sexta-feira, fevereiro 06, 2009

GIL TEIXEIRA LOPES: SOPROS DE VIDA

Gil Teixeira Lopes SOPROS DE VIDA

Gil Teixeira Lopes expõe (13 de Fevereiro), no Centro Cultural de Cascais e apoio da Fundação D. Luís, um conjunto de suas obras suas a que, neste caso, confere o título SOPROS DE VIDA. Como já é habitual neste autor, a força da sua obra pictórica faz-se acompanhar de ensaios e peças de escultura. A História terá de reiterar a importância e o colossal vigor do trabalho deste artista, professor catedrático jubilado de Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. E é ainda preciso fazer apostas destas perante os opacos silêncios que, em Portugal, sufocam a voz de artistas assim, algumas gerações que marcaram a arte contemporâmea portuguesa até aos nossos dias e que uma certa crítica recente, sem memória, presa a uma aprendizagem mimética das vanguardas acentuadas sobretudo a meio do século XX, espectáculos muitas vezes não mais que redutores, a par dos exemplos maiores a quem foi permitido que atravessassem a fronteira dos anos 80. Os jovens passaram, em muitos casos com justiça, a ser tutelados (ou mesmo orientados) por tal crítica tecnocrática; mas o excesso de informação consumista diversificou falsas originalidades, procurando o dogma e o esquecimento de todos os passados. Muito mecenas, algumas instituições, que absorveram alguns críticos como curadores, abriram imensos caminhos aos jovens. Há jovens em todas as veredas da busca, novas galerias, bienais, feiras, lojas do devaneio. Os grandes autores vivos do século XX português são ostracizados, por vezes escandalosamente, como sempre aconteceu com o pintor Gil Teixeira Lopes, Grande Prémio Internacional de gravura, obra que deveria ser revista e explicada justamente aos jovens. Sobraram Júlio Pomar e Paula Rego. São cumprimentados casos intermédios mas apoiados, como Graça Morais, Cabrita Reis, Angelo de Sousa, entre alguns outros. Hogan foi devidamente compensado quase a título póstumo. Querubim Lapa não tem rosto. Artur Rosa fotografa a Helena. Júlio Resende está lá para cima. João Abel Manta não é solicitado. E tudo o que era preciso rever, comparar, mostrar o que é isso da evolução das formas em autores que já faleceram mas deram importantes contributos para o próprio século XXI: Sá Nogueira, António Charrua, D'Assumpção, Bual, Menez, Eduardo Luiz, Costa Pinheiro, António Areal, José Escada, Manuel Baptista, Jorge Pinheiro, uma galeria imensa de já falecidos e outros ainda vivos, cuja obra teve circunstancialmente um sucesso por vezes mitigado e aos quais teria certamente de pertencer Gil Teixeira Lopes. Ao superar, durante anos, um enorme sofimento com cirurgias ao coração, refém da morte próxima, Gil conseguiu fazer um transplante cardíaco, lutar de novo, não parar nunca, e aí está o testemunho cujos êxitos são genuínos e os fracassos próprios de quem corre riscos e nunca cede, nem à doença. O gosto telúrico desta gravador/pintor, desenhador, escultor, pode ser acusado de ampliado na retórica. Mas então veja-se o modo de criar na Renascença e a reabilitação transformista dos maiores mestres da modernidade. É preciso que se saiba, de uma vez por todas, que a arte portuguesa contemporânea não se divida em dois compartimentos intransitáveis: antes dos anos 80 e depois dos anos 80. Mesmo no domínio da opinião, a ganância em efeitos como os que vemos, agora, em volta, pelo mundo inteiro, desconstrói o mundo, esconde os valores, faz do excesso a pequenez do animismo recente.

5 comentários:

Maria João Franco disse...

Conjuntamento aplaudo o homem ,o artista que para além da sua qualidade como criativo tem constantemente lutado com a vida contra a morte.
Não é justo,nem social nem culturalmente que se ignore esta figura do panorama plástico deste país tão miserável e com valores culturais tão ricos.
A submersão cultural é um crime contra a história de um povo.
Maria João Franco

Anónimo disse...

Aplaudo "de pé" as palavras da Maria João Franco, também ela uma grande Artista. Quero apenas sublinhar as suas palavras, de facto, promove-se tanto "lixo" nas mais diversas áreas, sobretudo no meio das artes plásticas, em que o que mais conta é o marketing e o compadrio, passando para o esquecimento, pior, para a ignorância grandes figuras das artes (da cultura)como é o caso deste GRANDE MESTRE.
Grato à Mª João Franco pelo que escreveu, Força e Ânimo ao Mestre Gil Teixeira Lopes!
Com abraço do Luís Fernandes

helena disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
helena disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Matic Bukovac disse...

Dear Sir,
My name is Matic Bukovac. I am a graduated restorer, cultural anthropologist and a painter. I am also a postgraduate student of painting at the Academy of fine arts in Ljubljana, Slovenia.
I have in my posession a rare book, a special edition of Os Lusiadas by Luiz de Camões with 10 signed and marked água fortes by Gil Teixeira Lopes for every canto in the book. ( Signature example: 26/ 100 água forte Gil Teixeira Lopes ) It was made in 1980 and is marked as Exemplar N.o 26.
As I understand only 15 of these books were ever made and funded by Fundação Calouste Gulbekian. 5 of them were sent to museums and 5 remained in posession of Gil Teixeira Lopes, who as far as I know is a very known painter in Portugal and a retired professor at the Academy of fine arts in Lisbon. The book came into my family as a diplomatic gift. It is marked as a example No. 26. Its dimensions are 57,5 x 39 cm, with its hard covers dressed in linen.
I would like to sell this book in Portugal. I believe that such a beautiful example of portugese art would be most appreciated in its country of origin – Portugal. If you could give me any kind of advice or contacts that could help me sell this book and bring it to Portugal, I would be very greatful. Names of galleries or art dealers in Lisbon would be warmly welcomed.
Could you perhaps give me an approximate estimation of how much a collection like this is/would be worth. I personally dont know how much works by Gil Teixeira Lopes are worth.
I have attached 2 attachments to this message, describing the book in question. Unfortunately I only speak english and slovene, but I have made a part of presentation using portugese language. If I have made any mistakes forgive me, as portugese isnt my mother tongue. In the attachment »Os Lusiadas« there is a page by page description of the book. In the »rar file« attachment »Gil Teixeira Lopes« there are pictures of the book in a bigger format. If there is anything wrong with »Gil Teixeira Lopes« file, please let me know, I will send it to you again.
If you would be so kind to give me any information or advice about selling objects of art in Portugal, particulary Lisbon, you can contact me on my :

Mail: maticbukovac@hotmail.com
maticbukovac@gmail.com
Mobile phone: 00 386 31 299 133 ( 00 386 – calling number for Slovenia )
Stationary phone: 00 386 23 25 386
Home adress: 22 Ilirska Street - center
1000 Ljubljana ( capital of Slovenia )
Slovenia
Europe (European union )

Below in P.S. is some information about the book contained within the book.

I will be looking forward to your reply,
yours sincerely

Matic Bukovac

P.S. :
OS LUSIADAS
LUIZ DE CAMÕES

ESTROFES DE OS LUSIADAS
EROS E ARES

Gravuras: GIL TEIXEIRA LOPES
Introduçao: Eduardo Laurenço
Esta obra foi patrocinada pela Fundação Calouste Gulbekian com a garantia de compra 15 exemplares
Esta edição integrada na Colecção »ARCANO XXI«, representa uma escolha de estrofes de »OS LUSIADAS«.
A obra consta de cem exemplares feitos em papel Fabriano № 21 GF e 23 GF, todos numerados e contendo cada um dez águas fortes numeradas e assinadas pelo artista.
Desta edicao serão feitos mais dez exemplares numerados, constituindo uma série designada »Prova de Artista«, da qual cinco exemplares são pertença do artista Gil Teixeira Lopes e os restantes cinco são destinados a distribuiçao por Museus.

As chapas de cobre utilizadas pelo artista, como matrizes na impressão manual des águas fortes deste livro, serão inutilizadas, após tiragem, com várias furações.
EXEMPLAR N.o 26
As gravuras desta ediçâo foram impressas por Humberto Marçal. O texto do livro foi composto nas oficinas gráficas Henry Gris, Lda., em Lisboa
Junho MCMLXXX
LAUS DEO