O Comendador Marques Correia exprimiu a Jardim Gonçalves, em carta de 22 de Outubro de 2007 a perplexidade que o assaltara perante o clamor que se levantara contra aquele banqueiro inaposentável, clamor que se ficou a dever, pensa ele, às dívidas entretanto pagas (paternalmente pagas) contraídas por um filho algo aventureiro. Disse o Comendador que o mal estava em ter pago os 12.500.000 euros gastos pelo rapazola, o que não altera em nada a salgalhada que vai pelo BCP. O Comendador já não se lembra daqele tempo em que a idade de 70 anos levava à reforma compulsiva. E também não se lembra muito bem, presumo, daqueles senhores que começavam como paquetes e acabavam em gerentes, donde só saíam para o hospital ou para os Jerónimos. Este senhor, senhor Comendador, talvez seja o homem «que não devia pagar». Mas ele é um ganhador que não quer envelhecer.
domingo, outubro 28, 2007
sábado, outubro 27, 2007
ARTISTAS PORTUGUESES CONTEMPORÂNEOS I Maria João Franco
terça-feira, outubro 23, 2007
JOGOS POUCO INOCENTES *
Este extracto do artigo «Jogos pouco inocentes» (revista Actual/Expresso) da autoria de António Guerreiro* aborda um problema cada vez mais grave no nehócio dos livros, roda de jogos e sorteios entre tráfico de influências, em que alguns talentos são ostensivamente espezinhados e outros, por lugar e circunstância, se situam no Sistema (em desordem) das editoras que se gabavam de descobrir qualidades e editar obras de referência. Neste livro, diz António Guerreiro, é muito visível o contraste entre aquilo de que o autor é capaz e os lugares onde vacila.
O ESTRANHO MUNDO DE FÜSSLI
quinta-feira, outubro 18, 2007
INCOMPARAVEL-MENTE
Foi considerada uma mulher muito corajosa. Benazir Bhutto, primeira-ministra do Paquistão há mais de 14 anos, foi deposta e reeleita mais tarde, considerando-se por isso «uma sobrevivente». Zulfikar Ali Butto, pai de Benazir, escolheu para a filha o nome de «incomparável». A sua trajectória privilegiada, sendo a irmã mais velha entre os outros filhos de Zulfikar, levou-a a concluir os estudos de Ciências Políticas e Filosofia, nas universidades de Harvard e Oxford, os quais acabou no fim dos anos 70. Nessa altura, o regresso à sua terra foi auspicioso, mas ela terá de passar por mais regressos. Antes disso, conferiram-lhe vários «títulos»: «mulher corajosa», «filha do destino», simplesmente «filha». Carachi é a sua terra natal e lá a esperam após 9 anos de exílio em Londres e Dubai (nada mal convenhamos), talvez milhares e milhares de pessoas. Este é mais um regresso (porventura problemático), mesmo tendo em conta a ideia dos habitantes da província de Sindh, se se considerar que ela aspira de novo ao poder. Há quem a entenda como «uma mulher corajosa, elegante e inteligente», mas há também quem a recorde como «uma grande desilusão enquanto primeira-ministra». Esta última questão também se relaciona, em parte, com a sociedade paquistanesa, muito polarizada e dividida entre os que amam esta mulher e os que a odeiam. O seu casamento, muito negociado pela mãe, não se pautou por uma escolha apaixonada. Casou em 1987, já famosa na política, com Asif Ali Ardari, um quase desconhecido para ela, praticante fundamentalista do pólo e vindo de um estatuto humilde. Este homem insistiu na proliferação de herdeiros e um dos seus «desportos» principais passava por coisas menos chiques do que o pólo -- era a corrupção. Benazir viajara nos anos 90, contra a opinião local, e dizia-se interessada em conhecer bem as relações internacionais, fundo imenso em que acabou por se enredar. Mas os paquistaneses deram-lhe o benefício da dúvida, desligando-a das penas aplicáveis por práticas menos recomendáveis. Voltou ao poder em 1996, dizem que tempestuosa e arrogante. Assumiu-se como o próprio Paquistão. Lembram outra vez, em 1996, a narração das aberrações, contratos, tráfico de todas as influências, casos trágicos da antiguidade e as intrigas dos impérios onde a traição e a volúpia do poder marcavam tudo. A sua prática nessa altura, contra as recomendações da Amnistia Internacional, após acusações de mortes nas prisões, assassinatos sumários, repressão relativamente à oposição, era condenada nas dimensões imponderáveis que alcançou. Quando deixou o poder de novo, em 1996, as aberrações, contratos, tráfico de todas as influências, escapam a uma narração nestas dimensões de espaço e tempo. A história torna-se difícil de sintetizar.É por isso que, como dizem os jornais, todo esse currículo (onde contam anos de prisão) deixa uma pergunta inquietante no ar: «quem é esta mulher que aterra hoje em Carachi?» É, dizem os que sabem, uma mulher muito diferente do que era em 1986. Nessa altura (pode ler-se no Público) tinha o ardor da juventude e voltava para desafiar um ditador. Agora volta mais uma vez, mas para se ligar a um outro. Citamos a sua biógrafa Christina Lamb: «Isto vai tornar difícil ela poder dizer que está a lutar pela democracia». A verdade é que este rosto ainda cuidado e reflectindo uma beleza mítica, um combate antigo, foi, como veremos a seguir, incorporado por outro, ou vingativo, ou arrogante e sem dúvida ávido pelo poder.
N: considerações apoiadas na imprensa do dia, 18.ou.07, em especial o Público.
DENTRO DO ROSTO
A ESTRANHA EM MIM
quarta-feira, outubro 17, 2007
A IDADE DAS TREVAS
terça-feira, outubro 09, 2007
A LONGA AGONIA DAS ESPÉCIES
