segunda-feira, abril 30, 2007
ARTISTAS PORTUGUESES | António Gonçalves
domingo, abril 29, 2007
ARTISTAS PORTUGUESES | Jorge Abade
A ORDEM NATURAL DAS COISAS
sábado, abril 21, 2007
PRESENÇA DA PINTORA ISABEL SABINO
Isabel Sabino, pintora pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, onde lecciona, tem já um importante currículo e uma participação superior nos estudos das ciências das artes, com trabalho de pesquisa teórica e prática, participação em publicações de carácter ensaístico, a par de desenvolvimentos no domínio das metodologias ligadas às disciplinas de índole artística. Tem desempenhado cargos de relevo na Faculdade e dedicado um esforço sensível sobretudo na pintura. A sua obra plástica resulta de uma espécie de convergência de várias aprendizagens, as quais se juntam à resolução da forma, entre uma certa nostalgia da representação antiga e os elementos fracturantes do processo e do conteúdo relativos à forma plástica em si ou indicidora de referentes diversos. O tempo marca o que resta disso em paisagem, no sonho e na memória da vida humana, das suas marcas, dos seus lugares, numa arrumação falsamente empírica das coisas e dos seres, como aliás se depreende em parte no quadro recente aqui publicado.
sexta-feira, abril 20, 2007
FAVELA PARA SAMBAR E PARA MORRER
quinta-feira, abril 19, 2007
BAGDAD, ALGUNS DIAS MAIS TARDE
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reconversão de uma fotografia editada pelo PÚBLICO
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Cerca de dois dias após ter sido publicada (aqui) uma fotografia documentando a existência, a sul de Bagdad, de um cemitério de destroços de carros-bomba numa área de 5 kms quadrados, é anunciado mais um desses atentados, na mesma cidade e no Mercado Al-Sadriyah, com a morte imediata de aproximadamente cem pessoas, numa contagem que terá aumentado em virtude dos feridos muito graves. Apenas seis atentados, só na zona da capital, mataram mais de duzentos indivíduos. As forças americanas limitam-se sobretudo a uma situação de patrulhas, abrindo por vezes rusgas mais ou menos aparatosas. Mas, enquanto se espera por uma nova estratégia, o exército estrangeiro que ocupa o Iraque, ocupa-se difusamente das margens. Entretanto, e para comandar as acções anunciadas, o país foi entregue ao general Petraus, ao que parece muito experimentado nesta linha de interveções militares. Tudo isto é estranho e desconfortável, pois o general só poderá dispor de um novo contingente para operar lá para meados de Julho, embora o plano tenha começado há mais de dois meses, com resultados pouco significativos. aquém dos objectivos traçados. E quem sabe se esses objectivos, para um futuro sem nome na área, terão alguma vez um rosto?
segunda-feira, abril 16, 2007
A GUERRA DOS MUNDOS
domingo, abril 15, 2007
CRÓNICA CONVENTUAL DAS VELHAS ARTES
EXCERTO DAQUELE LIVRO DE ROCHA DE SOUSA
A promiscuidade que se vivia no labirinto de terrenos e barracões, entre pintores e escultores, contraditórios na teoria e no fazer, mas condenados a uma partilha sem nexo, gerava, em todo o caso, alguns frutos surpreendentes. Nas oficinas de grandes dimensões, apodrecendo pelos travejamentos superiores, as peças tentadas, contudo, decorriam de uma realidade assim, da moleza inicial e propiciatória do barro, certamente, entre as esperas debaixo de plásticos tendo em vista minimizar os efeitos do tempo -- e eram veredas ladeadas pelos cavaletes, tulhas de argila, bancadas e maços sujos, guindastes de arrasto, pranchas móveis, espátulas, formões, goivas, instrumentos para afeiçoar ou cortar a pasta de argila. Tudo isso, nas diferenças e nas semelhanças, colava-se ao atelier próximo, cheio de enormas telas com manchas de trincha, figuras oitocentescas geminadas aos símbolos da pintura pop, cujo léxico era mais americano do que português, e os passos e batas em volta, milhares de manchas de cores numa espécie de harmonia por antítese, objectos velhos, inorgânicos, por vezes composições tridimensionais, proibitivas, formas com passagens da madeira ao ferro, ou telas fingindo cartazes de touradas sangrentas, de mistura com os rostos sedosos da perfumaria capaz de cativar (em offset e paradoxo) o nosso próprio olhar, pele, desejo, nostalgia de gente perdida nas adolescências da periferia social. Recortes também. Citações. Quadros pendurados uns por cima de outros nas altas paredes da sala, um cheiro a óleo e vernizes, este era um mundo também confuso pela falta de espaço, pela desarmonia dos tipos de cavaletes e de outros equipamentos, pelos lavatórios entupidos, baldes de socorro, um oceano de pinceladas nas camadas de tinta branca ou cinza que cobriam quase por inteiro as faces internas dessa espécie de cubo com um janelão de quatro por cinco metros, de ferro e vidro, solução imprópria, porque demasiado rígida, produzindo tanto um clima de estufa como a pulverização do famoso efeito de catedral.
sexta-feira, abril 06, 2007
EXPOSIÇÃO ARTE E PROPAGANDA
propaganda, lazer, famíliaExposição de artes plásticas numa «perspectiva crítica que procura semelhanças e diferenças entre diversas formas de discurso persuasivo em regimes democráticos e totalitários.» Nuno Galopim deu-nos, na revista do Diário de Notícias, interessantes orientações sobre este acontecimento. As linguagens comparadas (sobretudo visuais) coincidem, no tempo, com a Alemanha de Hitler, a Itália de Mussolini, a União Soviética dem Estaline e os Estados Unidas de Roosevelt. O projecto é tentar dar a ver o uso dessa linguagens em favor da disseminação de ideias políticas, antes e durante a II Guerra Mundial. A aprendizagem académica tem aqui muitos reflexos, projectando formações representativas que os autores podem aproveitar no sentido do enaltecimento de uma personalidade ou de um regime. O modo como os líderes, por exemplo, são apresentados transcende (mesmo na imitação) a sua natureza menos profunda, eventualmente epidérmica. Um retrato de Estaline pode sugerir uma bonomia (falsa) diferente da força intrínseca do cartaz onde Roosevelt nos olha com determinação mas sem estigmas desviantes. O retrato escultórico de Mussolini, de Renato Bertelli, sugerindo uma liberdade futurista inovadora, consegue explicar-nos melhor a personalidade em causa do que qualquer cópia, pois arrasta uma simetria rotativa avassaladora e claríssima quanto à identidade dos perfis, coisa omnipresente seja qual for a posição que tomemos perante ela na perspectiva da percepção. Hitler, vítima de uma enfatização panfletária, acaba por nos parecer um tigre de papel, aliás pela própria simbologia e técnicas usadas. Galopin, na cuidada abordagem que apresenta no seu texto, diz, a certa altura, que entre oa quatro pólos retratados há espantosas afinidades apesar das, por vezes, enormes distâncias que os separavam. O culto do corpo, na Alemanha, não foge do russo, se bem que no primeiro caso esta via seja usada em favor de mensagens e ordem, militarismo, e lazer familiar. Apologias da conquista do trabalho e dos desportos, celebração dos feitos da tecnologia americana, são planos que acabam por se assemelhar aos dos soviéticos. O carisma dos líderes é explorado de diferentes maneiras e um fim idêntico, aliás como parece notório entre Mussolini e Hitler, ou mesmo Estaline. Há depois uma série de aspectos decorrentes da perspectiva ideológica e cultural das áreas tratadas, quer em termos sociológicos e psicológicos, quer em termos éticos ou políticos, eventualmente encarando uma procura no sentido da deontologia, como acontece com outros criadores. O que parece ressaltar desta via, a par de outras que têm sido desenvolvidas, é a confirmação de que a arte não tem, como função intrínseca, ilustrar ou exaltar aqueles valores, o que não impede muitos atistas de se deixarem ficar reféns de tais contextos e amarras. O Século XX, no processo da sua revolução artística, tornou visível essa concepção libertária da arte numa ordem consequente de autonomia. Mas não se pode fazer deste caminho um campo operatório redutor, nem discriminar para a sombra obras superiores embora ligadas a directivas que a modernidade colocou no index. Podemos, com efeito, avaliar a grande qualidade de peças tratadas sob qualquer jugo, o que por vezes acontece e acaba por pairar sobre o mundo de forma surpreendente e quase encantatória. Por isso aqueles líderes sabiam escolher os operadores que conseguissem os bons resultados sem reserva deontológica, dedicados ao fazer e alheios ao zelo ético na contingência do mundo. Esta indiferença continua a verificar-se, de certa maneira: a arte não toma partido, isenta-se da dor em volta ou mesmo do horror genocida. Diletante e acima das batalhas, os artistas podem morrer numa escaramuça de rua mas no atelier são sacerdotes de uma autonomia mais ou menos inerte. Salvam-se os fotógrafos porque a sua arte só tem verdadeiro senntido no seio da realidade: se o seu testemunho combatente não existisse, nem saberíamos metade do apocalipse que nos rodeia, o que se revela verdadeiramente inquietante e se agrava com o funcionamento alienante das televisões, apesar de não lhes puder ser indiferente os 11 de Serembro que talvez se aproximem em repetição, como nos espectáculos tão desejados pelas multidões, e aparatosamente difundidos, com o futebol, pelos canais do bigbrother que merecemos.
BONECOS FEITOS EM NOME DO PODER
Schurpin* EstalineRenato Bertilli *«Perfil do Duce» 1933
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à esquerda Hitler Hubert Lanziger * à direita cartaz, Roosevelt James Flagg.Esta «amostragem» acompanha um excelente artigo de Nuno Galopin a que nos referiremos depois.
Uma perspectiva crítica que procura semelhanças e diferenças entre as diversas formas de discurso persuasivo em regimes democráticos e totalitários
quarta-feira, abril 04, 2007
BREVE OLHAR SOBRE A OBRA DE FARRERAS

Excerto do texto do catélogo da exposiçãp aqui assinalada, prefácio de Francisco Cano
segunda-feira, abril 02, 2007
OS GLOBOS DE OURO E A SUAS OMISSÕES
domingo, abril 01, 2007
NEM CORPO NEM ALMA, O BAPTISMO

Ainda não é a coluna madura de uma árvore, não fabrica
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extracto do poema DO MONDO, de Herbet Helder (POEMA CONTÍNUO)