quinta-feira, fevereiro 15, 2018

revista CRISTINA cancro REBECA


             
         QUE O AR SE PURIFIQUE SEMPRE




Cristina Reis, vedeta da TVI, arejada e gritante, apresentou ontem a revista de que é directora,
justamente chamada Cristina. Por muito que se estranhe, embora a artista se estivesse a  referir
a Rebeca, cantora portuguesa que sofreu de cancro e novamente, com estoicismo, foi atacada pela pela mesma doença, erguia e publicitava revista de hoje, CRISTINA, dizendo «está amanhã nas bancas. Penso que a hora e a situação não era para a forma usada pela Cristina Reis embora a saibamos descontraída. Mas ela iria gritar,  chamar de  longe por alguém, rir-se, num  velório ligado porventura a pessoa amiga e conhecida.
Ontem, no programa que regia, Cristina Reis dizia: «Fiquei sem chão. Era o último dia do ano  e abri o meu mail. Tinha uma mensagem da Rebeca, a cantora portuguesa, »Como é possível outro cancro? Ainda agora comecei a quimioterapia e, se estar sem cabelo é doloroso, os outros efeitos secundários são horríveis. As únicas pessoas que sabem são a minha família, alguns amigos próximos e agora tu».
A notícia é tratada com outras fotografias, na capa, no interior e dados sobre a cantora. Mas não haveria maneira de não se fazer (abertamente) publicidade à publicação, havendo a própria pessoa ou foto dentro da montagem? E se todos os pivots da TVI começarem a anunciar, entre parênteses, os seus paralelos profissionais? Discos, Livros, Trabalho num restaurante. Modas. Habilidades de alunos? Há aqui uma pontinha a falhar na deontologia. 
      Dizia um outro: «Não eeraaa  neeceesssáriiiio.»

A TELEVISÃO 
          NÃO NOS OBRIGA A NADA
                                    

segunda-feira, janeiro 08, 2018

PRECISAMOS DE UM MILAGRE

Sou um leitor assíduo de Clara Ferreira Alves. Quase não perco uma das suas crónicas no Expresso. No último número da revista, logo na primeira página como sempre, Clara brindou-nos com mais um belo texto que eu colocaria, nas minhas letras ou pinturas, com o já repetido título Desastres Principais. Ela repete o grito de uma sem abrigo de Nova Iorque, apelo brutal dito em plena rua sob uma temperatura de 23º negativos: "PRECISO DE UM MILAGRE" .
Depois de uma pungente narrativa sobre aquela cidade, ruas vazias  e cobertas de neve ou gelo; depois de abordar o problema odioso do comportamento dos ricos perante os mais pobres dos pobres; depois, ainda, de descrever os montes de cartão, peças de embalagens, restos de coisas desconhecidas, mantas, ruídos de sonos apavorados ou silêncios de gente ali dormindo (talvez tentando) e outros porventura já incapazes de respirar, Clara Ferreira Alves dá-nos a ver e a ouvir o grito de uma rapariga nova, envelhecida pelo terrível sofrimento desta vida sem abrigo, noites de inferno, tempo que só Deus poderia reconsiderar. 
O grito repetia-se: Preciso de um Milagre. Precisamos todos,  uns mais do que outros, à medida dos paradoxos e das conflitualidades do mundo  e dos   desastres principais que parecem estar prestes a expulsar a humanidade de  algum discernimento colectivo e por último do próprio planeta, pelo destino próprio e pela nossa ajuda demente.
Ainda cito o fim da crónica de Clara, porque esse direito lhe pertence e agora também a todos nós.

«Ninguém conseguiu ou quis resolver, ou tentou, o problema dos abandonados e vagabundos, os doentes mentais que Reagan resolveu despejar nas ruas e fechar os hospitais psiquiátricos, dos desempregados sem morada certa, dos drogados e alcoólicos, dos loucos de origem misteriosa, dos veteranos de guerra, dos negros, dos adolescentes e dos abusados sexualmente que fogem de casa, das mulheres violentadas e refugiadas nas ruas de todos os que cairam em desgraça  e escaparam pelas malhas do sistema. (...)  Muitos sem abrigo foram atirados para os subúrbios, despejados no tempo de Giuliani. Estão agora debaixo das pontes e nos vãos do Massachusetts ou de  New Jerssy. Estão, finalmente mortos».

quarta-feira, novembro 01, 2017

CÓDIGO PENAL OU A BONDADE BÍBLICA

                                                                   MOCA ATENTA

quarta-feira, outubro 25, 2017

CÓDIGO PENAL, A BÍBLIA E A MORTE


Portugal, com séculos de moldagens e sentenças religiosas ou aventuras culturais, tem por vezes entrado em colisão com diversos juizos retorcidos de cada tribunal, quer no plano dos direitos, que no espaço dos deveres. Tem havido juízes de valor e outros julgando através de retóricas fora da simetria do triângulo que integra a justiça.

Recentemente, perante o caso de uma mulher casada que cedeu aos apelos do adultério e que, posteriormente, foi espancada pelo marido com uma moca crivada de pregos, o juiz Neto de Moura, secundado pela colega Maria Luisa Arantes, redigiu, no Tribunal do Porto, o acordão de 11/10/2017, em termos hoje insustentáveis, como podemos avaliar pelo conteúdo no dito documento (Diário de Notícias | 24 de Outubro, 2017)

«O arguido, homem munido de uma moca dilacerante, foi condenado a um ano e três meses de prisão, pena suspensa na execução, por ter agredido a mulher com uma moca munida de pregos --  tendo em conta que esta teve uma relação extraconjugal.»
    
       Estou a citar páginas do Diário de Notícias e do texto intitulado "Cultura do Machismo na Justiça "
     São apontados vários acordãos em que o desembargador Neto Moura, do Tribunal da Relação do Porto, tem recorrido à desculpa da conduta de agressores domésticos, casos de agressão no quadro da violência doméstica.

                                              ASPECTOS do  ACORDÃO

      «Este caso está longe de ter a gravidade com que, geralmente, se apresentam os casos de maus tratos no quadro da violência doméstica. Por outro lado, a conduta do arguido ocorreu num contexto de adultério praticado pela assistente. Ora, o adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem.»
            «Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Na Líbia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte. Ainda não foi há muito tempo que a lei penal (Código Penal de 1888, artigo 372º) punia com uma pena pouco mais que simbólica o homem que, achando  sua mulher nesse acto a matasse.»
           «Com estas referências pretende-se, apenas, acentuar que o adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras) e por isso se vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher»
              «Foi a deslealdade e a imoralidade sexual da assistente que fez o arguido X cair em profunda depressão e foi nesse estado depressivo e toldado pela revolta que praticou o acto de agressão, como bem se considerou na sentença recorrida»

    
          O que se disse no "Diário de Notícias mais à frente, por Teresa Martinho Toldy sublinha que não é suposto o juiz fundamentar decisões com base na bíblia. Em boa verdade, no caso em referência, o que o juiz faz é legitimar a deia patriarcal de que o adultério é alguma coisa ligada à mulher, que é um ser pecaminoso. Nesta conformidade, que deveremos dizer aos assassinos cruéis do ilusório Estado Islâmico ou à cegueira sanguinária dos Talibãs, ensinando só as palavras de Alá às crianças, proibindo a música, o teatro e o cinema. Que farão essas pessoas a julgar, a ensinar, ou que intimidade consente no domínio privado à sua mulher de casamento. O mundo perde-se cada vez mais numa balbúrdia global, entre o fogo e as infinitas ondas que os tufões namoram, atirando o luxo da «honra humana» para as covas da peste por ela mesma produzida milénio a milénio.

Rocha de Sousa             

terça-feira, novembro 22, 2016

algumas declarações de ANTÓNIO BARRETO

                                                                         

algumas declarações de ANTÓNIO BARRETO
cientista social e cronista.
é meu intuito declarar aqui o grande apreço por esta personalidade,
intérprete da realidade portuguesa e dos valores nacionais e sociais
que nos desenham e explicam. Rocha de Sousa

perante o «desastre» da eleição de Trump nos EUA, linguagem corruptiva e de um excesso estranho, Barreto declarou que a habitual arrogância da esquerda produz em geral efeitos com aquele recorte.
esta frase, que me ocorreu tempo depois de a ler deve ser escrutinada sociológica e politicamente

OBSERVADOR: Afinal, Antóno Barreto é detentor de um percurso intelectual, o que remete certas declarações para um modelo de ambiguidade do pensamento  (ontológico).

            traduzido do inglês

sábado, outubro 29, 2016

AS PALAVRAS DO MINISTRO DAS FINANÇAS ALEMÃO

Não há palavras que possam comparar-se com aquelas que,mais uma vez o ministro das Finanças da Alemanha expeliu para as câmaras. Disse: «Dantes, Portugal fez um trabalho de excelente efeito, na gestão do país; agora vemo-nos confrontados com critérios de duvidoso resultado para 2016/17.
Como é que um governante desta notoriedade se atreve a dizer para as câmaras o que muito bem lhe  apetece, sem que os assuntos tenham sido abordados em comissão e partilha, equilibrando-se com os contextos e a história e a cultura do respectivo povo?

domingo, junho 26, 2016

A BREXIT MANIA ENTRE PERDA


Andava toda a gente a remoer as decisões  europeias e já a fina flor do Reino Unido lançava luz sobre uma certa promessa inicialmente feita pelo Primeiro Ministro: tratava-se do mais simples referendo atraavés do qual os nobres ingleses (todos) iriam dizer se queriam ou não  permanecer na União Europeia.
Houve forte ruído em torno disso, mas o Parlamento do Reino Unido lançava luz sobre a promessa inicialmente feita pelo Primeiro Ministro, David Cameron: o que parecia ao simples cidadão, e apesar dos apertos de Bruxelas, a questão não parecia assim tão simples, mais ou menos como a dentada na maçã. Há dentes que sangram após essa atitude natural.
Um só dia depois do referendo, documentado nas televisões como uma bela lição de civismo, incluindo esse facto patético de dois velhos terem morrido após o acto de votar. A grandeza desta tragédia. Pois sim: eles haviam ouvido os debates, gente rangendo da pior maneira contra outra gente, campanha absurda que certamente aterrorizou muita gente: os tais velhotes, pelo menos. É que, durante a votação e a contagem dos votos o imaginários dos velhos ainda vivos deve ter-se encantado com os cenários, os grandes espaços cobertos  de mesas lado a lado, rapazes e raparigas lado a lado,trabalhando os montes de papéis e outros, em fila indiana, passando as urnas brancas e pretas de mãos em mãos. Tais imagens abrandavam o nosso medo de estrangeiros e mostravam uma peça engendrada com requinte, como se no fim não houvesse senão um empate e um abraço entre todos.
Contra as bizarras sondagens ingleses (já se viu isso em eleições gerais), a contagem deu a vitória à saída da União Europeia, coisa que anda no ar desde as ofensas aos gregos em reuniões de trabalho.
Agora toda a gente, da esquerda à direita, anda por essa Europa fora a fazer ameaças de fazer também um referente: em Portugal, uma importante figura do Bloco de Esquerda gritou que faria um referendo se Bruxelas insistisse em manter sanções contra este país por décimas acima no déficit decretado.
Ora se este rapariga, enrouquecendo, fez esta ameaça de um cantinho partidário, bem se pode imaginar o que vão ser as negociações para consolidar a saída do Reino Unido, horas e horas de senhores cinzentos barafustando não tanto a saída mas a reconquista de um império já inexistente, ou seja, negócios
retomados noutra perspectiva, com mais liberdade e menos pressão burocrático. Talvez não passe de uma utopia mas os ingleses sabem tratar de si.
Pelo contrário, o que restará agora da Europa ou se revê num trato mais coeso e menos amarrado a regras cruzadas. Porque este espaço e 27 países não se pode tornar numa fortaleza medieval mas duríssima, flagelando a população no fundo das dos altos muros. Dentro, a polícia abre espaço aos carregadores de negócios, enquanto uma espécie de exército espreita as ruas contra os alucinados jihadistas que pululam, convertidos, por toda aparte e são bem capazes de se fazerem explodir no meio de uma praça, gritando Alá é Grande! Estão enganados com as oferendas (femininas) do céu para onde caminham os bocados das almas estilhaçadas. Todos eles já deviam ter aprendido a perceber que não há deuses bons e que oferecem afecto e mulheres meigas. Em todas as religiões a noção de pecado é maior ou menor mas mlenar, com ameaças de castigos sem nome. Todas são assim e o homem aprendeu a defender-se, não através do nem mas pela guerra e pelos genocídios.
A Europa desta ignóbil globalização que estragou meio mundo, devia refazer-se
com os seus parceiros, jogando pacificamente, sem choques, as bolas de um bilhar simbólico. As soberanias não são mitologias: são a história, a civilização e a cultura. Amarrá-las sobre o bilhar, sem liberdade e sem trocas amistosas, é apenas apressar o apocalipso.