sexta-feira, setembro 22, 2006
AS PALAVRAS DIZEM AS COISAS

ESBOÇO PARA UMA POESIA INICIAL

quinta-feira, setembro 21, 2006
ESBOÇO PARA UMA POESIA INICIAL
segunda-feira, setembro 18, 2006
COMPRAZIMENTO DO VER

Margarida Cepêda: «Efêmero e Permanente»AS VOZES ENGANADORAS OU A RELIGIÃO DA MENTIRA
Öyvind Fahlströmdomingo, setembro 17, 2006
AS DIFÍCEIS ESPERANÇAS DO «SOL»

sexta-feira, setembro 15, 2006
UM HOMEM DE REFERÊNCIA, HOMENAGEM NO LIMITE

quinta-feira, setembro 07, 2006
terça-feira, setembro 05, 2006
A MÃO DE FERRO


Percebi tarde o desamparo
de haver esquecido em casa
esse entrave,
segredo para cada retorno
ao esconderijo
de todas as urgências.
que substitui a mão de ferro
e o seu batimento
por cada volta de quem chega
ao lugar multiplicável,
entre o sofá e a sua negação.
Eu sabia o que significa
ficar preso na rua,
sob a luz crua,
impedido sem prazo
de refazer o esconderijo
onde inventamos
o encantamento
de quando nos entregamos,
descalçando os sapatos,
ao prazer morno da lassidão
e às memórias
de todas as histórias inteiramente lá fora.
Cá fora estou,
horas a fio, enfim,
que o dia levou tempo para o entardecer
a fim da noite tecer
e as luzes dos outros tardiamente,
pobre gente em todo o caso chegando a casa,
contempoprânea da última viagem
do último eléctrico rangente, atroador e plangente.
Comecei então a atravessar a cidade com o fim de alcançar a casa de meu avô.
Uma noite de sono em caridade.
A mão de ferro da porta dele é velha, pintada de prata e ainda grata no seu bater já espalmado, de lata.
E agora a mão de carne empurra o ferro da mão prateada, quase sem tinta e amolgada,
barulho inquietante, parece enorne no silêncio restante.
Se o avô morreu não sei, nem sei se o levaram para qualquer outro lugar ou fim.
Sei, isso sim, que me tornei de súbito vagabundo, neste compacto cimento do mundo.
Sem-abrigo, impensavelmente antigo, enrolado sob a mão de ferro pendurada:
Espécie de vida amargurada
e os meus olhos a sangrar mais tarde já no emergir da madrugada.
quinta-feira, agosto 31, 2006
ESBOÇO DE UMA AGONIA

O calor em volta, passos breves na areia, a lua vai nascer. Há um planeta além que serve de bússola aos pescadores. Daqui a pouco, o mar à direita, começam a aparecer vultos na sombra, trabalhadores da candeia, e com eles vem a ilusão de que se acentua o batimento repetitivo das ondas baixas na orla do mundo. Hoje, com a temperatura morna da noite, vou dormir além, junto das rochas, atrás de uma pequena duna salpicada de juncos.
quinta-feira, agosto 24, 2006
AS CICATRIZES SEM ROSTO
terça-feira, agosto 22, 2006
TEMPO ENGANADOR DE FLORES E FRUTOS
quinta-feira, agosto 17, 2006
A FACE DO TEMPO OUTONAL
segunda-feira, agosto 14, 2006
O BRANCO LENTAMENTE
terça-feira, agosto 08, 2006
FUNDAÇÃO INFUNDADA
sábado, agosto 05, 2006
A CASA REVISITADA



Cheguei ontem e decidi ficar. Ficar assim, olhando os restos de quem fui, ou de quem foi por mim, entre palavras. Tenho a casa toda para esta disponibilidade porventura irreversível, com o rascunho da morte empilhado ali, num monte de papéis velhos, tinteiros, carimbos, canetas de aparo, postais já sem destinatário.
Alguém morreu no quarto ao lado, ficaram os objectos. Coisas, retratos, roupa escura, ou essas marcas enigmáticas nos calendários de cores desbotadas. Alguém morreu desse modo, um pequeno caos em volta, passos, eu chegando e partindo como se o futuro se atrasasse por cada viagem de novo. Mas o futuro chegou mais cedo, quando a casa se enchia do perfume da roseira, depois de inscrever quase súbitas rasuras no rosto de quem o esperara de outro modo. Chegou a esse rosto, à clara luz do sol, deixando-lhe estranhas assimetrias na boca, a voz soletrada, um fio finíssimo de saliva ao canto dos lábios. Assim, breve, contra a paisagem de cal.
Abertura do romance e Rocha de Sousa, A CASA REVISITADA, distribuído prla Dislivro e impresso na gráfica J&L. A obra divide-se em duas partes: 1 nostalgia dos anos intencionais. 2 reencontro no murmúrio das raizes.
quarta-feira, agosto 02, 2006
O HOMEM DA ILHA












