÁFRICA
Estranhamente, a retirada Europa não sabe o que fazer de si mesma, nem que ordens pode derramar sobre antigas colónias, sonhos perdidos, vivendo agora a sua própria cotacão em torno do euro, alheia à solidariedade que apregoou e que recusa entretanto à proclamada União, entre uma Alemanha intrigante na teimosia da recusa e uma França que já se esqueceu de antigas humilhações.
O PATRÃO DOS PATRÕES, GREVE GERAL HOJE
Este tipo de discurso não se baseia em verdadeiras análises da situação, não tem uma consistente base científica, está estratificado no slogan e na gíria da ameaça. Daqui não se está a barafustar contra o direito à greve: o que se propõe é que os quadros se renovem e que a relação com os trabalhadores seja clara e pedagógica. Os patrões podem ser derrubados, em nome das bases, como diria Otelo, mas os problemas do mundo, neste século, vão ter outras exigências e outros níveis de profundidade, mesmo que a cultura e o equilíbrio social se diluam na massificação.
quinta-feira, novembro 10, 2011
JOANA SANTOS ÀS VOLTAS COM OS BRASILEIROS
A maior lucidez para Joana Santos, que já fez provas convincentes.
sábado, novembro 05, 2011
O HOMEM QUE ABALOU OS SENHORES DA EUROPA
Perante as dificuldades da Grécia, guardando um tratamento imperial desse país doente, Sarkozy teve o destempero de dizerque a salvação do euro não passa por resgates inesgotáveis, enquanto a Chanceler da Alemanha vagia: «O euro pode viver perfeitamente sem a Grécia».
E de súbito, depois de reuniões à margem, preparatórias da intervenção no G20, a Grécia lança o caos e o pânico no mundo político e financeiro. Assim titulava o Diário de Notícias a sua primeira página do dia 2. Papandreou determinara um referendo que parecia poder perguntar ao povo Grego se concordava ou não com as novas medidas da troika ou se mantinha interesse em continuar no euro. E o pequeno país do sul (periférico e arruinado) pôs Sarkozy em sentido, com as sobrancelhas mais descaídas que nunca e a senhora Merkel a andar em círculos. Os chamados mercados, essa entidade obscura cujos centros técnicos e tecnológicos a comunicação social não tem coragem para investgar, fotografando monitores, decisores, nomeando empresas e gestores em forma de polvo, saltaram de irritação e medo. O euro está a ser destruído, para um lauto banquete, a longo prazo. De um momento para o outro, as tão faladas contaminações podem precipitar tudo, fazer explodir o euro e a Europa, pulverizar as próprias dívidas. É perfeitamente surreal como a chamada civilização ocidental, tão senhora de si e dos seus antigos impérios, cerra agora os dentes, puxa as orelhas aos seus próprios líderes (incompetentes) e estes convocam Papandreou a fim de lhe puxar pelos colarinhos e obrigá-lo a desdizer-se. Não pode haver referendo, o euro não pode ser posto em causa por um aleatório juízo popular. Ninguém esquecerá essa vingança ferida que Papandreou atirou à grande Europa, a dos grandes Mitos e Pequenos homens (entretanto). É que essa gente, pasmada como está, sem inciativa e capacidade refundadora, precisa afinal que a Grécia não saia porta fora e os deixe com uma virose de todo o tamanho.
Aqui se pergunta, por nossa conta, quando é que a Europa se regenera, se refunda, quando entra em verdadeira solidariedade e se liberta de tanta hipocrisia? Quando é que as verdadeiras democracias lutam contra os monstros do dinheiro, as empresas de julgamento AAA lixo, as caprichosas agências de rating a decretar níveis de miséria por toda a parte, no escândalo dos juros a 80%? E quando é que os grandes países, todos os emergentes fortes rebentam com todos os offshores, recuperando para o mundo os biliões de euros e dólares escondidos?
O que aconteceu entretanto, e enquanto a Grécia se encolhe e manobra saídas da sua actual tragédia, foi um aviso laminar. O pânico regressou às bolsas, coisa que podia ser varrida da face da terra, e que me perdoem os economistas tal heresia, pois quem somos nós sem bolsas, sem perdas de dinheiro e de valores por uma espécie de batota?
Mas veja-se: a Grécia apenas não ficou resignada com um perdão que a coloca permanentemente num limbo de indigência (disse Viriato S. Marques). Tudo está a serenar para uma pasmaceira de morte lenta (se não houver, dentro em breve uma luta a sério) e, como diz Vasco Pulido Valente, a «Grécia pode destruir não só financeira mas politicamente, a União Europeia. O que não deixa de ter uma certa justiça poética, porque a Grécia foi metida quase à força na "Europa" por puras razões políticas. Até Staline, na famigerada divisão que fez com Churchill do império de Hitler, reconheceu que 100 por centro da Grécia ficava para o Ocidente.» E hoje, depois das horas de desprezo e desespero, os europeus, por medo de um provável contágio, pretendem, seja como for, salvar os gregos de si próprios. (V.P.V.)
O pior é que a luz muda de valor, o tempo amortece a vista, e a dificuldade que o pintor sentia em fixar a beleza instantânea do marmeleiro (no célebre filme de Victor Erice), será maior para os europeus mal comandados, comendo dívida ao jantar, um champagne à mistura, vivendo à custa de um fundo monetário contrafeito pelos chineses.
quarta-feira, novembro 02, 2011
UMA NOTA CERTEIRA DE BAPTISTA-BASTOS
Dois livros inesquecíveis: BARCA DOS SETE LEMOS, de Alves Redol
SEARA DE VENTO, de Manuel da Fonseca
domingo, outubro 23, 2011
ARTE: NOTA MÍNIMA E INDIFERENTE A TANTOS
É assim que a comunicação social trata uma actividade cultural que se agita, apesar de tudo, durante todas as semanas de cada mês. Não conheço a obra de Dulce Bernardes mas o respeito que ela me merece é inequívoco, quero afirmar desde já. O problema que se coloca, perante fenómenos raros assim, perante a infindável indiferença dos jornais por estas notícias, pode comparar-se à facilidade com que os Lobbies sempre triunfam em tal jogo de influências, de surpreendentes benefícios mediáticos. O problema reside também, contra tal insuficiência informativa, na atenção pueril que os jornais, quase todos, derramam em páginas e suplementos a propósito do eterno futebol, dos grandes acontecimentos verificados na Gulbenkian ou a propósito de algumas bandas que picam sobre o país com os seus gritos e a certeza de uns 30.000 espectadores em plena crise, e ainda acerca de certos artistas em que a aposta parece obrigatória, enfática, habitualmente anterior à própria abertura das respectivas exposições.
Já alguém se perguntou a razão deste estado de escolhas mínimas e indiferentes ou sobre o que dirão, de igual forma, os nossos jornais sobre a abertura de novas exposições (daqui a pouco) em Lisboa, entre 20 de Outubro e 18 de Novembro?
Há problemas ditos menores que revelam a ignorância de muitos directores e operadores de comunicação social; e isso é de facto inquietante, porque acontece num obscuro silêncio oferecido a centenas de escritores e artistas plásticos do país, a par da resignação a que se habituaram muitos cidadãos perante o uso da televisão por funcionários seus ao publicarem um livro, antes de qualquer apreciação por especialistas. Um ecrã assim prolixo e sem provedor deveria ser mais regulado quanto ao critério das escolhas aí apresentadas e como e porquê.
sexta-feira, outubro 21, 2011
A MORTE DE KADHAFI SOB A RAIVA IRRACIONAL
Esta versão dos factos é «contradita» por um outro vídeo em que se vê Kadhafi ensanguentado, ainda vivo, a ser batido e empurrado por rebeldes junto de uma carrinha pick-up. São fragmentos temporalmente distintos mas não distantes. Há uma informação de um rebelde que assistiu a tudo e declarou à BBC que Kadhafi foi atingido por alguém com uma bala de 9 mm.
Pouco depois das primeiras imagens, na sequência da montagem televisiva, foi possível ver imagens do cadáver já limpo e que mostravam um ferimento de bala na têmpora. Os médicos que acompanharam Kadhafi na ambulância declararam que ele morreu com dois ferimentos de bala, o primeiro na cabeça e o segundo no peito.
Todo este detalhe, baseado em jornais de hoje, dia 21, sobretudo do «Diário de Notícias» não procura vilinizar o homem, nem mesmo a convulsão dos circunstantes. Pela minha parte, sei que a maior parte destas questões acabam assim, sem dignidade de parte a parte. Vimos isso com o tratamento na selva do corpo de Savimbi, rolado sobre cartões, cheio de pó e sangue, filmado pela voragem impiedosa dos que se «livravam» de um herói e o mostravam indigno de si mesmo. De resto, o assassinato de Ceausescu, na Roménia, dado quase em directo pela televisão, é outro exemplo eloquente de tais casos. Ninguém desculpa a vida sangrenta e genocida de tais figuras, mas a grandeza de os julhar, mesmo a título póstumo, é respeitar os seus despojos. Não é vão nem pueril escrever estas palavras: o mal não está só nesses personagens, está em cada homem, mesmo quando não o parece. E não inventamos a cremação para acabar com os nossos concidadãos, já mortos, como a Inquisição acabava com antepassados nossos, vivos e na fogueira.
sexta-feira, outubro 14, 2011
APESAR DA EUROPA, A PÁTRIA NÃO MORRE
«Na primeira hipótese, é óbvio que dez milhões de portugueses, com uma língua única, uma literatura erudita, uma religião maioritária (e pacificamente aceite), uma história comum, um império de que restam respeitáveis vestígios (como, por exemplo, Angola e Brasil) e sem qualquer diferença étnica notável — formam uma nação. Nenhuma outra unidade política nos quereria absorver. Seriamos sempre uma fonte de conflitos, pior do que os flamengos na Bélgica e muito pior do que os bascos ou os catalães em Espanha. A nossa separação, sólida e formal (não escrevi: independência) garante a tranquilidade dos vizinhos. As nossas desordens domésticas devem ficar rigorosamente domésticas.»
Pulido Valente analisa, com a mesma pertinência as outras hipóteses que colocou para contraditar o fim de Portugal profetizado por António Barreto. Bem vistas as coisas, é fácil fazer tais afirmações de apagamento, porque o próprio planeta já não está muito longe de poder albergar uma espécie em vias de extinção, o Homem. E não se aponta aqui para uma catástrofe demográfica natural.
sexta-feira, outubro 07, 2011
ARRUMAR O IMPÉRIO NUM CAIXOTE DE RETORNO
Dulce Maria Cardoso
Vinte anos depois de ter passado à «disponibilidade», entre as primeiras tropas regressadas de Angola, reuni apontamentos tomados nas viagens pelos Dembos, apontei a memória a tudo o que estava então bem arrumado no meu espírito, escrevi o livro «ANGOLA 61, uma crónica de guerra» e a "Contexto" arriscou a publicação, numa altura em que havia ainda poucos testemunhos daquela terrível descida aos infernos, a despeito da sua beleza, com excepção da inicial prestação escrita de Lobo Antunes. Eu já tinha, portanto, assistido ao regresso compulsivo das populações das colónias, a famosa ponte aérea, os dramas e as tragédias daqueles que chegavam todos os dias, muitos esperando porventura os caixotes enviados por via marítima, cidade de madeira que tantas vezes visitei em Alcântara. Dulce Maria Cardoso decidiu uma aventura ainda mais densa, baseada também nas memórias e no sofrimento daqueles tempos, pois agora, 40 anos depois (embora haja escrito outras peças de verdadeiro interesse testemunhal e literário), publica O RETORNO, o «primeiro caso sério de reflexão literária sobre os 500 mil retornados que aterraram em Portugal em 1975.» Vinda de Angola, a escritora foi um desses retornados, mas neste seu livro não pretende «um ajuste de contas» com o passado. José Riço, no «Público», anota que a escritora, noutro sentido, talvez procure um ajuste de contas com a sua própria obra, a anterior. Citando Dulce Cardoso, sente-se o que já muitos disseram, de outros modos: «Era-me muito penoso visitar o passado. Eu vivi parte dos acontecimentos que a personagem principal narra, portanto tive de revisitar esse passado, e também o outro que ia descobrindo. E isso magoava-me. Mas não era isso que me impedia de escrever. O que impedia era não ter encontrado uma proposta de reflexão. Foi um tempo de muito sofrimento para muita gente, e eu não queria usar o sofrimento sem que a ele estivesse associada uma proposta de reflexão».
O problema aqui enunciado pela escritora foi também sentido no meu caso: só vinte anos depois é que tudo ficou claro, certos acontecimentos transformada em alegoria, o visível e o invisível no bater dos corações sob o medo — e um dia sob a melancolia das distâncias relembradas. Quanto à entrevista concedida por Dulce Maria Cardoso ao jornal «Público», não é fácil segui-la sem voltarmos a sentir nas mãos o pó das picadas e na memória as imagens multirraciais que povoavam, em gritaria de crianças brincando, as cinco estrelas do Altis.
BASTAM SETE PRÉMIOS NOBEL PARA A SUÉCIA?
MORREU STEVE JOBS, E TALVEZ COM ELE A MAGIA
quarta-feira, outubro 05, 2011
COINCIDÊNCIAS VOLUNTÁRIAS, UM LIVRO RARO
«Tenho a manta sobre as pernas, os dedos frios, e uma dor nas costas que me anuncia, sobretudo nos dias húmidos de inverno, os desacordos do meu corpo com a Natureza. Olho para o texto que sobra no écran, já alinhado, e coloco o queixo sobre os dedos erguidos e dobrados da mão direita, talvez para saber se tem algum préstimo, mesmo em jeito de rascunho, escrever assim um atalho na direcção da alma ou da memória lacunar, coisa repisada de notas antigas e depreciadas.
Revisitação, escrevi no início. Mas é sobretudo um exercício contra a perda, as mãos separando papéis, fotografias, livros anotados, rascunhos de actas sem data, projectos inacabados de visitas verdadeiras, porventura a confirmação de que avistadas em certos lagos significam ainda, ao sul, um apelo utópico de solidão e permanência, contra a morte».
tel: 965393431
quarta-feira, setembro 21, 2011
MORREU JÚLIO RESENDE, BEM VINDA A SUA OBRA
sexta-feira, setembro 09, 2011
UM BELO CINEMA PORTUGUÊS CEGAMENTE BANIDO
Belíssimo desempenho de Beatriz Batarda
Desde 2006 que Teresa Villaverde não filmava uma longa metragem. Desde «Transe». Agora aparece «Cisne», uma obra em que Beatriz Batarda interpreta a personagem de uma cantora em crise íntima. Menos «pesado» do que em peças anteriores, sobretudo «Mutantes», Teresa conseguiu gerir por completo as vertentes de uma realização deste género: o filme passou na terça-feira, dia 6, no Festival de Veneza, na secção paralela Horizontes, e, surpreendentemente, estreia-se já, hoje, quinta-feira, em Portugal. Esse «fenómeno» sopra nos distribuidores, nos intermediários, em todos os contactos, por vezes obscuros, que as próprias artes, todas, carregam sobre as costas. Teresa lembrou-me a minha própria aventura, quando fiz filmes que só vieram a lume nos circuitos universitários, não tendo nunca, em volta, um simples aceno de alguém que os achasse transferíveis para nova realização profissional, pronta a aceder aos circuitos profissionais. Nunca soube os naipes das cartas nos secretos jogos de fascínio e influência do nosso liliputiano meio financeiro, das alavancas culturalmente capazes de abrir espaços, entre a criação e vários planos de oportunidade. Digo isto a propósito de obrazinhas que fiz em solidão, desde a produção, o financiamento, os actores, a escrita do roteiro, as filmagens, divindindo-me em fotógrafo e realizador, depois em editor, em curiosos zelos de montagem e finalização, ou seja: trabalhava como director executivo do som e das bandas musicais.
Não estou a fazer o meu auto-elogio, embora pareça. Estou a rever fascinações que me são agora,
a um nível de outro peso, por Teresa Villaverde: ela fez tudo do princípio ao fim, imaginando esta bela viagem, assumindo-se realizadora e câmara, a par do trabalho de edição e do som, incluindo, por fim, distribuir a obra (três cópias apenas), tanto em Veneza como em Lisboa. No plano a que ela trabalhou, superando a crise, merece que a olhe mos com atenção e na bofetada enluvada que foi espalhando pelos perfumadas instituições, Estado, Lobys, Figuras do dinheiro e do tráfico destas mercadorias -- um horror que emigra das grandes capitais e manipula o público português, aquele que se deixou cair no lado rasca da cultura e que ainda se dá ao luxo de misturar o colonialismo guerreiro, monopólios, com as serenas reflexões sobre a condição humana e os erros do árbito.
O cinema de Teresa Villaverde sempre de configurou numa aproximação dramática, senão mesmo trágica das vidas no limite. Mas, neste seu último filme, uma certa pacificação abrange a teia de conflitos existenciais em torno da personagem central. Não sabendo explicar muito bem porquê, a autora chama a atenção para questões relativas aos níveis etários em filmes como «Os Mutantes» e o actual. No anterior, as figuras de crianças ou gente de uma puberdade ferida, eram confrontadas com a fealdade do contexto, a degradação dos dias e dos lugares. Em «O Cisne», sem que a base do humano passe pela inspiração de alguém, a realizadora lida com pessoas mais velhas, o que tende a um caminho mais reflectido ou a lutas interiores mais controladas. Vera, assumida por Beatriz Batarda, é desde o início uma cantora. Tal facto não aparece cristalino, mas a verdade é que ela escreve as suas canções, Villaverde vive a sua vida, a suas inquietações. Quando Vera está no palco, Beatriz dirige o que há para dirigir, gera uma fonte de angústia.
No «Cisne», diz-nos Teresa numa entrevista que deu ao Diário de Notícias, o meu entendimento com Beatriz foi enorme, muito profundo e construtivo. Ela trouxe muita coisa ao filme, uma energia muito dela, e tornou possível uma calma que me permitiu escrever durante a rodagem, refazer materiais, mudar diálogos.
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Estas breves impressões baseiam-se, em parte, na entrevista referida, com Eurico de Barros.
domingo, agosto 21, 2011
A EUROPA ONDE VOLTAM A MANDAR OS MESMOS
Esta senhora, contrariando a estabilidade de Europa com a centralização de poderes, aliás partilhados com os franceses, determinou a criação de um novo governo para a Europa, taxas sobre operações financeiras (bolsas) e dois presidentes que se reuniriam duas vezes por ano com o governo, incluindo um segundo ministro dos negócios estrangeiros.
Na Europa, eventualmente num lugar assimétrico e pacífico, com um plano técnico e de excelência, todos os governos e sábios convidados devem reunir-se para resgatar valores e projectos em perda, tratar de ratificações e rectificações, em larga reconstrução de novo começo, livre de burocracias obsoletas, de planos risíveis como vimos há pouco de um casal impetuoso e divertido, algo bem dirigido contra os rápidos atritos entre ricos e pobres, atritos do sonho e tendo em conta as graves humilhações que rapidamente se instalaram na chancela dos documentos sem fim.
Ao contrário, as apodrecidas periferias da Europa, ideia xenófoba que os aristocratas do Norte dizem abanando cada vez mais a cabeça. Esquecem-se que a pobreza, há anos situada abaixo do Norte de África, já se encontra acima do Mediterrâneo, proeza que os próprios sistemas ricos, de orelhas tapadas pelas peles dos desportos sumptuosos e caros. Acabarão por deixar-se mudar ao acaso e a a Alemanha terá fronteiras sem nada em redor, sozinha, periférica de si mesma diante do pântano de que falava António Gueterres. Os alemães serão vítimas da sua própria grandeza (o que já aconteceu por mais de uma vez), vivendo ainda os gostos e os abusos da civilização global. Tudo o que cresce assim, enterra-se no lixo e contrai doenças novas. Obama que o diga, parece um esquecido grande jogador de basquet isolado e fora de moda. Sentir-se-á fustigado por gente que não sabe o valor dos lugares e das culturas, sem perceber o sentido da geografia humana, da saúde, dos mercados regulados a sério e fornecendo ao indivíduo não apenas crenças e mitos mas sobretudo o espaço da Educação vivida também para fora e fornecendo ao indivíduo uma espécie de criação de sortilégios, no bom sentido, ou seja a fecundação dedicada a quem somos e não ao consumismo que nos impingiram e nos vai destruindo.
sexta-feira, julho 22, 2011
UM ROSTO NOVO E ESTIMULANTE NA REPÚBLICA
da Assembleia da República Portuguesa
Como se pode ver, em muitos aspectos, entre os principais, Portugal assume por vezes actos nobres, escolhas lúcidas, entregando à cultura e à razão de uma das suas mais notáveis cidadãs o segundo mais alto cargo da Nação. Não se trata de um louvor, trata-se de uma especial subtileza.
NA MORTE DO NOTÁVEL PINTOR LUCIAN FREUD
Para além das controvérsias, uma maioria de observadores considera este artista como génio. Numa época de NEGAÇÃO, em que tudo o mundo queria ocultar a realidade, autores como Lucian Freud colocam os nossos olhos diante da vida: beeza, fealdade, paixão, desamor, juventude. O seu avô Sigmund Freud psicoanalisou mediante a psiquiatria o seu neto, a face bem simétrica aos olhos.
Lucian Freud aproximou-se da estética do surrealismo mas, durante os anos 50, mudou de registo, explorando a pintura de retratos, geralmente nus humanos. Filho de pais judeus, Ernst Ludwig Freud, arquitecto, e de Lucie Brasch, era, como vimos, neto de Sigmund Freu e irmão do escritor político Clement Raphael Freud e de Stephau Gabdol Freud.
Frequentou e concluíu estudos de arte em duas brilhantes escolas inglesas. O seu trabalho terá recebido daí muitos ensinamentos técnicos e de atmosfera, mas os nus de corpo inteiro, patéticos, e os retratos surpreendentes, a começar por si mesmo, têm sintomas germânicos e sobretudo a força afirmativa dos sentimentos ou, em certos casos, os olhares imóveis de uma lembrança impossível.
terça-feira, julho 12, 2011
LOUVOR AO CORPO, PINTURA PORTUGUESA HOJE
segunda-feira, julho 11, 2011
AS PEDRAS DA CALÇADA VINDAS DA MÃO HUMANA
quarta-feira, julho 06, 2011
ENTRE O PROGRESSO, PERIFERIAS E MONSTROS
obra de Cabrita Reis
Usemos um novo Título
ENTRE A PERIFERIA DA LUZ E O MONSTRO INSTÁVEL
