quarta-feira, fevereiro 27, 2008
A REFORMA DE FIDEL DE CASTRO
terça-feira, fevereiro 26, 2008
A DERRADEIRA OBRA DE ANDY WARHOL
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
CIDADES E LUGARES SUBMERSOS, SEC.XXI
terça-feira, fevereiro 19, 2008
ESTAMOS PERTO DA NAVE DA ESPERANÇA
O MUNDO AINDA VIVE NA IDADE DAS TREVAS
No livro «deus não é grande», Christopher Hitchens assume um eloquente debate com os crentes, apresentando argumentos contundentes contra a religião e a favor de uma abordagem mais laica da vida, sobretudo pela leitura atenta e erudita dos textos religiosos mais importantes. São dele, a terminar aquela obra, as seguintes palavras:
A religião esgotou todas as justificações. Graças ao telescópio e ao microscópio, já não oferece explicação para nada importante. Antigamente, nos casos em que podia, por força do seu completo comando de um panorama mundial, impedir o surgimento de rivais, a sua decisão era impiedosa e assombrosa. Agora só pode dificultar e atrasar - ou tentar abrandar - os avanços mensuráveis que fizemos. É verdade que por vezes os admite astuciosamente. Mas fá-lo para poder escolher entre a irrelevância e a obstrução, a impotência ou a reacção imediata, e com esta escolha encontra-se programada para seleccionar a pior das duas. Entretanto, confrontada com panorâmicas internas nunca imaginadas do nosso próprio córtex em evolução, dos limites mais recônditos do universo conhecido e das proteínas e ácidos que constituem a nossa natureza, a religião oferece aniquilação em nome de deus, ou então a falsa promessa de que se levarmos uma faca aos nossos prepúcios, ingerindo bocados de pão, seremos «salvos». É como se alguém a quem foi oferecida uma fruta deliciosa e fragrante fora de época, amadurecida numa estufa feita com muito trabalho e amor, deitasse dora a polpa e o sumo e mastigasse taciturnamente o caroço. (...)
A prossecução da investigação científica, sem entraves à disponibilidade de novos achados para massas de pessoas através de meios electrónicos simples, revolucionará os nossos conceitos de pesquisa e desenvolvimento. Será imporante situar o divórcio entre a vida sexual e o medo, entre a vida sexual e a doença, e ainda entre a vida sexual e a tirania, passos que podem agora pelo menos ser tentados, com a única condição de banirmos todas as religiões do discurso. Tudo isto, e não apenas, estará pela primeira vez ao alcance da nossa história, porventura ao alcance de todos nós.
domingo, fevereiro 17, 2008
TARKOVSKY, UM CINEMA DO ESPÍRITO
NOSTALGIA
SOLARIS
O ESPELHO
IVAN
A obra fílmica de André Tarkovsky, gerada por um talento incomparável e um grande sentido de missão pela própria arte, baseia-se por isso mais nos valores do espírito do que na exploração das tecnologias que lhe são subjacentes. Trata-se de uma espécie de missão de fé, não no sentido religioso propriamente dito, até porque o autor não era homem de igrejas, mas no sentido humanista da mensagem artística, tendo em conta, de forma profunda, as questões da vida e da morte, o entendimento do ser na estranheza dos seus contextos reais e também simbólicos. A Rússia imensa e trágica emerge de filmes que ultrapassam o tempo, desenhando frescos transcendentes como «Rubliov», justamente um pintor do século XIV, falecido no convento Spasso-Andreievski, perto de Moscovo, entre os anos de 1427, 1430. É um personagem que se revela para além da bruma, cuja actividade se conhece mal, embora se saiba que o seu estilo, tocado pela pintura grega (bizantina) se desenvolveu e transformou no terreno russo, em termos de forte pendor idealista e simbólico. Para além da sua obra mais referida (o Ícone da Trindade), os dados sobre a vida e arte desta personagem invulgar desdobraram-se em referências erráticas ou mesmo de sabor mitológico. E falar dele aqui serve apenas para situar o filme que nele se baseia, «Rubliov», de Trakovsky, empreendimento cinematográfico fabuloso e cuja forma, por capítulos em perfeita harmonia, nos fornecem um grande fresco da época, dos conflitos, dos combates religiosos, da implantação quase mágica de grandes símbolos do fazer artístico, tudo numa densidade portentosa, por vezes barroca, sempre medieva, como que a perseguir, entre o ruído das tempestades humanas, o sentido da criação, a ascenção do espírito acima das terras húmidas e das cúpulas das catedrais. Porque, no fundo, esse filme contém desde logo a anunciação de Tarkovsky enquanto visionário, poeta, senhor de uma imagem com regras e acima delas, capaz de forçar todas as mordaças e gritar para sempre através do silêncio como instrumento superior. Isso já acontece em «Ivan» e estende-se a um grande amor pela imensidão do seu espaço, memórias que sobram à sua volta, figuras, parentes, ruínas, a nostalgia delas e o sacrifício por elas.
O cinema de Tarkovsky, ainda que travado inicialmente na Rússia, sobreviveu aos escondimentos e chegou até nós na decisiva aurora do 25 de Abril de 74, como se pudesse colar a sua reflexão sobre o homem à revolução precária que nos envolveu. Foi assim apontado na verdadeira grandeza que o caracteriza, contraposto aos impulsos da indústria cultural e colando a
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
SACRIFÍCIO, de André Tarkovsky
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
NA MORTE DE LUÍS RALHA, Pintor e Designer
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
CARNAVAL OU A TRANSFIGURAÇÃO DO MEDO
BREVE VISITA À OBRA PLÁSTICA DO REI
