
e ultimamente nos azuis de diferentes aberturas ao espaço, numa espécie gráfica do amanhecer. Em 1976, Chorão inscrevia um A tombado e grafológico numa das suas obras feitas de cinzas pálidos, de vastanhos quentes, de negros sucintos. O A é a primeira letra do nosso alfabeto. Inicia palavras como Abril, Alentejo ou Alma. O gesto solto, a tinta líquida, a cor seca, a escrita à flor da luz, signos, colagens e afloramentos figurativos -- eis alguns dados caracterizadores da pintura de Pedro Chorão, agora, ontem, talvez amanhã. Com A. É impossível, num espaço como este e perante a curta expectativa dos leitores, dizer uma página apenas sobre o artista, página do livro que escrevi sobre ele, nos anos 80, e que, embora marcado por capítulos sintéticos, ainda somava 110 páginas. Mal entendido pela crítica (actividade que se tornou académica na sua colagem à puberdade da invenção estética), Pedro Chorão associa-se a Sísifo, na perspectiva das semelhanças que envia para a cúpula do saber, e desenvolve, nessa espécie de destino do fazer plástico, o lirismo de uma poética da contingência: uma viagem que, apesar da sua lógica interna ou de um projecto, nos ensina a variação das probabilidades do acontecer por cada escolha e em cada encruzilhada.
4 comentários:
Está visto que quem avalia nem sempre o faz com todos os dados, com a competência que outros teriam, e o resultado é injusto para muitos.
a injustiça é uma das principais características no mundo da arte!
Preciso muito de rever e recontactar o Pedro.
tm. 918107337
deveriam falar mais de artistas como Kim Prisu, que é um grande artista português da escola das novas figurações francesa dos anos 80....
quem avalia as o que é arte contemporânea ou não é... boa tarde
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