Não saberia fazer melhor e por isso (por achar culturalmenre relevante) transcrevo parte da crónica que Alberto Gonçalves publicou na «Sábado» (8.01.09) a propósito das produções de La féria em music-hall e similares, obras que cavalgam imperdoavelmente algumas grandes realizações no cinema e no palco.
do texto Juizo Final:
«Há dias vi na televisão uma reportagem sobre o West Side Story segundo La Féria. Quer dizer: percebi tratar-se do West Side Story porque o disseram explicitamente. De resto, nada o levava a crer. Dos cenários às coreografias, das interpretações à orquestração, os vestígios do original eram dúbioa, e isto sou eu a ser delicado. No máximo, reconheci a cena da varanda, em que dois jovens talvez tentassem cantar Tonight e um pedacinho de America, no qual o título rimava com histérica e pindérica.
«Mesmo que a redução de uma maravilha do teatro nusical ao Sabadabadu não seja grave, é um sintoma da tendência nacional para emprestar a tudo o que tocamos um peculiar toque de amadorismo, um ar de pastiche desajeitado do que daz "Lá fora". Cá dentro, faz-se o que se pode e, pelo que se constata nos espectáculos, nas artes, nas letras, na arquitectura, e, se quisermos alargar o leque, na economia ou na política, não se pode grande coisa. Grosso modo, o País está para o mundo civilizado como o carnaval de Ovar está para o do Rio, uma imitação ingénua que, não obstante, chega e sobre para nos sonsolar.
«Aqui, no consolo, o factor fundamental é a portugalidade. É claro que La Féria, o teatro "alternativo" que temos e o engº Sócrates seriam escassamente considerados em qualquer outro lugar do Hemisfério Norte. Para portuguses, porém, impõ-se admitir que não são maus. Para portugueses, aliás, ninguém é mau, mesmo os que são péssimos de acordo com os restantes critérios, Além de exibir a baixíssima conta em que os portuguses se têm, isto prova que a conta é a apropriada»
Procurando minimizar esta visão sombria do português, Alberto Gonçalves evoca personalidades que escapam à nossa menoridade genética, e considera que «há excepções à mediocridade sentida» e, nesse sentido, aponta (sem nomear senão Amália) os que, «graças ao rigor, ao talento, à inspiração ou ao que quer que os distinga, não parecem portugueses (apenas na literatura, Pessoa e Eça são bons exemplos) E há, que me ocorra, uma única excepção às excepções: chamou-se Amálias Rodrigues, era integral e visceralmente portuguesa; e, ainda assim, roçou a perfeição. O mistério de Amália consistir justamente em conciliar o que, por definição, não é conciliável, leia-se Portugal e o génio»
Mais à frente, depois de zurzir com paciência à direita e à esquerda, incluindo falas, cerimónias oficiais, filmes biográficos, Alberto Gonçalves esclarece: «Não é disso que falo. Falo de regressar sem intermediários ao significado daquela vez, tão explicável que português nenhum é capaz de a merecer ou macular. E olhem que, conforme as homenagens, muitos tentam. E, naturalmente, La Féria já tentou»
Terminamos nós, em rodapé, a fim de que tanta desgraça não nos afunde: é que, ao que parece, há frente de cada português está sempre um abismo. Fiquemos perto de Amália, que quase roçou a perfeição, e consideremos La Féria um artesão megalómano do teatro de revista à portuguesa
3 comentários:
quer criticar ?se voce nem sabe escrever, corriga os erros , é uma vergonha, meu caro senhor dor de cotovelo custa não é? pois fique a saber que o musical o west side story é uma grande produçao e o Sr Filipe La Feria um grande homem do teatro e do espetáculo , ao menos investe n o Teatro e dá trabalho a muitos actores .
O senhor deve estar, como já atras foi referido com dor de cotovelo, pois, do bom teatro que se faz em portugal, Filipe La Féria consegue sempre superar e ter salas cheias, como de resto fica á sua disposiçao de perceber.
Eu modificaria um pouco o titulo deste post para " AS COISAS IMPERDOAVEIS QUE SOU CAPAZ DE FAZER,(por não saber o que hei-de fazer e querer assunto para colocar no blogue)"
Resta-me dizer-lhe que, se mora em Portugal, primeiro, antes de criticar o bom trabalho de qualquer cidadão, procure saber escrever e copiar aquilo que em outros orgão de comunicaçao está presente.
Este post é notóriamente de quem vive na total ignorância em relação ao que se faz culturalmente em Portugal. E não falo só de Filipe la Fèria mas de todos os outros HOMENS (subentenda-se homens e mulheres) DE ESPECTÁCULO portugueses. É absolutamente imperdoável que venha para aqui escrever sobre o que não conhece nem, pelo que é percebido, tem interesse em conhecer. Acrescento, meu caro amigo que a versão portuguesa de Filipe la Féria de MY FAIR LADY foi considera a melhor produção a nível MUNDIAL pela revista Time, acima das produções realizadas na Broadway e no West End. É motivo de orgulho para Portugal que se tenha um senhor como Filipe la Féria e uma equipa de extraordinários actores, cantores, bailarinos, técnicos, etc que consigam atingir um nível de espectacularidade digno de tão merecida ovação internacional. É só triste que em Portugal ainda existam ignorantes como o senhor que para além de escreverem terrivelmente (releia o seu texto e note a quantidade exorbitante de erros ortográficos que tem) não sabem do que falam. Informe-se e aí sim, escreva algo realista com base em factos reais.
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